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Estado de Minas

Epidemia do novo coronavírus repercute nas feiras internacionais


postado em 12/02/2020 16:55

Afetados pelas desistências dos participantes, os organizadores das feiras internacionais se questionam se devem continuar, adiar ou cancelar suas atividades diante da crise envolvendo o novo coronavírus.

Destaque entre as feiras internacionais, reunindo cerca de 110 mil visitantes e 2.800 expositores, o World Mobile Congress (MWC), salão mundial da telefonia móvel de Barcelona, cancelou sua edição anual por falta de participantes.

Facebook, BT, Cisco, Nokia, Amazon, Sony... A lista de grandes nomes que cancelaram sua ida ao congresso aumentou nos últimos dias, obrigando os organizadores a fazer uma reunião de emergência nesta quarta-feira, que culminou na decisão de cancelar o evento, programado para acontecer entre 24 e 27 de fevereiro na Espanha.

"O WMC Barcelona 2020 foi cancelado porque a preocupação mundial com a epidemia do coronavírus, a preocupação sobre as viagens e outras circunstâncias tornam impossível a organização" do congresso, afirmou em nota a GSMA, responsável pelo evento.

O cancelamento representa um forte golpe para esse setor, que gera 1,3 milhão de empregos e EUR 137 bilhões em gastos diretos, segundo a UFI, associação que agrupa os organizadores das feiras internacionais, que a cada ano tem em seu calendário cerca de 32 mil atividades.

"No momento, a prioridade é tratar de acalmar as partes interessadas. Se a situação piorar, com um caso de contaminação em uma feira, passaríamos ao modo de crise com medidas reforçadas de precaução, por exemplo limitando o acesso ao evento", disse Fabrice de Laval, diretor jurídico do sindicato de atividades, Unimev.

Várias feiras de menor importância foram canceladas nas últimas semanas, principalmente na China, por causa da epidemia do COVID-19.

Entre elas, a feira de arte contemporânea Art Basel, prevista para o final de março em Hong Kong, e a Conferência e Exposição sobre aviação de negócios na Ásia no final de abril em Xangai.

Na Europa, as decisões têm sido menos radicais, ainda que uma feira de relógios tenha sido cancelada em Zurique e um fórum de investimentos tenha sido adiado na Rússia.

- Desafios à vista -

"O novo coronavírus impõe um desafio para os próximos meses", alertou o diretor-geral da UFI, Kai Hattendorf, embora defenda que o setor das feiras internacionais é resistente.

Para Philippe Pasquet, diretor-geral do setor de feiras da GL Events, "haverá um impacto, sem dúvidas, mas isso vai variar de uma feira para outra e ninguém pode medi-lo nesse momento".

"A presença chinesa nas feiras internacionais é hoje muito mais importante que durante a epidemia da Sars (entre 2002 e 2003). Logo, o impacto é maior", informou à AFP.

No final de janeiro, esse grupo francês especializado na organização de feiras profissionais, com atuação em diversos países, decidiu o adiamento de três exposições agendadas em Pequim, a pedidos das autoridades chinesas.

"A longo prazo, dependerá muito do quanto durará a epidemia. Por ora, não acreditamos que ela vá durar, mas somos prudentes", ressaltou Pasquet, que disse não temer "tanto pelo vírus como a psicose vinculada à epidemia".

Do ponto de vista financeiro, cancelar uma feira programada para o início do ano é algo que não afeta os organizadores que fizeram um seguro antes de ser declarada a epidemia.

"Agora que o risco foi divulgado, os organizadores e expositores já não têm como fazer um seguro de cancelamento", alertou Laval.


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