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Estado de Minas

Autoridades ucranianas e separatistas pró-russos trocam prisioneiros


postado em 29/12/2019 14:55

As autoridades ucranianas e os separatistas pró-russos no leste da Ucrânia intercambiaram neste domingo cerca de 200 prisioneiros, uma operação que representa uma desescalada no único conflito armado ativo da Europa.

"As trocas terminaram", declarou a presidência ucraniana no Facebook, acrescentando que 76 pessoas estavam retornando ao país - 12 militares e 64 civis, inclusive dois jornalistas colaboradores do serviço ucraniano da rádio americana RFE/RL, Stanislav Aseiev e Oleg Galaziuk, presos há dois anos.

Quatro prisioneiros libertados a pedido de Kiev decidiram ficar na zona separatista para encontrar suas famílias.

Por sua parte, os separatistas pró-russos das repúblicas autoproclamadas de Donetsk e Lugansk disseram às agências de notícias russas que receberam respectivamente 61 e 63 pessoas, incluindo cidadãos russos e um brasileiro que lutou nas fileiras rebeldes.

Quatorze pessoas que foram libertadas a pedido dos rebeldes decidiram ficar no território sob controle de Kiev, segundo as autoridades ucranianas.

Tanto o presidente russo Vladimir Putin quanto a chanceler alemã Angela Merkel - que mediaram as negociações de paz na França no início de dezembro - celebraram a "troca positiva de detidos", segundo comunicado da presidência russa.

De acordo com Berlim, Merkel e o presidente francês, Emmanuel

A embaixada dos Estados Unidos na Ucrânia também elogiou o intercâmbio em seu Twitter oficial, observando que reconhece que "a agressão contínua da Rússia enfrenta a liderança da Ucrânia com opções difíceis".

O líder dos rebeldes de Lugansk, Leonid Passechnik, comemorou "uma nova vitória" em um tuíte.

Esta é a primeira troca direta entre beligerantes desde dezembro de 2017.

- Troca na linha da frente -

De manhã, dois ônibus dos territórios separatistas chegaram a uma área protegida por militares ucranianos armados perto da cidade de Odradivka, no território controlado por Kiev, a alguns quilômetros da linha de frente, disseram jornalistas da AFP.

Alguns passageiros, visíveis a bordo, cobriram o rosto. Meia hora depois, outros três veículos escoltados pela polícia chegaram ao mesmo ponto na direção oposta.

Eles foram seguidos por várias ambulâncias, carros da Cruz Vermelha e observadores da Organização para Segurança e Cooperação na Europa.

Os primeiros presos, a maioria homens, embora também houvesse algumas mulheres, desceram com seus pertences de um ônibus.

"Estou feliz, é o dia que estávamos esperando há muito tempo!", exclamou Viktoria, uma ucraniana de 24 anos que disse ter sido detida por três anos. Os separatistas a sentenciaram a 12 anos de prisão por "alta traição", disse ela.

"Ainda tenho dificuldade em acreditar", disse o parceiro de prisão Volodimir Danilchenko, de 36 anos.

"Liguei para minha mãe, ela está chorando", disse um terceiro detido, Oleksandr Danilchenko, afirmando que ele havia sido espancado e torturado durante sua detenção.

Do lado dos separatistas pró-russos de Donetsk, a televisão russa mostrava detidos ladeados por soldados armados. Cerca de 200 manifestantes se reuniram, segundo a imprensa, no sábado à noite em frente a uma prisão na capital ucraniana para tentar impedir a troca.

- Distensão com Moscou -

Essa troca foi preparada no início do mês, durante a reunião realizada em Paris entre o presidente russo Vladimir Putin e o ucraniano Zelenski.

Foi a primeira vez que Zelenski e Putin se encontraram frente a frente, com a presença dos líderes franceses e alemães.

Embora durante a reunião não tenha havido avanços concretos, como a retirada de armas pesadas, a restauração do controle de Kiev na fronteira com a Rússia ou a organização de eleições locais nessas regiões.

Desde a eleição, em abril, do novo chefe de Estado ucraniano, um ex-ator, houve um certo relaxamento com o Kremlin.

Em setembro, Kiev e Moscou já trocaram 70 detidos, incluindo o cineasta ucraniano Oleg Senstov, libertado pela Rússia.

Da mesma forma, os dois lados recuaram em três pontos da linha de frente, e outras retiradas desse tipo devem ocorrer antes do final de março.

Moscou também retornou à Rússia navios de guerra apreendidos pela Rússia.

A guerra no leste da Ucrânia, o último conflito armado ativo na Europa, causou mais de 13.000 mortes desde o início de 2014, algumas semanas depois que a Rússia anexou a península da Crimeia.

Pouco antes ocorreu a revolta pró-europeia da praça de Maidan, em Kiev, que precipitou a saída do presidente pró-russo Viktor Yanukovish.

O Ocidente e a Ucrânia acusam Moscou de apoiar os separatistas militarmente, embora a Rússia negue.


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