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Estado de Minas

Diálogo com Irã norteará mandato do novo diretor da AIEA


postado em 02/12/2019 18:19

O novo diretor da Agência Internacional de Energia Atômica (AIEA), o argentino Rafael Grossi, afirmou que o diálogo com o Irã será prioridade, em meio a crescentes tensões sobre seu programa nuclear.

Empossado oficialmente nesta segunda-feira (2), Grossi se tornou diretor-geral do único organismo internacional com acesso às instalações nucleares do Irã, graças ao acordo fechado em 2015 entre a República Islâmica e as grandes potências.

- Quem é o novo diretor da AIEA? -

Rafael Grossi, de 58 anos, conhece bem a AIEA, onde atuou de 2010 a 2013 em funções que o levaram a discutir diretamente com as autoridades iranianas. Nesta segunda, durante uma entrevista coletiva à AFP, anunciou que pretende viajar para o Irã "em um futuro relativamente próximo".

Embaixador da Argentina na Áustria desde 2013, era representante deste país sul-americano na AIEA.

Em relação às questões de não-proliferação, o ex-embaixador da França no Irã François Nicoullaud considera o diplomata argentino "impressionante" e "de ótimo calibre".

Outros diplomatas entrevistados pela AFP destacaram sua "ética profissional" e sua "energia". Um deles afirmou que Grossi promoverá a energia nuclear para combater a mudança climática.

Grossi é o sexto diretor do organismo desde sua criação em 1957, e o primeiro procedente de um país da América do Sul.

- O que a AIEA faz no Irã? -

A agência da ONU está encarregada de comprovar no terreno que Teerã aplica o acordo sobre seu programa nuclear. O pacto foi firmado em 2015 com as grandes potências mundiais para garantir que o Irã não se dotaria de armas atômicas.

Grossi assume o cargo em um momento delicado para o acordo, depois que os Estados Unidos decidiram se retirar, de forma unilateral, em 2018.

Em reação ao restabelecimento das sanções americanas, Teerã aplica desde maio um plano para se desvincular do acordo e intensificou suas atividades nucleares.

Superou, por exemplo, o limite de armazenamento de urânio enriquecido estabelecido pelo texto, a taxa de enriquecimento e a quantidade de água pesada autorizados. Também modernizou suas centrífugas.

A AIEA considera que o regime de inspeção das instalações iranianas adotado desde 2015 é o mais severo do mundo.

Em seu discurso de posse hoje, Grossi elogiou o "sistema imparcial e rigoroso" das inspeções da AIEA.

Nenhuma outra instituição "tem esta credibilidade, que permite garantir que não se desvie material nuclear para fazer armas atômicas", destacou.

A AIEA enfrenta o desafio de manter sua reputação de neutralidade diante das inúmeras pressões políticas que o caso iraniano desperta.

Embora tenha contado com o aval dos Estados Unidos, os diplomatas ouvidos pela AFP destacaram a "independência" de Grossi e sua "capacidade de resistir às pressões, venham de onde vierem".

- Temas sensíveis e urgentes -

Nos últimos meses, vieram à tona vários pontos de atrito na cooperação entre Teerã e a AIEA.

A agência da ONU pediu a Teerã que explique a natureza das atividades realizadas em uma instalação não declarada, na qual foram encontrados restos de urânio. Por enquanto, as respostas do Irã foram consideradas insuficientes pela AIEA.

Além disso, no final de outubro, as autoridades iranianas proibiram de deixar o país uma inspetora da AIEA que ativou um alerta de segurança sobre uma instalação inspecionada. O episódio deu lugar a tensões entre a República Islâmica e a agência.

No plano diplomático, europeus, China e Rússia - que permanecem no acordo - terão de convencer os iranianos a aplicarem o pacto. Na próxima sexta-feira (6), representantes destes países se reúnem com autoridades do governo iraniano em Viena.

Teerã avisou que, no início de janeiro, intensificará seu programa nuclear. O anúncio fez os europeus elevarem o tom e advertirem que poderão ativar um mecanismo para restabelecer as sanções da ONU contra o Irã.


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