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Estado de Minas

Bolsonaro volta a desafiar França em polêmica sobre soberania amazônica


postado em 28/08/2019 21:50

O presidente Jair Bolsonaro pediu novamente, nesta quarta-feira, uma "retratação" de seu colega francês, Emmanuel Macron, por declarações sobre a Floresta Amazônica que considera ataques à soberania do Brasil, e recebeu apoio do Chile, em uma causa que está se tornando continental.

Depois de ter exigido uma retratação de de Macron, que na semana passada o acusou de "mentir por não respeitar seus compromissos climáticos" e que na segunda-feira aventou a possibilidade de conceder um "estatuto internacional" no caso de "um estado soberano adotar de maneira concreta medidas claramente contrárias ao interesse de todo oi planeta".

"No tocante ao governo francês, o fato de me chamar de mentiroso e por duas vezes falar que a soberania da Amazônia tem de ser relativizada, somente após ele [Macron] se retratar do que falou no tocante a minha pessoa (...) aí sem problema algum voltamos a conversar", declarou Bolsonaro aos jornalistas ao receber a visita do presidente chileno Sebastián Piñera.

O governo brasileiro ressaltou na segunda-feira que rejeitaria a ajuda de 20 milhões de dólares proposta pelo G7 para combater as queimadas, mas à tarde o porta-voz presidencial disse que Bolsonaro estava aberto a receber apoio financeiro externo enquanto "não ofender a soberania brasileira e o manejo dos recursos estiver sob nossa responsabilidade".

Essa pareceu uma posição mais flexível, mas nesta quarta Bolsonaro manteve sua posição desafiadora contra a França e outros países europeus, como a Alemanha, que recentemente decidiu cortar os fundos (como fez a Noruega) para ajudar a preservar a Amazônia.

"Há pouco falei para vocês que a Alemanha e em especial a França estão comprando a nossa soberania à prestação", disse Bolsonaro, questionado por suas posições favoráveis ao desenvolvimento de atividades agrícolas e de mineração na Amazônia, inclusive em reservas indígenas e áreas ambientais.

"Quando vocês olham o tamanho do Brasil, a oitava economia do mundo, parece que 20 milhões de dólares é nosso preço. O Brasil não tem preço. Vinte milhões ou 20 trilhões é a mesma coisa para nós", enfatizou.

A tensão entre Bolsonaro e Macron adquiriu dimensões pessoais quando, no final de semana, o capitão comentou uma publicação no Facebook ofensiva à primeira-dama francesa, Brigitte Macron, comparada fisicamente à mulher do presidente, Michelle Bolsonaro.

"Não humilha, cara kkkk", escreveu Bolsonaro.

Nesta quarta-feira, o porta-voz da presidência esclareceu que "a fim de se evitar dupla interpretação, o comentário foi retirado da rede social".

De janeiro até a tarde de terça-feira, foram assinalados 83.329 focos de incêndios no Brasil, mais da metade (52,1%) na floresta amazônica, segundo dados do instituto de observações espaciais INPE.

Esse número marca um aumento de 77% a respeito do mesmo período e constitui um recorde desde os incêndios de 2010.

- Momento decisivo -

O Brasil empregou 2.500 soldados, centenas de veículos e quinze aeronaves, incluindo dois aviões-tanque Hércules C-130 para controlar as chamas até segunda-feira.

A questão preocupa dentro e fora do Brasil pelo impacto das queimadas no sequestro de carbono.

"Muitos especialistas temem que este seja um momento decisivo" para a maior floresta tropical do planeta, afirma o diretor executivo da Organização Internacional de Madeiras Tropicais (ITTO), o alemão Gerhard Dieterle, insistindo que há "uma grande urgência" de soluções.

"Se as densas florestas tropicais pegarem fogo, levará muitos anos para regenerá-las e isso alterará o clima" em escala regional e terá um impacto em escala global, disse Dieterle à AFP.

Muitos dos incêndios são provocados por agricultores para ter mais terras de plantio e pastoreio.

- Causa continental -

Bolsonaro recebeu favoravelmente a proposta do Peru e da Colômbia de convocar uma reunião de emergência no dia 6 de setembro em Letícia (na tríplice fronteira entre esses dois países e o Brasil) para assinar um pacto e coordenar ações em defesa da Amazônia.

"Em 6 de setembro estamos reunidos com esses presidentes, exceto o da Venezuela, para discutir uma política única nossa de preservação meio ambiente e bem como exploração de forma sustentável da nossa região", afirmou nesta quarta, ao lado de Piñera.

A exclusão da Venezuela se deve ao fato de que a maioria dos países da região não reconhece o governo de Nicolás Maduro.

Piñera, que sediará a cúpula da COP-25 em Santiago depois que o Brasil desistiu de organizar o evento, expressou seu apoio a Bolsonaro.

"Todos nós amamos a Amazônia, mas os países da Amazônia, que são nove, entre os quais o mais importante em tamanho é o Brasil, têm soberania sobre a Amazônia, e isso deve ser sempre reconhecido. E, portanto, eles são os principais interessados e responsáveis por cuidar e proteger as florestas e a biodiversidade", afirmou, em uma declaração conjunta no final da reunião.


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