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Estado de Minas

Mulheres indígenas do Canadá foram vítimas de 'genocídio'


postado em 03/06/2019 19:43

Depois de dois anos e meio de audiências, uma investigação no Canadá concluiu nesta segunda-feira que milhares de mulheres indígenas foram vítimas de violência endêmica, algo qualificado de modo polêmico como "genocídio".

O informe de 1.200 páginas foi apresentado pelo primeiro-ministro canadense, Justin Trudeau, que estava acompanhado das famílias das vítimas em uma cerimônia no Museu Canadense da História.

A investigação é o resultado de anos de lobby por parte dos líderes nativos, ativistas e famílias das vítimas, para que fossem abordados os níveis desproporcionais de violência que afetaram as mulheres indígenas nas últimas três décadas.

Segundo estimativas oficiais, quase 1.200 mulheres e crianças indígenas desapareceram ou foram assassinadas entre 1980 e 2012, de uma comunidade de 1,6 milhão de pessoas. Mas as comissões de investigação sugeriram que a verdadeira cifra poderia ser muito maior.

O informe concluiu que através de "ações estatais e inações enraizadas no colonialismo e ideologias coloniais", as mulheres e crianças enfrentaram um nível de violência desproporcionalmente alto.

Os membros da comissão concluíram que entre os autores da violência há familiares indígenas e não indígenas, conhecidos e assassinos em série.

O informe vinculou as mortes com à pobreza endêmica, ao racismo, ao sexismo e a outros males sociais que remontam às tentativas falidas dos primeiros colonizadores de obrigar os indígenas a se integrarem.

Também solicitou mudanças radicais para melhorar a segurança, justiça, saúde e cultura dos povos aborígenes do Canadá.

"Não falharemos mais com vocês", disse Trudeau, que fez da reconciliação com as 600 tribos do Canadá uma prioridade de seu governo. "É vergonhoso. É absolutamente inaceitável e precisa terminar".

"Vocês têm a minha palavra de que meu governo transformará o chamado da investigação por mais justiça em uma ação significativa e dirigida por indígenas", acrescentou.

Os críticos afirmam que a linguagem do informe é forte demais e não se ajusta às definições internacionais ou legais de genocídio.

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