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Estado de Minas

Pró-europeus iniciam discussões sobre divisão de poder na UE


postado em 28/05/2019 10:16

As negociações sobre a distribuição de altos cargos na União Europeia (UE) começaram com as forças pró-europeias divididas sobre quem pode aspirar ao posto de sucessor de Jean-Claude Juncker à frente da Comissão Europeia.

Os governantes europeus se reunirão durante a tarde em Bruxelas para o primeiro debate sobre quem vai liderar o bloco no próximo mandato, depois das eleições para a Eurocâmara que confirmaram o fim do bipartidarismo e um avanço moderado das forças eurocéticas.

Os liberais liderados pelo presidente francês, Emmanuel Macron, já abriram a primeira divisão, porém, ao não apoiarem uma declaração da Eurocâmara que defende o sistema conhecido como "Spitzenkandidat".

"Há uma esmagadora maioria de forças pró-europeias a favor", destacou o líder dos eurodeputados socialdemocratas, Udo Bullmann, sobre este sistema que reserva a presidência da Comissão para um dos cabeças de lista que lideraram os partidos durante as eleições.

Com 180 eurodeputados de 751, o Partido Popular Europeu (PPE) venceu novamente as eleições, apesar de ter obtido 36 cadeiras a menos do que na legislatura atual. Reclamou o posto de presidente da Comissão para seu candidato Manfred Weber, mas nada será fácil.

Apesar das divergências sobre o Spitzenkandidat, socialdemocratas (146 cadeiras) e liberais (109), que se anunciam como os eventuais sócios do PPE em uma coalizão pró-europeia, reivindicam um peso maior nas principais instituições da UE, presididas atualmente pela direita.

A nova distribuição de altos cargos deve refletir "a nova maioria no Parlamento Europeu, que não é mais apenas o PPE", afirmou o governo espanhol, após um jantar de trabalho entre o primeiro-ministro socialista Pedro Sánchez e o presidente Macron na segunda-feira.

"Os outros têm que dizer o que querem. Nós queremos a presidência da Comissão", reiterou à AFP o presidente do PPE, Joseph Daul.

- 'Game of thrones' -

A designação do sucessor de Juncker (PPE) à frente do Executivo comunitário, que deve ser validada pela maioria da Eurocâmara, corresponde de fato aos governantes europeus, que intensificaram os contatos nas últimas horas.

A correlação de forças no Conselho Europeu será chave. O candidato contemplado pelos líderes deverá contar com o apoio de pelo menos 21 dos 28 chefes de Estado e de Governo, cujos países representem pelo menos 65% da população. A designação formal está prevista para a reunião de cúpula de junho.

O PPE, maior força do Conselho, entra na discussão enfraquecido. O chanceler austríaco, Sebastian Kurz, um de seus nove governantes à mesa, acaba de ser derrubado pelo Parlamento. O primeiro-ministro húngaro, o populista Viktor Orban, não apoia Manfred Weber.

Os liberais (8 governantes) e os socialistas (5) também precisam coordenar suas posições antes da reunião, mas um grupo representativo das duas tendências deve participar de um almoço de trabalho prévio, a convite do liberal Charles Michel, primeiro-ministro da Bélgica.

Além do premier belga, o chefe de Governo holandês, Mark Rutte, e Emmanuel Macron representarão os liberais, enquanto os socialdemocratas contarão com o espanhol Pedro Sánchez, indicado por esta tendência a negociar a divisão de cargos, além do português António Costa.

"Juntos, socialdemocratas, Verdes e liberais próximos a Macron são, se desejarem, mais fortes do que os conservadores do PPE, que dirigem a Comissão há 15 anos", afirmou o comissário europeu das Finanças, o socialista francês Pierre Mosocivici.

Sem o principal partido pró-europeu, social-democratas, liberais e ecologistas - grande surpresa das eleições com 69 deputados - tampouco reúnem maioria no Parlamento europeu, o que anuncia uma negociação complexa.

Além da presidência da Comissão, também serão negociados os nomes para comandar o Conselho Europeu, a Eurocámara e o Banco Central Europeu (BCE), assim como a liderança da diplomacia europeia. Os cargos são atribuídos com base em critérios geográficos, políticos e de gênero.

"Game of Thrones vai começar", advertiu no domingo o socialdemocrata Frans Timmermans, candidato à presidência da Comissão, assim como a liberal Margrethe Vestager. Outro possível aspirante é o francês Michel Barnier, atual negociador do Brexit.


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