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Estado de Minas

Igreja francesa se prepara para julgamento de bispo


postado em 04/01/2019 11:56

"Só tenho um juiz que é o Senhor", afirmou recentemente o cardeal francês Philippe Barbarin. Na segunda-feira (7), o arcebispo de Lyon (centro-leste) comparecerá perante a Justiça dos homens, acusado de esconder os crimes de pedofilia de um padre.

Com ele, cinco ex-membros desta diocese - incluindo o atual arcebispo de Auch (sudoeste) Maurice Gardès e o bispo de Nevers (centro) Thierry Brac de la Perrière - são convocados perante o tribunal penal até quarta-feira (9), por não denunciarem as agressões sexuais cometidas contra jovens escoteiros antes de 1991.

Até o momento, dois bispos foram condenados na França em casos semelhantes: o bispo de Bayeux-Lisieux, em 2001, e o ex-bispo de Orleans, em 2018.

O cardeal Barbarin, de 68 anos, radicado em Lyon desde 2002, encarna na França a crise de uma Igreja confrontada em todo mundo aos crimes de uns e ao silêncio de outros.

O escândalo veio à tona em 2015 com o indiciamento do padre Bernard Preynat por abusos cometidos um quarto de século antes. Como ele estava ciente dessas ações passadas, as vítimas também denunciaram o bispo Barbarin, considerando que ele próprio deveria ter denunciado o padre à Justiça.

Após seis meses de investigação e dez horas de interrogatório do cardeal pela polícia francesa, o Ministério Público de Lyon rejeitou o caso no verão de 2016.

Mas as vítimas apresentaram um procedimento de citação direta, o que permite, na França, que uma vítima acione diretamente o tribunal penal.

"Esperamos, desta vez, uma decisão que seja clara para todos", disse François Devaux, cofundador da associação La Parole Libérée, fonte das revelações.

A defesa confia, por sua vez, no julgamento para "restaurar um certo número de verdades, porque não se repara uma injustiça com outra", segundo um advogado do cardeal, Jean-Félix Luciani.

Além de Philippe Barbarin, Maurice Gardes e Thierry Brac de la Perrière, foram convocados o ex-responsável de um grupo de escoteiros vítimas do padre, bem como o ex-diretor de gabinete do cardeal e um vigário que foi o superior do padre Preynat.

O cardeal espanhol Luis Ladaria Ferrer, prefeito da Congregação para a Doutrina da Fé em Roma, também foi indiciado, mas o Vaticano pediu imunidade. As vítimas o acusam de cumplicidade uma vez que, consultado por Barnarin sobre o caso do padre em 2015, ele o aconselhou a abafar a situação discretamente: "todos sabiam, e ninguém denunciou".

No auge do escândalo, Barbarin reconheceu erros e pediu perdão às vítimas de padres pedófilos. Mas com a proximidade do julgamento, parece querer se proteger, evocando instruções recebidas do Vaticano em 2015: "Eu implementei o que me foi dito por Roma. Depois, todos caíram em cima de mim", disse ele à margem da última assembleia de bispos em Lourdes (sudoeste), entrevistado pela Rádio Notre-Dame.

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