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Estado de Minas

'Presidente do ódio, saia!', dizem a Trump em Pittsburgh após massacre em sinagoga


postado em 30/10/2018 20:35

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, visitou nesta terça-feira (30) a sinagoga de Pittsburgh, cenário do pior ataque antissemita na história do país, enquanto mais de mil pessoas se reuniram nessa cidade para mostrar que o chefe de Estado não era bem-vindo.

"Presidente do ódio, saia do nosso estado!" e "Trump, renuncie ao nacionalismo branco agora", podia-se ler em cartazes exibidos na concentração perto da sinagoga Árvore da Vida, one ocorreu o massacre de sábado.

Trump, acompanhado de sua esposa Melania, sua filha Ivanka e seu genro Jared Kushner, ambos judeus, acenderam uma vela por cada uma das 11 vítimas.

A polêmica visita aconteceu após os primeiros funerais desde a tragédia.

O funeral dos irmãos Cecil e David Rosenthal, de 59 e 54 anos, foi o primeiro em homenagem aos assassinados no que é considerado um crime de ódio. Também celebraram os funerais de Jerry Rabinowitz, de 66 anos, e de Daniel Stein, de 71.

Trump viajou para dar condolências em meio ao crescente debate sobre se a sua furiosa retórica nos comícios de campanha e no Twitter é, em parte, responsável por polarizar o clima político antes das eleições meio de mandato na semana que vem.

"Simplesmente dá muita raiva ocorrer um crime de ódio assim aqui e que o líder do nosso país não denuncie o antissemitismo, não denuncie o nacionalismo branco, não denuncie o neonazismo. E esse é o problema", disse à AFP Joanna Izenson, antes do funeral dos Rosenthal.

"Sempre vai existir antissemitismo, sempre existiu, mas nunca tivemos um presidente que não lutasse contra ele", acrescentou.

- 'Finalmente pude chorar' -

Centenas de pessoas compareceram ao funeral em Rodef Shalom, a 25 minutos a pé da Árvore da Vida. Muitos soluçavam e se abraçavam ao sair, enquanto os dois caixões eram levados em carruagens fúnebres.

"Foi trágico, foi triste, foi uma bela homenagem a dois homens maravilhosos, carinhosos e inocentes", disse o padre Paul Taylor, um sacerdote católico que compareceu ao funeral.

Uma professora aposentada que apenas deu seu primeiro nome, Nancy, disse: "Finalmente pude chorar".

Mais tarde, dezenas de pessoas caminharam atrás do carro fúnebre que levava os restos mortais de Rabinowitz, segundo imagens publicadas nas redes sociais.

Enquanto isso, os manifestantes se reuniam perto da sinagoga Árvore da Vida para mostrar seu rechaço.

Um dos organizadores leu uma carta aberta a Trump, assinalando: "A violência de sábado foi o auge direto da sua influência".

"Presidente Trump, você não é bem-vindo em Pittsburgh até que repudie terminantemente o nacionalismo branco".

Jeffrey Myers, rabino da Árvore da Vida presente durante o ataque, disse à CNN que "o presidente dos Estados Unidos é sempre bem-vindo".

Mas os manifestantes negaram essa afirmação. "Acho que divide mais do que une", assinalou a bibliotecária de 57 anos Nonie Heystek sobre a visita de Trump.

- 'Jogada baixa política insultante' -

O massacre em Pittsburgh ocorreu na mesma semana em que um homem da Flórida, Cesar Sayoc, um fervoroso apoiador de de Trump, foi preso por suspeita de enviar mais de uma dúzia de bombas caseiras a adversários e críticos do presidente.

Os dois incidentes levaram a acusações de que Trump encoraja a violência em seus tuítes e discursos quase diários, questionando duramente os seus opositores.

Mas Trump reagiu culpando os jornalistas críticos de alimentarem o extremismo. "Existe uma grande ira em nosso país causada, em parte, pela informação inexata, inclusive fraudulenta, relatada nas notícias", tuitou.

As frases de Trump não são a única fonte de polêmica com relação à resposta do governo ao massacre na sinagoga.

Na segunda-feira, o vice-presidente, Mike Pence, participou de um comício eleitoral em Michigan no qual Loren Jacobs, que usa o título de "rabino", mas defende o cristianismo, foi convidado a falar em nome da comunidade judaica da região.

Ao invés de iniciar seu discurso com uma oração pelas 11 vítimas do tiroteio da Árvore da Vida, Jacobs elogiou Jesus Cristo e depois ofereceu orações pelos quatro candidatos republicanos que disputam diversos cargos em 6 de novembro.

No final do ato, Pence, um cristão devoto e herói dos evangélicos, convidou Jacobs a fazer uma oração para as vítimas como "líder da comunidade judaica em Michigan".

Jacobs homenageou os mortos com uma oração a Jesus Cristo, sem nomear nenhum deles.

Os judeus expressaram a sua indignação nas redes sociais, considerando a participação de Jacobs uma "jogada baixa política insultante" e criticando Pence como um "supremacista cristão".

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