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Estado de Minas

Intensos bombardeios russos na província síria de Idlib


postado em 08/09/2018 12:30

A Rússia lançou, neste sábado (8), os bombardeios mais "intensos" sobre a província síria de Idlib, último bastião rebelde do país em guerra, desde que o governo de Damasco ameaçou lançar um assalto para recuperá-la - informou o Observatório Sírio dos Direitos Humanos (OSDH).

Os bombardeios sobre a província ameaçada pelo presidente Bashar al-Assad de um ataque iminente mataram pelo menos quatro civis, dois deles crianças, informou esta ONG.

Nas últimas três horas, o Exército russo, aliado de Assad, fez cerca de 60 bombardeios sobre várias localidades do sul e do sudeste de Idlib, acrescentou o OSDH.

A aviação síria lançou barris de explosivos sobre a área, de acordo com a mesma fonte.

O diretor da ONG, Rami Abdel Rahman, disse à AFP que o Exército sírio continua seus bombardeios com artilharia pesada contra várias posições extremistas e rebeldes - algumas das quais foram abandonadas.

Segundo o OSDH, os bombardeios aéreos russos lançados na sexta-feira deixaram cinco mortos. Eles eram dirigidos contra as posições do Hayat Tahrir al-Sham (HTS), organização extremista criada pelo ex-braço sírio da Al-Qaeda que controla 60% de Idlib, e contra as de Ahrar al-Sham, poderoso grupo rebelde islâmico.

Os bombardeios deste sábado são os mais intensos no norte da Síria desde o ataque lançado em 10 de agosto contra a localidade de Orum al-Kubra, que deixou 53 mortos. Destes, 41 eram civis, segundo o OSDH.

Na província de Idlib e nos redutos rebeldes das vizinhas Hama, Aleppo e Latákia vivem ao todo cerca de 3 milhões de pessoas, de acordo com a ONU. Mais da metade delas é de deslocados.

Uma ofensiva contra Idlib poderia deixar até 800.000 deslocados e provocar "uma catástrofe humanitária", de acordo com as Nações Unidas.

Desde quinta-feira, centenas de civis começaram a fugir da região com medo de um assalto iminente das tropas governamentais.

- Fracasso das negociações -

Este recrudescimento da violência acontece no dia seguinte do fracasso de uma cúpula em Teerã entre os presidentes de Rússia, Turquia e Irã, na qual se decidia o destino deste último bastião antirregime que está quase totalmente fora do poder de Damasco.

"O governo sírio tem direito a tomar o controle de todo seu território nacional e deve fazê-lo", indicou na sexta-feira o presidente russo Vladimir Putin, enquanto seu homólogo turco, Recep Tayyip Erdogan, defendeu um acordo de cessar-fogo e alertou para o risco de um massacre.

Irã, Rússia e Turquia não conseguiram superar suas diferenças, embora tenham acordado em continuar "cooperando" na busca de uma solução para evitar as mortes de civis.

A reunião de Teerã foi realizada horas antes de um encontro do Conselho de Segurança da ONU convocado a pedido dos Estados Unidos sobre a situação em Idlib.

Oito ONGs internacionais ativas na Síria pediram aos "dirigentes mundiais" reunidos em Teerã e em Nova York para evitar "a pior catástrofe humanitária em sete anos de guerra na Síria", que já deixou mais de 350 mil mortos e milhões de refugiados.

Teerã, Moscou e Ancara lideram o processo de Astana, uma série de discussões de paz lançadas após a intervenção militar russa de 2015. O processo de Astana ofuscou as negociações de Genebra sob a égide da ONU.

A declaração final da reunião de sexta-feira se limita a dizer que os três presidentes "decidiram resolver" a questão do Idlib "em um sentido de cooperação que caracteriza o [processo] de Astana".

"Discutimos medidas concretas para uma estabilização gradual na área desmilitarizada de Idlib, que prevê, em particular, a possibilidade de chegar a um acordo para aqueles que estão dispostos a dialogar", declarou Putin no fim da cúpula, referindo-se aos combatentes insurgentes que estariam dispostos a abandonar as armas.

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