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Estado de Minas

Flórida sofre êxodo em massa com aproximação de furacão Irma

O governador da Flórida informou que todos os 20,6 milhões de moradores do estado devem se preparar para partir


postado em 08/09/2017 17:10 / atualizado em 08/09/2017 18:06

Moradores fogem de suas casas para escapar do furacão Irma(foto: Gaston de Cardenas )
Moradores fogem de suas casas para escapar do furacão Irma (foto: Gaston de Cardenas )

As autoestradas da Flórida estavam engarrafadas nesta sexta-feira, com famílias fugindo de suas casas para escapar do furacão Irma, que se aproxima deste estado do sudeste dos Estados Unidos, depois de matar ao menos 17 pessoas e reduzir muitas construções a escombros em sua passagem pelo Caribe.


Uma fila interminável de carros serpenteava ao norte da península, carregados com colchões, galões de combustível e caiaques, à medida que os residentes foram levando a sério os alertas insistentes de evacuação. O governador da Flórida informou que todos os 20,6 milhões de moradores do estado devem se preparar para partir.


"O furacão Irma tem proporções épicas, talvez seja o maior que já vimos", alertou o presidente Donald Trump no Twitter. "Fiquem em segurança e saiam de seu caminho se possível".


Varrendo tudo em seu passagem pelo Caribe, a monstruosa tempestade atingiu uma série de pequenas ilhas, como São Bartolomeu (Saint Barth) e São Martinho (Saint Martin), onde 60% das casas viraram escombros e cenas de saques foram registradas, antes de seguir para as Ilhas Virgens e Porto Rico.


"Casas foram esmagadas, o aeroporto está inoperante, postos de telefone e eletricidade estão no chão", contou à AFP Olivier Toussaint, morador de Saint Barth. "Carros de cabeça para baixo foram parar em cemitérios. Barcos estão submersos na marina, lojas foram destruídas".


Durante a noite, o Irma foi rebaixado de tempestade de categoria 5 - algo raro - para 4, ainda letal, e continua a trazer ventos extremamente perigosos de 240 km/h.


Meteorologistas alertam que a tempestade pode elevar em até oito metros os níveis normais do mar, enquanto o furacão avança para impactar diretamente o sul da Flórida, onde o êxodo em massa é dificultado por engarrafamentos e falta de combustível.


A normalmente fervilhante Miami Beach estava deserta e as vitrines das lojas estavam vedadas com tapumes, alguns com pichações como "Say no to Irma" (Diga não a Irma) ou "You don't scare us Irma" (Irma, você não nos assusta).


"Ninguém pode se preparar para uma maré de tempestade [elevação do mar associada ao fenômeno climático]. Ela pode destruir tudo", declarou David Wallack, de 67 anos, dono de um clube de salsa que fazia o seu melhor para garantir a segurança de sua propriedade na Ocean Drive, em Miami.


"Só podemos rezar pelo melhor. Você coloca o que pode em uma mala e espera", acrescentou.


Carros de polícia circulavam pelas vias costeiras de West Palm Beach, repetindo a mensagem: "Atenção, atenção, esta é uma zona de evacuação obrigatória. Por favor, saiam".


'Poderoso e mortal'


"Todo o sudeste dos Estados Unidos deve acordar e prestar atenção", alertou o diretor do serviço federal de emergências dos EUA, Brock Long. "Será realmente devastador", emendou.


Na vizinha Geórgia, o governador Nathan Deal determinou a evacuação da cidade de Savannah, com uma população de cerca de 150 mil pessoas, e de outras zonas costeiras.


De acordo com o último registro de sua trajetória do Centro Nacional de Furacões, com base em Miami, Irma deve atingir as ilhas Florida Keys na noite de sábado, antes de avançar pelo continente.


Às 11h00 locais desta sexta-feira (12h00 de Brasília), o furacão estava sobre a parte norte de Cuba e central das Bahamas e seguia na direção noroeste a 22 km/h.


Enquanto Irma avança em direção à Flórida, os meteorologistas monitoram de perto outros dois furacões: José - uma tempestade de categoria 4 que segue o caminho de Irma no Atlântico - e Katia, com categoria 2, que deve atingir o México nesta sexta-feira.


"A tempestade é poderosa e mortal", advertiu o governador da Flórida, Rick Scott, em alusão a Irma.


"Hoje é o dia de fazer a coisa certa para sua família e ir para o interior por segurança", acrescentou. "Não ignorem as ordens de evacuação. Todos os floridianos devem se preparar para a evacuação em breve".


"Lembre-se, nós podemos reconstruir sua casa, mas não podemos devolver sua vida", acrescentou.


No Caribe, ventos violentos arrancaram telhados e destruíram fachadas de prédios, derrubaram blocos de concreto, carros e inclusive contêineres.


Pelo menos quatro pessoas morreram em Porto Rico e mais da metade dos três milhões de residentes da ilha ficaram sem eletricidade depois que rios transbordaram no centro e no norte da ilha.


Outras quatro pessoas morreram nas Ilhas Virgens, e vários feridos graves foram levados por via aérea para Porto Rico.


'Devastação Total'


Uma pessoa morreu na minúscula Barbuda, onde 30% das propriedades foram demolidas e 300 pessoas foram evacuadas para Antigua.


A França informou que pelo menos nove pessoas morreram em seus territórios no Caribe, enquanto outras sete estão desaparecidas. Houve 112 feridos, dois com seriedade.


Seis em cada dez casas ficaram inabitáveis, e seguradoras em Paris estimam que seus custos totais seriam provavelmente "muito maiores" que 200 milhões de euros (US$ 240 milhões).


Na parte holandesa de São Martinho (St Martin), uma pessoa morreu, segundo fontes oficiais. O rei holandês Willem-Alexander irá à ilha de Curaçao, ao sul, no domingo para ser informado sobre a operação de ajuda e pode viajar para Saint Martin, informaram fontes oficiais.


Residentes das Ilhas Virgens britânicas mencionaram cenas de "devastação".


"As portas dos andares inferiores repentinamente explodiram, foi apavorante", contou à BBC Emily Killhoury em sua casa em Tortola.


"Por fim, saímos por volta das 19h00 para ver uma devastação total", acrescentou.


O ministro da Defesa britânico informou que está enviando dois aviões de transporte militares para a região levando pessoal, provisões e equipamento de resgate.


Os países europeus se mobilizaram rapidamente para ajudar seus cidadãos no Caribe. A França e a Holanda enviaram centenas de policiais de reforço a St Martin para combater uma onda de saques, em meio a escassez de comida, água e petróleo.


Em declarações ao jornal holandês Algemeen Dagblad, uma testemunha contou ter visto "pessoas com armas e facões" nas ruas.


A ministra de Territórios Ultramarinos franceses, Annick Girardin, disse que enviará 400 policiais após ter visto "pilhagem bem diante de nós" em St Martin, onde a maioria dos 80 mil habitantes perderam suas casas.


Na República Dominicana, chuvas torrenciais e ventos poderosos deixaram 17 distritos incomunicáveis. Cerca de 20 mil pessoas foram evacuadas e mais de cem casas, destruídas.


Em Cuba, cerca de 10 mil turistas estrangeiros foram evacuados de resorts de praia, e as autoridades elevaram o alerta de desastre ao seu nível máximo.

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