Jornal Estado de Minas

FOLIA EM BH

Carnaval 2023: ambulantes enfrentam fila para a retirada das credenciais


Os vendedores ambulantes cadastrados para trabalhar no Carnaval 2023 tem até este sábado (4/2) para retirar as credenciais que autorizam a atividade durante o evento. Nesta sexta-feira (3/2), penúltimo dia para pegar a autorização, uma grande fila de comerciantes foi registrada na porta da Secretaria Municipal de Educação, no Bairro Santo Antônio, na Região Centro-Sul de Belo Horizonte.





No local, os vendedores passam por um treinamento com foco nas regras para a atividade e orientações de segurança para trabalhar na festa. A palestra dura cerca de 13 minutos e o local tem capacidade para receber 225 pessoas por vez. Em seguida, eles recebem um kit com sombreiro, boné, credencial (crachá) e panfletos com orientações. Na porta, centenas de pessoas aguardavam para pegar o documento na manhã desta sexta-feira.

A previsão é de que 16,1 mil ambulantes retirem a credencial para vender bebidas, alimentos e adereços na festa de momo. O número é 10% maior do que o último carnaval, realizado antes da pandemia de COVID-19, em 2020. A expectativa, segundo levantamento da PBH, é que as vendas no carnaval superem a casa dos R$4.500.

Desempregada desde o início da pandemia, Elaine Consolação de Ávila, de 48 anos, viu no Carnaval uma oportunidade de conseguir uma renda para a família. “Foi muito divulgado que vai ser um dos melhores carnavais de BH, aí pensei em tentar. Quem sabe vira uma fonte de renda fixa”, conta a mulher que pretende vender bebidas e geladinho. “Vou ficar ali na região do Castelo, onde moro”, complementa.



Empolgada com o carnaval, Fabiana Cristina Reis, de 36 anos, está na expectativa de faturar bastante e ainda curtir a folia (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)


O jovem Weslei dos Santos, de 18 anos, também vai fazer sua estreia como ambulante no Carnaval 2023. "Vou vender bebida. Tô pensando em vender tudo no primeiro dia já", anseia. Para isso, ele pretende rodar pelos pontos mais movimentados do carnaval, especialmente pela região Central. Depois, o plano é curtir a folia. "Vou aproveitar também", disse animado.

Quem também pretende curtir a folia é a ambulante Fabiana Cristina Reis, de 36 anos. "A gente trabalha e também se diverte. Sou muito apaixonada pelo carnaval. Sempre trabalho nessa época. É um momento de muita diversão também”, disse entusiasmada com a retomada da festa, após dois anos de pandemia. celebra.  Ela está na expectativa para faturar bastante com a folia. “Quem souber trabalhar, vai ganhar muito”, avalia.

Completando quase cinco décadas de trabalho como ambulante, Haroldo Moreira Dias, de 67 anos, chegou cedo para pegar sua credencial. "Trabalho direto no carnaval, desde que me entendo por gente. A expectativa é sempre boa. Foram dois anos parados, agora é hora de recuperar o prejuízo", conta. 



Haroldo Moreira Dias, de 67 anos, trabalha há quase cinco décadas como ambulante e vê o Carnaval como um excelente período de vendas (foto: Jair Amaral/EM/D.A Press)


Regras para vendedores ambulantes


Os ambulantes estão proibidos de vender alimentos, bebidas em garrafas de vidro e em doses, além de álcool para menores de 18 anos. Enquanto estiverem trabalhando, devem usar a credencial em local visível e portar um documento de identificação com foto. O descumprimento destas e outras regras previstas no regulamento pode levar à perda do direito à comercialização. 

A credencial é pessoal e intransferível e dá ao ambulante o direito de comercializar bebidas e adereços de carnaval entre os dias 4 e 26 de fevereiro nos desfiles dos Blocos de Rua.

Segundo a Prefeitura de BH, para retirar é necessário apresentar um documento original com foto. O atendimento será realizado por ordem de chegada e as credenciais estarão separadas em ordem alfabética, considerando o nome social cadastrado.

Caso o cadastrado não consiga comparecer nas datas e locais indicados, poderá solicitar que outra pessoa busque a credencial. O representante deverá levar uma procuração original acompanhada do documento de identidade original com foto e cópia simples do documento de identidade do credenciado, acompanhada do original.



Mão no bolso


Os quatro dias de folia devem reunir mais de 5 milhões de pessoas nas ruas de BH. No último Carnaval, antes da pandemia, o público foi cerca de 4,5 milhões de foliões, arrastados por quase 350 blocos e 390 cortejos, de acordo com a Prefeitura de BH. Em 2023, a programação terá 493 blocos e 539 cortejos espalhados por todas as regionais da cidade.

A previsão da PBH é de que a folia deve movimentar R$ 623 milhões, sendo R$ 320 milhões só no setor de bebidas e alimentos. A Câmara dos Dirigentes Lojistas de Belo Horizonte (CDL-BH) estima uma injeção ainda mais robusta no comércio da capital: R$700 milhões.

A festa de momo também deve gerar mais de nove mil vagas de emprego, além da atuação de 5 mil ambulantes credenciados, conforme a prefeitura.

Com a "alegria reprimida" dos últimos anos, apesar da inflação, a previsão do sindicato dos bares, restaurantes e hotéis (SindihBares) é que cada folião gaste em média de R$ 800 a R$ 1 mil por dia. A estimativa leva em conta, além de bebida e comida, gastos com transporte por aplicativo e táxis, hospedagem.