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Estado de Minas DOAR PARA SALVAR VIDAS

Medo da COVID-19 inibe doações de sangue; queda é de 30%

Dia Mundial do Doador de Sangue é celebrado neste domingo, 14. Especialistas apelam a voluntários para que não parem de doar


postado em 13/06/2020 14:00 / atualizado em 13/06/2020 14:38

(foto: Gerd Altmann/Pixabay)
(foto: Gerd Altmann/Pixabay)


Para ser um herói na vida não precisa praticar feitos espetaculares de super-homem ou mulher-maravilha. Atitudes simples são atos, muitas vezes, definidores. Neste domingo, 14 de junho, celebra-se o Dia Mundial do Doador de Sangue, um gesto simples e de amor em que um voluntário pode salvar outras quatro vidas. Heroísmo genuíno, de solidariedade, de olhar para o outro mesmo diante dos desafios impostos pela pandemia do novo coronavírus. A data chama a atenção para a importância desse hábito, que está em baixa nos hemocentros de Minas Gerais. 
 
O medo da COVID-19 tem afastado os doadores. A queda foi de 30% nos hemocentros do Minas Gerais. O hematologista Gustavo Henrique Romani Magalhães, do Hospital das Clínicas da UFMG e do Cetus Oncologia (hospital dia especializado em tratamentos oncológicos com sede em Betim e unidades em Belo Horizonte e Contagem), enfatiza que as doações precisam ser periódicas: “A redução no número de doadores e de hemocomponentes nos bancos de sangue preocupa. É importante que as doações continuem para manter o tratamento de outras doenças em atividade, que não respeitam a pandemia. Além das cirurgias de urgências e também das eletivas, que também estão retornando”.

Hematologista Gustavo Henrique Romani Magalhães, diz que a doação é segura, mesmo na pandemia(foto: Luísa Couto/Divulgação )
Hematologista Gustavo Henrique Romani Magalhães, diz que a doação é segura, mesmo na pandemia (foto: Luísa Couto/Divulgação )


Gustavo Magalhães assegura que os voluntários não precisam ficar receosos de irem aos hemocentros: “Podem ir tranquilamente, mesmo na pandemia, porque há segurança. Basta marcar o horário. Existe todo um critério e protocolo de higiene, de separação dos doadores, que controlam bem o risco. É fundamental que as pessoas entendam e se conscientizem que, a despeito da atual situação, outras doenças continuam acontecendo”. Doenças oncológicas, leucemias, transplantes, anemias crônicas, pacientes que precisam passar por procedimentos que dependem de transfusões, além da urgência e emergência.

O hematologista destaca que há sempre uma triagem médica e caso o doador tenha qualquer sintoma de doença respiratória, ele será orientado a buscar um serviço de saúde ou ficar em isolamento social e retornar depois de 30 dias para fazer sua doação.

“Para doar, a pessoa precisa ter entre 16 e 69 anos, pesar mais de 50 quilos e estar bem de saúde. Já aquelas com febre, gripe ou resfriado, diarreia recente, grávidas e mulheres no pós-parto ficam proibidas temporariamente de fazer a ação. A doação deveria ser ensinada na infância para que, a partir dos 16 anos, todos se propusessem a doar. Mulheres podem doar com 90 dias de intervalo entre uma e outra doação e no máximo três vezes ao ano. Já os homens, com intervalo de 60 dias e no máximo quatro vezes ao ano”, explica Gustavo Magalhães.

Por isso, a Associação Brasileira de Hematologia, Hemoterapia e Terapia Celular (ABHH) chama a atenção para a divulgação da tradicional campanha “Junho Vermelho”, que procura conscientizar a população sobre a importância deste gesto nobre, que nunca foi tão fundamental. A escolha do mês de junho não é aleatória: o sexto mês do ano é considerada a época de maior escassez nos estoques, que registram uma diminuição no número de doadores no Brasil.

“Há ainda um aumento da incidência de infecções respiratórias, propiciado pela queda das temperaturas. Com isso as pessoas se recolhem e ficam menos propensas a sair de casa. O fato de estarmos em isolamento social também acaba sendo outro dificultador”, destaca o hematologista.

A quantidade do sangue a ser doado para homens é 9ml/Kg e em mulheres 8ml/Kg. “Cada pessoa, ao doar, pode salvar outras quatro vidas. Isso porque o sangue coletado pode se transformar em diversos hemocomponentes: concentrado de hemácias e unidades de plaquetas são alguns. O plasma também pode ser retirado na doação. Todos esses hemocomponentes podem ser direcionados para pessoas com problemas de saúde distintos”, explica Gustavo Magalhães.

João Paulo Guimarães, responsável técnico pela Agência Transfusional do Hospital da Baleia Fundação Benjamim Guimarães, também faz um apelo: “Com este período da pandemia, há uma redução significativa do volume de doadores no Hemominas e, consequentemente, redução nos estoques dos hospitais que a instituição serve. No momento, estamos conseguindo atender as principais demandas, como cirurgias oncológicas, pacientes de hemodiálise e casos graves. Mas solicitamos a todos que, aptos a doar, procurem o Hemominas. Precisamos melhorar estes estoques”.

PLASMA DE CONVALESCENTE DE COVID-19


(foto: sabin urcelay/Pixabay )
(foto: sabin urcelay/Pixabay )
 

Gustavo Magalhães alerta sobre a possibilidade de doção de plasma de convalescente da COVID-19, feito pelo Hemominas desde o fim de maio. A instituição recebeu autorização do Conselho Nacional de Ética em Pesquisa (Conep) para iniciar o projeto de estudo “Imunoterapia passiva como alternativa terapêutica de tratamento de pacientes com a forma grave da COVID-19”. Para participar do estudo, é preciso ser do sexo masculino; ter entre 18 e 60 anos; ter um resultado de PCR positivo para SARS-Cov-2 (novo coronavírus); não apresentar sintomas há, pelo menos, 14 dias; já ter sido liberado do isolamento obrigatório pelo médico; e estar apto segundo os demais critérios de doação regular de sangue.


CAMPANHA


Já para incentivar novas doações, o Ministério da Saúde acaba de lançar a campanha “Seja solidário. Doe Sangue. Doar é um ato de amor”.  E informa que as bolsas de sangue coletadas no Brasil caíram 2,5% nos últimos quatro anos, apesar das transfusões de sangue terem aumentado 4,8% no mesmo período. Portanto, a iniciativa é para convocar doadores regulares e novos durante a pandemia da COVID-19. Para receber os voluntários, os os hemocentros reforçaram as medidas de higiene e distanciamento social garantindo que a doação ocorra de forma segura.

Em 2019, foram coletadas no Sistema Único de Saúde (SUS) cerca de 3,2 milhões de bolsas de sangue contra aproximadamente 3,35 milhões de bolsas em 2016. As transfusões de sangue no país aumentaram de 2016 para 2019, passando de 2,8 milhões para 2,95 milhões de transfusões feitas.

O Brasil trabalha com margens de segurança para atender com prontidão a aumentos bruscos da demanda ou quedas inesperadas das doações, como em casos de pandemias como a vivida com a COVID-19. Porém, a redução desta distância entre uso e disponibilidade de sangue é um alerta para não correr o risco de falta.

Atualmente, 16 a cada mil habitantes são doadores de sangue, no Brasil. O percentual corresponde a 1,6% da população brasileira e está dentro dos parâmetros preconizados pela Organização Mundial da Saúde (OMS). Do total de doadores de sangue em 2018, 60% são do sexo masculino e 40%, feminino. Em relação à faixa etária, são 63% de doadores maiores que 29 anos.
 

AÇÃO COM FACEBOOK


Para tentar contornar a crise de abastecimento nos estoques de sangue, a partir desta semana, todos os Hemocentros Coordenadores do Brasil (aqueles que abastecem a rede pública de saúde), vão passar a contar com a ferramenta de doações de sangue do Facebook. 

Usando a ferramenta, os hemocentros conseguem notificar pessoas próximas que sejam cadastradas como doadoras de sangue no Facebook: hoje já são cerca de 10 milhões de doadores cadastrados no país. O objetivo desse trabalho conjunto é colaborar para a manutenção estável dos estoques de sangue nos bancos, que é um dos maiores desafios neste momento.
 
Para cadastrar-se como doador de sangue no Facebook, basta acessar o endereço https://www.facebook.com/donateblood.

Usando seu dispositivo móvel também é possível acessar o menu do Facebook e então clicar em “Doações de Sangue”.

Já para entrar em contato com o Hemominas, ter mais informações e tirar todas as dúvidas, basta ligar para 155 opção 1. Ou acessar o site da instituição:  http://www.hemominas.mg.gov.br/ .


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