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Estado de Minas CICLOVIA ESTREITA E PERIGOSA

Pista na orla da Lagoa da Pampulha é criticada por ciclistas antes de ser inaugurada

Eles reclamam de espaço apertado e de riscos de acidentes, mas BHTrans descarta mudanças


postado em 29/08/2013 06:00 / atualizado em 29/08/2013 06:40

Para esportistas, largura da pista é muito curta para mão e contramão (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Para esportistas, largura da pista é muito curta para mão e contramão (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Antes mesmo de ser inaugurada, a ciclovia no entorno da Lagoa da Pampulha já está provocando críticas dos adeptos do pedal por esporte ou lazer. As pistas demarcadas em uma parte do asfalto antes destinada aos carros, uma ao lado da outra com fluxo em mão e contramão, motivaram inúmeras reações. O principal argumento dos ciclistas é que o espaço ficou muito estreito, aumentando o risco de acidentes. A questão foi tema de audiência pública na Assembleia Legislativa de Minas Gerais na terça-feira, mas a BHTrans descarta transformar a área restrita para as bikes em mão única.

Bastou a reportagem do Estado de Minas parar na esquina das avenidas Otacílio Negrão de Lima e Antônio Carlos, no Bairro São Luiz, para os ciclistas se juntarem para reclamações. O pintor Danilo Sousa Maia, de 39 anos, não gostou da novidade. “Esta pista está superperigosa. As motos entram como se fossem bicicletas e faltam desenhos de setas indicando as direções corretas. Muitas pessoas ainda andam na mão errada”, afirmou. O comerciante Luiz Fabiano Ferreira da Silva, de 42, achou péssima a internvenção: “Não cabem dois ciclistas em direções diferentes”.

Segundo o publicitário Ricardo Campos, de 47, bastava a prefeitura sinalizar a margem das pistas com bikes pintadas no chão, sem necessidade de apertar os ciclistas num único espaço mão e contramão: “Na Argentina, que é um país de terceiro mundo, é assim e funciona muito bem”.

Perigo

"As pistas são estreitas, o risco de acidente é muito grande e ficam ainda maiores com a colocação dos prismas de concreto" - Rogério Pacheco, coordenador do grupo Giro 30 (foto: Paulo Filgueiras/EM/D.A Press)
Coordenador do grupo de ciclistas Giro 30, que tem mais de 100 adeptos das pedaladas noturnas pela lagoa, Rogério Pacheco acredita que a solução implantada pela BHTrans aumentou o risco de acidentes. Ele lista três problemas no local. “As pistas são estreitas, o risco de acidente é muito grande e ficam ainda maiores com a colocação dos prismas de concreto. Em quatro pontos da lagoa, os ciclistas são direcionados para a calçada, aumentando o risco para os pedestres. Além disso, os direcionamentos são feitos com taxas refletivas, muito perigosas para nós”, diz ele.

Pacheco adianta que o mais correto seria fazer a pista em um único sentido, aumentando o espaço e possibilitando ultrapassagens entre os grupos, sem segregação física: “Já aos domingos e feriados, cones poderiam ser colocados sobre a faixa contínua aumentando o espaço para as bikes”.

Apesar das reclamações, a comerciante Aline Mello de Alcântara, de 28, do Bairro Santa Branca, é a favor das distâncias curtas. “Para quem andava disputando espaço com os pedestres, acho que ficou melhor. Temos que pensar que não é todo mundo que dá conta de dar uma volta na lagoa. Se fosse mão única na ciclovia todos seriam obrigados a dar a volta completa”, afirma.

Campanha

A assessora da Presidência da BHTrans Eveline Trevisan lembra que a ciclovia não está pronta e garante que está descartada a possibilidade de transformar o novo espaço em mão única, pois criaria uma situação inviável para boa parcela da população que não tem experiência em percorrer grandes distâncias e para os que usam outros meios de transporte complementar. Ela explicou que as pistas não foram feitas uma de cada lado da via devido ao espaço maior, que seria usado para os segregadores, sacrificando a área de circulação. “Do jeito que está hoje temos 1,80m exclusivo para a circulação, sendo 90cm em cada sentido”, diz ela.

Segundo ela, a ciclovia da Pampulha deve vir acompanhada de uma campanha que ajude a informar a população que é preciso ter atenção e que as regras vão mudar. Disse que, antes da instalação dos prismas de concreto, será feita uma vistoria na pista com a participação dos ciclistas.

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