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Estado de Minas

Depois do AI-5, UFMG teve 15 professores expulsos das salas de aula

Universidade foi a quarta no país em número de profissionais retirados do trabalho por determinação dos militares


postado em 16/03/2014 00:00 / atualizado em 25/03/2014 15:06

"Os militares identificavam o movimento estudantil como o principal adversário do regime" - Rodrigo Patto Sá Motta, professor do curso de história da UFMG e autor do livro As universidades e o regime militar (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A.Press)

A Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG) teve 15 professores aposentados compulsoriamente pela ditadura militar depois do Ato Institucional nº 5 (AI-5), que entrou em vigor em 13 de dezembro de 1968, fechando o Congresso Nacional, assembleias legislativas, câmaras municipais e aumentando a repressão das forças militares contra aqueles que se opunham ao regime. A escola foi a quarta no país em número de profissionais retirados do trabalho por determinação dos militares, atrás da Universidade Federal do Rio de Janeiro (UFRJ), com 23; da Universidade de São Paulo (USP), com 22; e da Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), com 18. Ao todo, as escolas de ensino superior do país perderam 115 professores. As justificativas dos militares para as aposentadorias eram de que se tratava de “comunistas”, “omissos” e “gente de esquerda” que não havia contribuído com o governo.

O levantamento consta em pesquisa feita pelo professor do Departamento de História da UFMG Rodrigo Patto Sá Motta, autor do livro As universidades e o regime militar, lançado este mês. Doutor em história do Brasil pela USP, o professor afirma que, além de mandar para casa mais de uma centena de professores universitários, os militares identificavam o movimento estudantil no período pós-golpe, sobretudo em 1967 e 1968, como o principal adversário do regime. “Ao mesmo tempo, tinham que investir nas faculdades, já que era de lá que sairiam os profissionais para fomentar o milagre econômico que prometiam para o país”, lembra.

Para tentar reduzir a intensidade do movimento estudantil, os militares chegaram a desistir de um dos principais planos que tinham para as universidades depois do golpe de 64: o de cobrar mensalidade nas faculdades. “Também aumentaram as verbas de laboratório e para pesquisas”, relata o professor. A tentativa de seduzir os estudantes, no entanto, não surtiu efeito. Na Faculdade de Filosofia e Ciências Humanas (Fafich), quatro meses antes do AI-5 estavam armazenadas no diretório acadêmico da escola duas mil latas de spray para pichação de muros, conta o ex-aluno Waldo Silva. O material era usado para espalhar a frase “abaixo a ditadura” pela cidade.

Outra tentativa de diminuir a resistência dos estudantes contra os militares foi um acordo fechado no início da década de 1970 pelo Brasil e os Estados Unidos. O país se comprometeu a repassar US$ 200 milhões à época às escolas nacionais para investimentos em pesquisa e bolsas para alunos interessados em estudar em escolas estadunidenses. A expectativa era de que o contato com a sociedade do país aliado pudesse ajudar a aliviar a pressão do movimento estudantil contra a ditadura no Brasil. No país do Norte, o momento era de expansão do que já era à época a maior nação capitalista do mundo.

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