Embarcamos em um navio cheio de digital influencers e contamos tudo aqui

O Estado de Minas acompanhou um minicruzeiro na costa brasileira em que, dos 2 mil passageiros a bordo, 50 pertenciam à disputada casta dos digital influencers


Montagem de Fred Bottrel com imagens de divulgação
Santos, Búzios e Ilha Grande* - Ao atravessar o deque da piscina, o rapaz franzino, sem qualquer atributo que o destaque da multidão, não tem paz diante das investidas eufóricas da turma de cinco adolescentes cheias de gritinhos, pulinhos e mãozinhas abanando. Os pais das meninas, um tanto atordoados, obedecem às ordens de clicar sem parar. “Faz agora um vídeo, mãe”, determina uma delas. Em seguida, ela mesma toma o smartphone e dispara, para seus parcos 340 seguidores: “Oi, pessoal, tô aqui no navio com o meu ídolo e tá muito legal!”. Alguns dos mais velhos em volta se entreolham e um funcionário do navio pergunta ao outro: “Esse cara é famoso?”. A resposta da fã atravessa o papo, impaciente e ofendida: “Ele tem 11 milhões de seguidores no Instagram!”

O Estado de Minas acompanhou um minicruzeiro na costa brasileira em que, dos 2 mil passageiros a bordo, 50 pertenciam à disputada casta dos digital influencers – ou, como alguns deles adjetivariam: os top influencers. A reportagem estava no navio a convite de uma empresa taiuanesa de celulares, que lançava na ocasião um novo smartphone.

 Além dos jornalistas convidados, o grupo de influenciadores teve a oportunidade de testar o aparelho – e postar fotos, stories e vídeos para promover o produto com hashtags que superaram 1,5 mil menções em apenas três dias. “Eu tinha verba limitada, então tive de escolher: ou pagava tudo para uma propaganda com o Luciano Huck, ou colocava esse tanto de gente no navio”, detalha Marcel Campos, o gerente de marketing da Asus.

Na capital paulista, já a antessala do embarque do ônibus que levaria a turma para o Porto de Santos respirava o clima dos estereótipos de colegial: como óleo e água, cada um no seu canto, era fácil identificar a galerinha das blogueiras de moda, dos nerds, dos fortões, dos gays, dos humoristas – e dos jornalistas olhando pra isso tudo. “Miga, qual seu signo”, pergunta um jovem com o celular em punho. Mão na cintura, ela pisca um olho e fica na pontinha dos pés: “Leão”. “E lua em quê?” “Sei lá, entendo nada de signo”. Eles riem. Nenhum diálogo ultrapassa 16 segundos, coincidentemente o tempo máximo dos vídeos na plataforma favorita desse pessoal: o Instagram.

Os celulares se cruzavam no centro da rodinha de meninos e meninas de vinte e poucos anos – mas todos com aparência e volume sonoro adolescente. Braços esticados, cabelos estilosos, camisas com estampa xadrez amarrada na cintura, cada um conta a mesma história para seus seguidores – alguns em vídeo ao vivo: “Oi, pessoal, tô aqui na espera para entrar no navio e tá muito legal”. “Pessoal, muito legal essa cabine do navio, olha que legal”. “Pessoal, tamo agora pegando esse ônibus pra sair do navio. É tipo um ônibus, só que na água, né?” Sim, àquele influenciador digital escapou a palavra… barco.

No interior do navio, deitada languidamente na escada cravejada de cristais artificiais de ofuscar os olhos, a blogueira de moda é certeira na legenda da foto: “Queria uma escada assim na minha casa”. Nos comentários, os fãs não economizam: “Linda, fina, espontânea, te amo!”.

A pose foi publicada depois de aproximadamente 45 tentativas. Muitos deles carregam celulares e câmeras e transmitem detalhes banais de seus cotidianos em espécie de autorreality show. É como se os equipamentos fossem extensões dos próprios dedos. Limitados a personagens submetidos à frequente aprovação, insistentemente gritam em busca de atenção. “P***, que mulher f***, você é demais, você é muito linda! Você é casada?”, vocifera um deles diante de uma moça mais tímida, que fica muda. Alguém intervém: “Não interessa isso, cara. Ela pode até não ser casada, mas isso não significa que ela está disponível”. Um minuto depois, em outro tom, outra voz (quase outra pessoa), ele encosta a mão no ombro dela e, baixinho, pede desculpas.

Embora em muitos casos haja futilidade demais e conteúdo de menos, o fenômeno representado por influenciadores digitais merece atenção pela efetividade da comunicação, ágil, bem-humorada e abrangente – e inspira personalidades que tiram proveito desse capital social, formado por redes de seguidores, para finalidades mais nobres. Nas próximas linhas, você vai conhecer algumas dessas histórias.

 * O jornalista viajou a convite da Asus

O poder da influência
Quem são eles?

2% dos usuários geram 54% das 7,2 bilhões de interações on-line. Esses são os 230 mil influenciadores no mundo 60% deles são homens e 40% são mulheres

Fonte: Youpix, Airstrip/Airfluencers e GFK

Influenciar e resistir
Por Mariana Adorno - Do Correio Braziliense
Jovens conquistam admiradores e seguidores por conta de dicas e relatos pessoais nas redes sociais. Do começo despretensioso, sucesso inesperado leva a transformar hobby em carreira


Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

A internet se popularizou nos anos 1990, e, desde então, os meios de comunicação não param de revolucionar. Recentemente, devido às proporções que o meio on-line tomou, observa-se, inclusive, uma grande mudança em algumas carreiras. Fomos apresentados às blogueiras, aos youtubers. Agora, surgem os influenciadores digitais ou digital influencers. Eles são as pessoas que você segue e que são capazes de fazer você querer consumir um produto ou serviço. Bastam algumas fotos e vídeos.

A influência sempre existiu. “Todos nós somos influenciados, seja pela mídia, seja por nosso círculo de amizades. O termo ‘influenciador digital’ tem grande relevância pela rapidez do processo de influenciar”, explica o professor Renato Rosa, da pós-graduação em marketing digital do UniCeub.

Engana-se quem acha que para ser um influenciador digital basta escrever grandes textos na internet ou ligar a câmera. “É preciso levar a sério e ter uma meta. O vídeo precisa ser pensado, ter qualidade de imagem. Quanto mais você melhorar o seu conteúdo, melhor influenciador você será”, argumenta Lucca Najar, de 26 anos, estudante de cinema e produtor de conteúdo, que, entre a faculdade e o trabalho, atualiza seu canal no YouTube semanalmente, aos domingos. “Você deve fazer (os vídeos) com compromisso, porque as pessoas estão esperando que você faça”, ressalta.

Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press

Com apenas seis meses de canal, Lucca tem mais de 30 mil inscritos. Para ele, o número é muito positivo, considerando o nicho que seus vídeos atingem. Voltado para as pessoas LGBT, o conteúdo é ainda mais direcionado à população transgênero e transexual. Os vídeos partem das próprias vivências, como quando contou para a família que ele era um homem trans (pessoa que, por critérios biológicos, foi designada mulher ao nascer, mas se identifica como sendo do gênero masculino), até dicas para pessoas que convivem com pessoas trans, como quando gravou um vídeo com sua namorada, a estudante de direito Bruna Pimenta, sobre a relação amorosa antes e depois da transição. O objetivo primordial de Lucca é a visibilidade. “Há três ou quatro anos, a população trans era invisível. De lá pra cá essas pessoas apareceram. Minha ideia é auxiliar a galera em questões como conseguir um médico que atenda pessoas trans e as respeite, por exemplo. É dar alívio para mostrar que não é tudo ruim.”

A vontade em fazer com que pessoas trans não se sintam desacompanhadas é tanta que Lucca criou um quadro em seu canal exclusivamente para ensinar os espectadores a fazer itens que considera essenciais. Um deles foi filmar a produção do próprio binder, peça de roupa usada para minimizar a aparência dos seios.

Se Lucca se considera um influenciador digital? Sim, já que as pessoas o procuram para conversar ou pedir o contato dos profissionais com quem ele lida, por exemplo. E como tudo, existe o lado ruim de ser uma pessoa muito acessada virtualmente. “Nem sempre consigo responder a todo mundo”, lamenta.

COMPARTILHAMENTO

“Em terra de chapinha, quem tem cachos é rainha.” A autoria da frase é desconhecida, mas a ideia circula livre, leve e solta pela internet, uma ferramenta útil para compartilhar conhecimento, inclusive ao se tratar de dicas de beleza. E ao falar de cabelos encaracolados, ninguém melhor para propagar informação relevante do que as próprias donas dos cachos. É o caso de Luana Martins, de 21 anos. Em seu canal no YouTube, ela fala de viagens, relacionamentos, desafios e maquiagem, mas o foco é o cabelo cacheado e o resultado dos produtos feitos para ele. “Já recebi comentários de como 'mudei meu cabelo depois que vi seus vídeos'. Isso é uma maneira de influenciar”, comemora Luana quando perguntada se se considera uma influenciadora digital. E ela pretende fazer disso uma carreira. “Muitas pessoas vivem disso hoje em dia e é o que eu pretendo”, vislumbra a estudante.

Por sua vez, Janaína Rocha, de 24, cresceu ouvindo que era uma pessoa fotogênica e que deveria investir na carreira de modelo. Aos 17, ela procurou uma agência, mas se decepcionou com o tipo de tratamento que lhe foi dado na ocasião e desistiu de seguir em frente. Foi quando se dedicou aos estudos e se formou bacharel de direito.

Ela ainda fez alguns trabalhos de fotografia, mas sem a ambição de se profissionalizar. Até que um dia, depois de fazer um ensaio com um fotógrafo para uma revista on-line de Paris, ele pediu autorização para publicar as fotos. A partir disso, Janaína recebeu várias propostas do exterior. “Na época, tinha 2 mil seguidores no Instagram e não levava isso tão a sério. Achava que eu simplesmente era fotogênica”, afirma.

Há um ano e meio, ela se viu dividida: teve que conciliar o estágio em um escritório de advocacia em Brasília com alguns trabalhos de modelo, que muitas vezes pagam baixos cachês ou apenas fazem permutas. “Acredito que Deus tenha planos para cada um e, nesse momento, rezei e pedi para que Ele me indicasse o caminho certo a seguir”, conta. Rapidamente, ela percebeu um retorno crescente como modelo e, em junho do ano passado, largou o direito para se dedicar integralmente à nova carreira.

Hoje, a modelo tem 12,4 mil pessoas que acompanham o perfil dela no Instagram. Com o crescimento rápido nas redes sociais, Janaína passou a receber mais convites profissionais para trabalhar com grifes que sempre admirou. Inclusive, foi capa de uma revista de noivas no ano passado. “Fiquei muito chocada com o crescimento do meu perfil on-line e ainda me surpreendo. As pessoas realmente me acompanham e interagem por meio dos comentários e de mensagens”, ressalta.

A influência que Janaína Rocha tem sobre seus seguidores é perceptível e as marcas que se aliam à imagem dela têm retornos positivos. A modelo tem parcerias com grifes de moda, saúde, beleza e estética da cidade. “Eles comentam que determinada roupa que eu usei vendeu rapidamente e, quando posto algum tratamento estético, recebo muitas mensagens pedindo telefone e endereço”, orgulha-se.

ROTINA COMPARTILHADA

A servidora pública Mariana Nóbrega, de 32, frequenta academia desde os 15 e sempre foi do tipo que gosta de praticar esportes. Com o passar do tempo, as pessoas com quem ela se encontrava começaram a perguntar o que ela fazia, o que comia e chegavam, inclusive, a pedir para malhar na companhia dela. Então, passou a compartilhar sua rotina com os amigos mais próximos, que tinham interesse no seu estilo de vida saudável. Até que, em janeiro do ano passado, os mesmos amigos sugeriram que ela postasse algumas dicas no Instagram para que mais pessoas se beneficiassem dos conselhos dela. “Resolvi tentar, mas levando isso como uma brincadeira. De repente, ganhou uma proporção muito maior”, conta. Os amigos estavam certos quando fizeram a sugestão: o interesse pelo dia a dia dessa influenciadora digital é perceptível. Hoje, ela já tem 32,5 mil seguidores no Instagram.

Mariana acredita que o grande diferencial do perfil é o fato de ela ser uma pessoa que se esforça para conciliar a academia com a rotina de trabalho, como tantas outras pessoas. “Tenho uma hora por dia para malhar, também trabalho, faço supermercado, cuido da casa, tenho família, namorado e animal de estimação. Mostro que é possível conciliar tudo, basta querer.”.

Aos poucos, a responsabilidade de manter os seguidores motivados se tornou um incentivo pessoal. Mesmo com uma carreira digital recente, a musa fitness tem consciência do peso das informações que passa e toma muito cuidado antes de postá-las. “Sou apenas uma servidora pública que gosta de treinar e comer bem. Não sou nutricionista ou profissional de educação física. Apenas posto a minha rotina nas redes sociais.”

A exposição e a popularidade on-line nunca foram sua ambição. Mariana é formada em direito, trabalha há nove anos como servidora e confessa ser apaixonada pelo trabalho. Largar a carreira pela qual ela se dedicou tanto definitivamente não é uma opção.

Ser reconhecida na rua é algo que Mariana nunca imaginou, mas a situação já se repetiu algumas vezes. “A primeira vez, estava em uma festa quando uma menina passou e me olhou. Pouco tempo depois, veio falar comigo, disse que era minha fã e que não acreditava que tinha me encontrado. Conversamos por 40 minutos, trocamos telefone e até combinamos de treinar juntas”, relembra. Mariana atribui o sucesso na internet a um fator: ela é verdadeira. “Não adianta tentar ser alguém, o segredo é ser você mesma e mostrar a sua personalidade.” (Colaborou Jéssica Almeida)

Os degraus do reconhecimento
Pessoas que criam perfis nas redes sociais para tratar dos mais variados assuntos ganham milhares de seguidores e nova motivação para investir cada vez mais nos próprios canais


Reprodução/Facebook

A escrita sempre foi a maneira encontrada por João Doederlein, de 20 anos, para se expressar. Em datas comemorativas, como Natal, ano-novo e Dia das Crianças, ele se dedicava a fazer posts temáticos para seu perfil pessoal do Facebook. Os amigos aguardavam ansiosamente pelos textos comemorativos assinados por ele. Atualmente, um número maior de pessoas acompanham suas produções. Quase um milhão delas seguem os perfis no Facebook e no Instagram do estudante de publicidade da Universidade de Brasília, para ler os novos textos do jovem poeta.

A carreira dele começou de maneira despretensiosa, há seis anos. João era apenas um menino que tinha prazer em escrever e, certa vez, postou um texto na internet “para ver no que ia dar”. Como resultado, ele ganhou algumas curtidas e uns poucos comentários, mas isso foi motivação suficiente para ele criar um blog na plataforma Tumblr, quando tinha 13. Aos poucos, começou a conquistar seguidores e receber feedbacks positivos. “Gostei de saber que as pessoas liam o que eu escrevia, e que a minha mensagem estava chegando a algum lugar”, destaca. No Tumblr, João contabilizou 2 mil seguidores e, na época, isso foi algo que o impressionou.

Aos 16 anos, ele decidiu se arriscar em outra plataforma e criou a primeira página no Facebook. Com a página “Contos mal contados”, ele conseguiu uma liberdade maior para escrever textos mais compridos e foi nesse espaço que o hobby começou a ganhar novas proporções. Nos três primeiros anos, ele ganhou 10 mil seguidores, mas ele fechou 2016 com 600 mil. Um crescimento que João classifica como gigantesco. Esse resultado é um reflexo da dedicação dele. “Sempre me empenhei com muito afinco nesse trabalho. Buscava novos formatos e mais qualidade nos textos. Observava o crescimento dos youtubers e sabia que isso que eu estava fazendo era algo sério”, argumenta.

Diante desse boom, alguns amigos sugeriram que ele estendesse suas postagens poéticas para o Instagram. O perfil @akapoeta era o espaço pessoal em que ele compartilhava fotos com amigos e familiares e não lhe parecia apropriado para publicar pensamento. Foi quando criou o primeiro texto de ressignificado, no qual escolhe uma palavra e discorre sobre ela, muitas vezes atribuindo novas características e expressando seus sentimentos naquele momento.

No Facebook, o resultado foi positivo e ele desconfiou que também poderia funcionar no Instagram. “Interesse” foi a palavra escolhida para o novo formato e não decepcionou. “Naturalmente, esse formato de texto começou a ter mais curtidas do que as outras fotos e comecei a postar só isso. Fui profissionalizando meu perfil, apaguei muitas fotos que não tinham nada a ver com a nova proposta e me comprometi com a frequência de publicação. Pelo menos uma vez por dia, coloco um novo texto”, conclui.

João esclarece que o processo de criação foi muito natural. Ele testava modelos e tomava as decisões de maneira instintiva. “Estava em busca de algo único, meu. Independentemente de saber se funcionaria ou não. Acredito até que existem formatos mais virais, mas foi com esse que me identifiquei. A forma do meu primeiro post, em março do ano passado, é a mesma até hoje”, comemora o poeta. No período de um ano, desde a primeira publicação, ele passou de 1.500 para 340 mil seguidores no Instagram – dos quais 87% são mulheres – e já redefiniu mais de 300 palavras.

Com o sucesso na internet, João já conquistou várias realizações profissionais. Ele já recebeu propostas de trabalho em vários segmentos, como marcas de café, joias e colégios, e, em breve, vai realizar um grande sonho: publicar seu primeiro livro. Nos planos dele estão uma coletânea de novas palavras, mas também outros gêneros literários. “Observando a trajetória de alguns youtubers, vi que a internet poderia ser um caminho. Não sabia aonde ele ia chegar, não via como algo garantido, mas nem por isso deixaria de tentar”, conclui.

Empreendedorismo on-line

Breno Fortes/CB/D.A Press

Para o maquiador Lázaro Resende, de 24 anos, natural de Luis Eduardo Magalhães (BA), o sucesso on-line não chegou por acaso. Ele sempre acreditou no potencial das novas plataformas para disseminar seu trabalho e conquistar novas oportunidades. O empreendedorismo deu certo e, de recepcionista em um salão na cidade natal, Lázaro virou um maquiador premiado e conhecido internacionalmente.

O profissional da beleza define que sua trajetória começou na raça. Há seis anos, o salão onde ele trabalhava, na Bahia, precisou de um maquiador e Lázaro se ofereceu. “Não tinha prática nenhuma. Movido pela necessidade, descobri um dom.” A partir desse momento, ele começou a trabalhar como maquiador, buscou um curso profissionalizante e, há dois anos, foi convidado para trabalhar em um salão da capital.

As redes sociais sempre foram vistas pelo empreendedor como uma ferramenta de trabalho tão importante quanto os pincéis e os produtos de beleza. Lázaro começou publicando seu portfólio no Facebook e dois anos atrás migrou para o Instagram. “Precisava captar cliente e não tinha recursos para divulgar meu trabalho. Mas tinha à minha disposição uma ferramenta gratuita, que é o Instagram.” Na rede social de compartilhamento de fotos ele pôde usar as hashtags para se destacar e aumentar a clientela.

Visionário, Lázaro Resende aposta no crescimento do mercado digital e define metas para se manter motivado. Atualmente, ele traçou como objetivo atingir 100 mil seguidores até o fim deste ano. Segundo o profissional, em tempos de internet e interação on-line a rede social é o primeiro contato que ele estabelece com a cliente, apresentando o trabalho que executa e o tratamento que oferece àquelas que o procuram.

O maquiador ministra cursos presenciais e se prepara para lançar cursos virtuais. Em outubro, vai para Miami realizar um workshop; em maio, vai disponibilizar um site e uma linha com 12 produtos de maquiagem assinados por ele. O retorno pela influência que conquistou não é apenas financeiro. “Tenho parcerias com marca de pincéis, empresas que oferecem brindes para minhas clientes e profissionais com os quais faço permuta, como dentista, endocrinologista e coach”, finaliza. Desde que começou a usar o Instagram de maneira profissional, a renda de Lázaro Resende aumentou em 300%.

PORTAS ABERTAS


Manoela Denardin, de 23, nasceu no Rio Grande do Sul, mas, ainda criança, foi com a família morar em Brasília. O sonho dela sempre foi ser atriz e se mudar para o Rio de Janeiro. Então, juntou dinheiro vendendo brownies e cookies na escola e conseguiu, aos 18 anos, se mudar. “Nunca imaginei todas as outras portas que se abririam a partir desse momento e com todos os rumos que isso tomaria”, confessa. Quatro meses depois da mudança, ela conheceu Matheus.

Matheus Kelmer, de 26, nasceu no Rio de Janeiro, mas se considera mineiro por ter morado em Juiz de Fora (MG) até os 17. Até que o pai foi aprovado em um concurso em Cabo Frio, litoral do Rio, e o jovem pôde realizar o sonho de morar na praia. Matheus conta que sempre foi apaixonado pelo mar, pelo surfe, por filmar e editar vídeos. Para tentar realizar o desejo de estudar cinema, mudou-se para o Rio e, cinco meses depois, conheceu Manoela. “Nem sei direito dizer se é destino, sorte ou coincidência, mas acho muito louco. Parece que, desde lá de trás, tudo foi acontecendo para que nossos caminhos se cruzassem.”

Os dois sempre foram apaixonados por viagens e isso sempre foi parte importante do relacionamento deles. O primeiro destino que conheceram juntos foi Pipa, no Rio Grande do Norte. Foi o mesmo lugar onde, alguns anos depois, moraram por sete meses e o que consideram um marco para a história deles. “Depois de voltar de cada viagem, a gente sempre se sentava juntos e ficava editando os vídeos e as fotos dos melhores momentos, mas não publicávamos em lugar nenhum. Eram lembranças para nós dois”, conta Matheus. “Até que um dia, em 2014, decidimos criar uma página para deixar registradas todas nossas experiências em cada lugar, além de dar dicas e sugestões para quem estivesse planejando ir para o mesmo destino.” Hoje, o perfil tem 106 mil seguidores.

Logo no início, renomados canais de televisão por assinatura, revista e contas oficiais da câmera GoPro começaram a compartilhar as fotos do casal. Isso contribuiu para o crescimento do perfil e deixou Manoela e Matheus com mais vontade ainda de se profissionalizar. “Com o cachê do primeiro trabalho, vendemos todas as câmeras, juntamos com a remuneração e compramos equipamentos profissionais”, conta Manoela.

Apesar do grande número de pessoas que acompanham o perfil deles nas redes, eles afirmam que não conseguem mensurar a dimensão do que isso representa. “Não nos consideramos famosos, mas, às vezes, rolam uns episódios que nos surpreendem. Muita gente nos encontra na rua para trocar uma ideia, fala que curte o que a gente faz, pede para tirar uma foto. É muito louco! Alguns ficam nervosos, tremendo, e até se emocionam”, orgulha-se Matheus.

COMENTÁRIOS