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Estado de Minas

Tenor Jean William faz show de graça em BH e recebe Fafá de Belém

Repertório terá canções populares, além de composições de Schubert e Villa-Lobos. Neto de boia-fria, cantor lírico quer levar música clássica para o povo


postado em 13/03/2020 04:00

Fernanda Gomes*
(foto: Fernando Mucci/divulgação)
(foto: Fernando Mucci/divulgação)

"Música é uma questão de acolhimento, abraço, lembrança e saudade"

Fafá de Belém, cantora


"As pessoas têm certo receio, porque acreditam que a música clássica está relacionada a palácios imponentes. A gente quer mostrar que não é assim”, afirma o tenor Jean William. Para provar isso, ele faz show com entrada franca em BH, no sábado (14).
Grandes temas por Jean William conta com a participação especial de Fafá de Belém. “A música erudita é a base de qualquer música. Ela prepara o ouvido. Muito agradável, é para todos”, comenta Fafá. “Na primeira vez que vi o Jean, percebi um potencial tão grande que parecia ter uma caixinha (de música) ali dentro dele”, brinca.

“A gente é só um instrumento de transformação. Como um artista brasileiro que vive de sua arte, quero levar para o público aquilo em que acredito”, diz Jean. Visão compartilhada por Fafá: “Música é uma questão de acolhimento, abraço, lembrança e saudade.”

Será o primeiro show solo do tenor em BH. O repertório tem canções populares e peças clássicas. Entre os destaques estão Serenata, de Franz Schubert, e Trenzinho caipira, de Heitor Villa-Lobos, que os dois cantarão juntos. “Minas nunca falhou comigo e nunca falhei com Minas”, garante Fafá.

O propósito de Jean é oferecer novas opções ao público, principalmente a quem não está habituado a frequentar salas de concerto. “O artista tem o compromisso de emocionar. Quero que as pessoas saiam de lá um pouco transformadas”, afirma.

BOIA-FRIA 
O tenor foi criado pelos avós maternos em Barrinha (SP), cidade perto de Ribeirão Preto. O avô, Joaquim, boia-fria aposentado, tocava violão e acordeom. “Minha carreira é a continuação da paixão do meu avô, algo que infelizmente ele não pode viver”, revela o artista.

Durante a adolescência, Jean William teve banda de rock. Graças a ela, recebeu bolsa numa escola musical. “A professora me falou que não entendia nada de rock, só de música clássica. Para não perder a bolsa, disse a ela que sabia imitar o Pavarotti. Ela me olhou e avisou: 'Ninguém imita o Pavarotti'. Mas eu imitava”, diverte-se o tenor. “A grandeza de não saber a complexidade das coisas às vezes facilita a vida”, comenta.

Quando percebeu que cantar daquela forma não era algo comum, Jean William compreendeu que teria de se esforçar muito para se destacar. “Eu me senti desafiado”, revela. Seis meses depois da conversa com a professora, ele estreou na abertura de um simpósio.  E não parou mais. Em 2013, na Jornada Mundial da Juventu de, no Rio de Janeiro, cantou para um milhão de pessoas – entre elas estava o papa Francisco.

Formado em música pela Universidade de São Paulo (USP), Jean estudou canto lírico em Milão, teve o maestro João Carlos Martins como orientador e já se apresentou nos EUA, Europa e Emirados Árabes. Um de seus orgulhos é o teatro de Barrinha ter o seu nome. “Fiquei um pouco anestesiado com isso. Estou muito honrado e feliz, mas ainda há um longo caminho a percorrer.”

* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria

GRANDES TEMAS POR JEAN WILLIAM 
Convidada especial: Fafá de Belém. Música popular e peças do repertório clássico. Sábado (14), às 21h. Centro Cultural Minas Tênis Clube. Rua da Bahia, 2.244, Lourdes, (31) 3516-1360. Entrada franca. 


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