Publicidade

Estado de Minas

Diferença de idade gera conflitos no ambiente de trabalho

Desentendimentos, em vez de serem entendidos como fator enriquecedor para a instituição, são vistos como um incômodo e um fardo diário


postado em 17/03/2017 00:12 / atualizado em 17/03/2017 14:05

No cenário atual, pessoas de mais idade estão frequentemente convivendo com pessoas de menos idade devido ao aumento da expectativa de vida do brasileiro. Esse fato acarreta fortes desentendimentos no ambiente de trabalho causados pelas diferenças marcadas pela geração de cada um. As disparidades, em vez de ser entendidas como um fator enriquecedor para a instituição, são entendidas como um incômodo e um fardo diário.

Num polo estão os mais jovens. A juventude é marcada pela irreverência, ousadia, flexibilidade e inovação. Contudo, alguns operadores do direito, ao perceber-se mais novos, impõem regras e limites aos que têm mais tempo de casa. Não raro, os percebem com um olhar de apequenamento e os subestimam nas atribuições. Isso porque podem considerá-los sem valor, lentos e retrógrados. Nessa posição, desvalorizam todo o trabalho que os mais experientes fizeram ao longo de vários anos de instituição.

De outro polo estão os mais velhos. Esses são pessoas com bastante conhecimento, que lutaram por conquistas e crescimento da instituição para as gerações subsequentes. Alguns, contudo, acreditam ser os mais novos incompetentes e superficiais para seus ofícios. Dizem que são ingênuos e ditam a todo o momento como esses “deveriam ser”. Concisos, rigorosos e inexoráveis nas decisões, subestimam-nos, impondo suas vontades tiranamente. Percebem nos mais jovens um perigo existente, pois representam mudança, quebra de paradigmas e outros jeitos de se pensar. Há preconceito e falta de diálogo dos dois lados.

Por outro lado, também ocorre nas instituições jurídicas algo extraordinário: os antigos e os recentes com os mesmos ideais! E é nesse ponto que ambos se encontram e podem se unir. Juntos, com a experiência dos mais velhos e a energia dos mais novos, são capazes de fazer grandes obras para que a instituição exerça a finalidade e a função social para a qual foi criada. Quando ocorre o encontro, há uma explosão de ideias que trazem à baila um equilíbrio harmonioso, transformando as diferenças em oportunidades de colaboração, bem como crescimento pessoal e institucional.

Os jovens são mais imaturos e mais inseguros. Contudo, são como materiais explosivos nos quais está acumulada uma enorme força! Na maioria das vezes, basta um estímulo de uma pessoa mais experiente para fazer vir ao mundo uma boa ação, um bom destino e alguma modificação.

Por tudo isso, para a melhoria das instituições, é preciso perceber que todos temos muito que aprender e por isso devemos tratar qualquer semelhante com seriedade e respeito. Fazer isso em meio às dificuldades de nosso país é de imensa responsabilidade. O respeito mútuo entre as diferentes gerações é uma noção essencial e nova nas instituições de direito e, portanto, desafiadora.

Melhorar uma instituição jurídica não significa apenas melhorá-la por si só. Isso vai gerar diversos impactos positivos na sociedade, pois irá desaguar em um serviço público de melhor qualidade. O Estado, o atendimento ao jurisdicionado, as pessoas que trabalham nos órgãos públicos: o povo sairá ganhando, a fim de que os direitos dos cidadãos fiquem amplamente garantidos.

Camila Marques Rosado Ferraz  é aluna do 9º período de Direito da PUC MINAS

Camila Marques Rosado Ferraz
9º período de Direito da PUC MINAS

Os comentários não representam a opinião do jornal e são de responsabilidade do autor. As mensagens estão sujeitas a moderação prévia antes da publicação

Publicidade