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Estado de Minas LITERATURA

Com livro de poesias inédito, artesão de 76 anos é tema de sarau literário

Seu Dico, morador do Serro, é um entusiasta da Folia de Reis e editou um único exemplar de 'Poesias cantadas'


21/08/2021 07:30 - atualizado 21/08/2021 18:14

Aos 76 anos, José Raimundo dos Santos Mota, ou simplesmente Seu Dico, como é conhecido em Três Barras, Milho Verde, São Gonçalo do Rio das Pedras e Capivari, distritos do Serro, em Minas Gerais, dedicou a vida aos trabalhos na roça

Sua curiosidade pelas manifestações culturais da região fez dele um instrumentista autodidata e um artesão de mão cheia que, por muito tempo, construiu flautas usadas nas comemorações de folias de reis - o que lhe rendeu outro apelido: Dico da Flauta.

Além da música, ele também desenvolveu o talento para a escrita. Durante toda a vida, Seu Dico Mota produziu poesias sob a forma canções, registradas no livro Poesias cantadas, do qual foi produzido um único exemplar, publicado em 2015. 

Mas ele mantém viva a circulação de sua arte em apresentações, como a que vai ao ar neste domingo (22/08), às 16h, no canal do YouTube do Memorial Vale. Trata-se de um sarau literário homônimo ao livro, em que Seu Dico irá cantar e recitar seus poemas. 

A apresentação integra o projeto Gerais Cultura de Minas - Sarau no Memorial e faz parte da programação da Semana do Patrimônio 2021, ação conjunta entre o Memorial Vale e o Instituto Estadual do Patrimônio Histórico e Artístico de Minas Gerais (Iepha/MG), em comemoração ao Dia Nacional do Patrimônio Cultural, celebrado em 17 de agosto.

ALEGRIA

"Faz mais de 40 anos que eu comecei a escrever. Primeiro, fui fazendo sozinho, depois achei algumas pessoas que começaram a me ajudar", conta Seu Dico. Ele se refere a amigos como Carlos Magno e Maurycélia Figueira, que o auxiliam na divulgação do trabalho e na inscrição em editais de leis de incentivo.

Segundo ele, a apresentação preparada especialmente para o Memorial Vale é marcada pela alegria e pela música. Seu Dico estará acompanhado de músicos e parceiros de cuja companhia ele já desfruta nas folias de reis de Três Barras da Estrada Real, Milho Verde, São Gonçalo do Rio das Pedras e Capivari.

"Aqui é tudo bem simples, como a gente diz. Chamamos alguns amigos e conseguimos gravar. No início foi um pouco difícil, mas deu tudo certo", ele comemora. "Estar entre os meus amigos cantando, fazendo música me faz um bem muito grande", comenta.

A apresentação terá por volta de 30 minutos e, ao todo, serão recitadas 17 poesias. Todas elas fazem parte do livro que ele ainda sonha em publicar em larga escala. Segundo Carlos Magno, que foi quem inscreveu o sarau de Seu Dico na Convocatória de Programação do Memorial Vale 2021, o artista e poeta está muito contente desde que foi aprovado no edital.

"Há alguns anos ele sofreu um AVC e me confidenciou que queria publicar o livro. Infelizmente, ainda não conseguimos ser aprovados em editais destinados a publicações, mas estar na programação do Memorial também é uma forma de divulgar o trabalho dele. O Seu Dico é uma pessoa muito simples, que dedicou a vida inteira à lavoura e tem uma veia artística muito forte".

AJUDA

Em razão do acidente vascular cerebral do qual ele ainda se recupera, hoje Seu Dico tem dificuldade para falar e já não se dedica ao artesanato. Como nunca se casou e não teve filhos, ele conta com a ajuda das irmãs e dos amigos no dia a dia.

"Ele mora na roça e fica muito entusiasmado com a folia (de reis). É o que mais o deixa feliz e contente. Antes, ele fazia pilões, bancos, instrumentos musicais e até mesmo animais, como tatus e passarinhos esculpidos a canivete. Agora ele tem bastante dificuldade com esses trabalhos manuais", conta Carlos Magno.

Ainda não há previsão para quando Poesias cantadas será de fato lançado. "Estamos estudando maneiras de colocar esse livro no mundo. Existem plataformas que permitem a publicação sem custo. Ainda estamos vendo se ele vai sair na forma impressa", diz.

Seu Dico é poeta e artesão(foto: Foto: Silvia C Moreira/divulgação)
Seu Dico é poeta e artesão (foto: Foto: Silvia C Moreira/divulgação)
No ano passado, Maurycélia Figueira inscreveu o projeto do livro na Lei Aldir Blanc para pleitear os recursos destinados ao município de Serro. A proposta não foi aprovada, mas ela não perde a esperança de que um dia Seu Dico será um autor publicado.

"Magno fez uma introdução para o livro e eu escrevi o projeto. Não obtivemos sucesso, tentamos de várias maneiras e em outras modalidades. Até que surgiu a oportunidade do sarau. É uma forma diferente de divulgar essa produção, que é muito importante para nós", ela diz.

"O Seu Dico é um amigo antigo nosso. Ele mora em Três Barras e vem para o Serro. Como não tem transporte suficiente até lá, ele sempre fica aqui em casa", conta. "Ele conhece muita gente: músicos da noite e também o pessoal das folias, que o ajuda bastante. Depois do AVC, ele pediu para o Magno ajuda para publicar o livro."

E, assim, aos poucos, Seu Dico conquista o lugar de reconhecimento com que tanto sonha.

POESIAS CANTADAS

Sarau literário com Dico Mota. Neste domingo (22/08), às 16h, no canal do YouTube do Memorial Vale. Gratuito. 

O CORPO DA CIDADE 

A cartografia é um campo de estudo científico, técnico e artístico que se dedica à confecção de mapas gráficos. Associada à geografia, ela é responsável por descrever superfícies terrestres e, para isso, leva em conta uma série de fatores, como fenômenos físicos, características socioeconômicas e culturais.

O que muitas vezes passa ao largo dessa ciência é a relação de afeto que as pessoas têm com determinado lugar. Na edição deste mês de agosto do Sarau Literário do Sesc Palladium, essa questão será abordada por meio da poesia e da arte.

MEMÓRIA  

Com o tema Cartografia afetiva, o encontro gratuito ocorrerá presencialmente na próxima quarta-feira (25/08), às 20h, no Teatro de Bolso do espaço cultural. O evento é gratuito, com retirada de ingressos pela internet, e faz parte da programação que comemora os 10 anos de inauguração do Sesc Palladium.  

O principal objetivo do sarau é refletir sobre a cidade de Belo Horizonte e como a memória de seus cidadãos é importante para a sua identidade. Para isso, o encontro terá a participação do jornalista, poeta e crítico literário Fabrício Marques, do poeta e MC João Paiva e da multiartista Isabela Alves. Os três irão apresentar suas experiências poéticas e artísticas ligadas ao espaço urbano.

Autor do livro-reportagem Uma cidade se inventa (Scriptum, 2015), Fabrício irá abordar a relação da poesia com a cidade, tema do livro. Já Isabela refletirá sobre como os poetas marginalizados se relacionam com os centros urbanos. E João pretende relatar sua experiência como professor da rede pública de ensino de Minas Gerais e campeão do SlamBR (Campeonato Brasileiro de Poesia Falada).

Em virtude da pandemia, o Sesc exigirá o uso de máscaras do público participante. Além disso, o Teatro de Bolso funcionará com capacidade reduzida de 82 para 32 lugares (30 assentos e dois espaços para cadeirantes).

SARAU LITERÁRIO - CARTOGRAFIA AFETIVA

Com Fabrício Marques, Isabel Alves e João Paiva. Na quarta-feira (25/08), às 20h, no Teatro de Bolso do Sesc Palladium (Rua Rio de Janeiro, 1046, Centro). Gratuito. Retirada de ingressos por meio do Sympla.

"LUPIN" É TEMA DE CLUBE DE LEITURA

Após servir de inspiração para uma das séries de maior sucesso da Netflix, As aventuras de Arsène Lupin será o tema do próximo Clube do Livro da Aliança Francesa de Belo Horizonte. A obra do francês Maurice Leblanc (1864-1941) será discutida virtualmente no próximo dia 31, às 19h30. Para participar, é necessário fazer a inscrição via e-mail (mediatecamediateca@aliancafrancesabh.com.br). 

O bate-papo será em francês, sem tradução simultânea. O público que se inscrever poderá ler o livro gratuitamente em francês por meio da plataforma Culturethèque, do Institut Français. O acesso é liberado por três semanas.

Criado no início do século 20 por Leblanc, o personagem Arsènne Lupin apareceu pela primeira vez em uma revista. Com o interesse que despertou, ele esteve presente ao longo de toda a carreira do autor, figurando em 18 livros, 40 contos e cinco peças de teatro.

Apesar da série da Netflix se chamar Lupin, ela não é uma adaptação direta das histórias de Maurice Leblanc. Nela, o cativante ladrão Assane, vivido pelo ator Omar Sy, pega emprestado do personagem ideias para seus planos, disfarces e até mesmo sua personalidade. Duas partes da produção estão disponíveis no catálogo da plataforma de streaming. Uma terceira está confirmada, mas ainda não tem data de lançamento. 

CLUBE DO LIVRO "LER E INSPIRAR"

Na terça-feira (31/08), às 19h30, em francês. Para participar, inscreva-se por meio do e-mail  mediatecamediateca@aliancafrancesabh.com.br.


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