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Estado de Minas LITERATURA

Brasil vira ilha em 'Gigante à deriva', livro de Marcelo Bizerril

Trama criada pelo autor brasiliense aborda questões ligadas à política, à mídia e à religião. O país se separa da América do Sul, navega pelo Atlântico e pode se chocar com a África


postado em 14/06/2020 22:05

Marcelo Bizerril, escritor:
Marcelo Bizerril, escritor: "Trata-se de uma ficção-conto sobre o Brasil, que, por meio de uma história fantástica, analisa questões reais do país como mídia, política, religião e a relação com o resto do mundo, em particular África, Portugal e Estados Unidos%u201D (foto: Marcelo Vieira/CB/D.A Press)

O Brasil se descola do continente sul-americano. Não se sabe explicar o fenômeno, mas fato é que aquele imenso pedaço de terra, recortado milimetricamente pela linha de suas fronteiras, começa a “navegar” pelo Oceano Atlântico. É esse o ponto de partida da novela Gigante à deriva (Letramento), primeira narrativa para adultos do escritor e professor brasiliense Marcelo Bizerril.


A partir do ocorrido, diferentes personagens começam a lidar com a situação surreal. “Ao mesmo tempo, o livro traz discussões, debates de fundo, como a violência, a desigualdade social, o racismo e até mesmo o comunismo”, comenta Marcelo Bizerril.
Há muita ironia na narrativa, já que as personagens em foco são todas pessoas públicas: Bob Terceiro, o âncora de um importante telejornal, o número três de uma linhagem de apresentadores padronizados; Iris di Deus, líder religiosa que também é senadora; Caco Sullivan, um youtuber que desdenha da ciência; e Gy Salvadora, popular nome da TV, que comanda um programa de variedades.


Todos eles têm um viés conservador e não querem mudanças estruturais no Brasil. Apenas o narrador não é pessoa pública, mas só vai se revelar ao fim da trama criada por Bizerril.


Professor da Universidade de Brasília (UnB), Bizerril já lançou livros infantojuvenis. Em trabalhos sobre educação ambiental, escreveu sobre o Brasil e sua relação com países culturalmente próximos, em especial os lusófonos. “Na verdade, eles não são próximos. São incrivelmente isolados do dia a dia da gente. Daí veio a ideia de mostrar o Brasil se deslocando do continente para ver se ele se aproxima dessas nações”, diz o autor.
Nessa “viagem”, o Brasil continental se torna uma ilha no meio do oceano. “Há paradas na viagem, o processo é longo”, continua Bizerril. A ideia, de acordo com ele, é que a partir de uma situação absolutamente ficcional se discuta o comportamento da sociedade brasileira.

 

TRECHOS

“Não sei se foi com o propósito de acalmar eventuais conflitos ideológicos, mas o fato foi que os compositores embarcaram na mesma onda dos humoristas, assumindo o tema de modo irreverente em composições de todo o tipo, e tome a marchinha de carnaval Bras-ilha, o pagode Saí pelo mundo procurando você, o sertanejo Tá faltando um pedaço da gente, o romântico Tô à deriva, e o hit Funk da separação, todos viralizaram nas redes sociais e tiveram sucesso estrondoso.”



“A piada só foi perdendo a graça quando cientistas mostraram tendências de afastamento constante do Brasil em relação à América do Sul, e a manter-se assim, o esperado era que o Brasil se chocasse com a África em poucas semanas. Aí bateu o desespero generalizado, sobretudo nas cidades litorâneas, uns pelo receio das consequências de um choque de proporções continentais, outros com um indisfarçável pavor da África. Não era possível precisar as razões de tal medo porque o que o fundamentava era exatamente não saber o que encontrar por lá, o medo era do desconhecido.”

 

 

GIGANTE À DERIVA

  • Novela de Marcelo Bizerril
  • Letramento
  • 60 páginas
  • R$ 32,90
  • Informações: editoraletramento.com.br


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