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Estado de Minas

Conheça a 'arrumação' de Saulo Laranjeira durante a quarentena

Famoso pelas personagens divertidas que criou, artista afirma que o momento não é propício ao humor. 'Tem muita gente fragilizada', diz. Ele se dedica a ler, escrever, refletir sobre o mundo e cozinhar


postado em 26/04/2020 04:00 / atualizado em 24/04/2020 17:43

(foto: Sylvio Coutinho/divulgação )
(foto: Sylvio Coutinho/divulgação )

"Minha quarentena está sendo como a de todo mundo:quarto, sala e banheiro"

Saulo Laranjeira,ator



Fernanda Gomes*

“Mesmo que meus personagens sejam bem escrachados, no fundo todos têm uma mensagem, uma crítica. Não me sinto à vontade (de fazer humor) neste momento. Tem muita gente fragilizada”, afirma Saulo Laranjeira, famoso pelos tipos divertidos que representa nos palcos e na TV. Definindo-se como espiritualista, ele conta que, neste período de isolamento social, está se dedicando à “limpeza da casa exterior e interior”.

O ator, cantor, compositor, apresentador e humorista de 67 anos enfrenta a quarentena ao lado da mulher, Maria Carolina, no apartamento do casal, em Belo Horizonte. “Este é o momento de mergulhar nas reflexões sobre o que está acontecendo e aproveitar o tempo para ler, escrever, assistir a filmes e cozinhar”, recomenda.

O artista vem usando as redes sociais para compartilhar textos e vídeos com citações de livros, poemas e reflexões. “Minha quarentena está sendo como a de todo mundo: quarto, sala e banheiro. Muito de vez em quando, desço para tomar um pouco de sol”, diz.

“É muito triste a realidade que estamos vivendo, muito surpreendente. Isso nos leva a ficar tensos. É uma novidade muito grande o planeta parar para combater um vírus”, observa. Para ele, o mais interessante da quarentena são as mensagens trocadas com os amigos. “Tenho uma rede de amigos muito grande. Isso me conforta muito, me faz feliz.”

Quando a crise da pandemia passar, a arte será mais valorizada, acredita Saulo. “Vai ser muito bom, porque agora tá todo mundo órfão, não só o artista, mas o público também.” Na opinião dele, as lives feitas por vários colegas são interessantes, mas incapazes de substituir a arte presencial.

Aliás, o mineiro participou de uma delas, na quinta-feira (23), com Carlos Alberto de Nóbrega, apresentador de A praça é nossa, programa do SBT/Alterosa. Os dois trabalham juntos há 25 anos. “Quando entrei na Praça, era mascote, comparado aos outros participantes. Agora sou o mais velho”, diverte-se.

MEMÓRIA 
Apaixonado pela cultura mineira e pela arte popular, Saulo se empenha em valorizá-las em seu trabalho. “Memória é uma coisa muito importante. Viajei o mundo para conhecer a cultura de raiz de outros países”, conta.

“Guimarães Rosa, um dos maiores escritores do mundo, garante leitura com muita qualidade, muito conhecimento e respeito sobre a cultura popular. Lê-lo é fundamental para quem se identifica com ela”, sugere.
Para quem está com saudades de Saulo, ele indica a série de podcast Arrumação na CBN, disponível on-line. Cada episódio tem cerca de 10 minutos. Sempre com uma dose de humor, o artista fala de cultura popular e declama textos de autores brasileiros.

Humor, aliás, é a matéria-prima do trabalho dele. Mas Saulo destaca que por trás de cada personagem há uma crítica ou mensagem social.

“João Plenário é crítica pura aos políticos que não têm nenhum compromisso com o povo e com as atividades que exercem. Desleixado e mulherengo, João é um populista. Ele mostra o perigo do político nocivo, embora extremamente simpático”, diz.

Já Veia Messina chama a atenção para a importância dos idosos. “Frágil, pura e consciente de seu papel, ela é uma personagem muito importante para mim.”

* Estagiária sob supervisão da editora-assistente Ângela Faria







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