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Estado de Minas

Pabllo Vittar em coquetel musical

Em seu novo trabalho, 111, artista revisita o brega, mantém as batidas eletrônicas e se abre também a versões do axé-funk-music e até do reggae


postado em 30/03/2020 04:00

A cantora, que se apresentou em BH no carnaval, terá de replanejar turnê internacional por causa do coronavírus(foto: EDÉSIO FERREIRA/EM/D.A PRESS %u2013 8/2/20)
A cantora, que se apresentou em BH no carnaval, terá de replanejar turnê internacional por causa do coronavírus (foto: EDÉSIO FERREIRA/EM/D.A PRESS %u2013 8/2/20)

Guilherme Augusto

Antes de o Brasil e o mundo acionarem o sinal de alerta para a pandemia do novo coronavírus, a cantora e drag queen Pabllo Vittar vinha planejando lançar um álbum de estúdio e embarcar em turnê internacional que incluía dois shows no Coachella, um dos festivais mais importantes da música pop nos EUA. Esses planos foram temporariamente interrompidos pela recomendação de distanciamento social, mas também ganharam um empurrãozinho quando, na última segunda-feira (23), parte do disco 111 (lê-se cento e onze) foi vazado na internet.

"Quem vazou, eu espero, do fundo do meu coração, que queime no fogo do inferno", escreveu ela, em sua conta no Twitter, enquanto o assunto figurava entre os mais comentados da rede social. Segundo a equipe dela, o trabalho, anunciado no segundo semestre de 2019, ainda não tinha data de lançamento definida e a solução emergencial encontrada foi a de antecipar a chegada do disco para a noite de terça-feira (24).

"É ruim que vazamentos ainda ocorram nos dias de hoje. Esse é um trabalho que vem sendo pensado há muito tempo, mas é aquela coisa: fazemos dos limões uma saborosa limonada e, até agora, tudo tem se mostrado como a letra de uma das músicas do disco, 'a chuva da vitória vai reinar no fim'", comenta ela, diretamente do isolamento em Uberlândia, no Triângulo Mineiro, onde essa maranhense de São Luís ainda mantém residência, citando uma das frases de Rajadão, a faixa que encerra o registro.

A estratégia adotada pela artista tem se mostrado bem-sucedida. No dia do lançamento, Pabllo emplacou todas as faixas de 111 entre as 100 mais ouvidas do Spotify. Apesar de soar glorioso, o feito também se justifica pelo fato de que seis das nove faixas do trabalho já eram conhecidas do público.

"Eu e minha equipe pensamos na maneira como as pessoas consomem música atualmente, por isso fizemos um primeiro lançamento em forma de EP, em novembro do ano passado. Assim, consegui dar uma atenção mais especial às músicas que amo e que estão no álbum", justifica.
(foto: Festival Sensacional/Divulgação %u2013 12/6/19)
(foto: Festival Sensacional/Divulgação %u2013 12/6/19)

Entre elas, Parabéns, gravada com Psirico, e Amor de que são duas representantes de como a cantora sabe selecionar parcerias e cancões atrativas para gravar, tanto que caíram no gosto do público e fizeram sucesso no último Carnaval. A primeira reproduz uma espécie de axé-funk-music, enquanto a segunda é mais tradicional às raízes bregas que alçaram Pabllo ao estrelato. As outras duas cancões lançadas no final de 2019, Flash pose (parceria com a britânica Charli XCX) e Ponte perra, tiveram uma recepção considerada morna para quem está galgando a carreira internacional – a primeira é cantada em inglês, e a segunda, em espanhol.

Apesar disso, Pabllo Vittar não desanimou e, antes do lançamento “surpresa” do disco, liberou mais o par de singles, Tímida e Clima quente, gravadas com a mexicana Thalía e o funkeiro Jerry Smith, respectivamente. "Sempre digo que as parcerias surgem de forma natural, onde há admiração mútua. Isso é o principal para haver essa química entre os cantores", orgulha-se ela. "No caso de Thalía, foi algo incrível, pois sempre admirei o trabalho dela como cantora e atriz. Já a Charli é um talento que eu acompanhava e fiquei muito feliz quando pude fazer todas as colaborações que já fizemos. São três até agora e espero que venha muito mais!".


INÉDITAS

As três músicas realmente inéditas do trabalho carregam o peso de justificar todo o barulho causado para o lançamento. Selvaje mescla trechos em inglês e espanhol e figura como a única mais lenta do registro, sem perder a sensualidade que Pabllo tanto se esforça para imprimir às cancões. A já citada Rajadão se atém a uma mensagem motivacional que, curiosamente, faz com que ela soe como um hino gospel, não fosse a batida eletrônica que divide a repetição dos versos em dois.

O grande trunfo do trabalho talvez seja Lovezinho, música na qual ela experimenta a cadência do reggae e compartilha os versos com Ivete Sangalo. A faixa tem apelo radiofônico e traz a voz de Pabllo de um jeito novo, explorada com maior cuidado e propriedade.

''Quem vazou, eu espero, do fundo do meu coração, que queime no fogo do inferno. Mas é aquela coisa: fazemos dos limões uma saborosa limonada e, até agora, tudo tem se mostrado como a letra de uma das músicas do disco, 'a chuva da vitória vai reinar no fim''

Pabllo Vittar, cantora e drag queen



Fidelidade ao 
time de estreia


Desde o disco de estreia Vai passar mal (2017), Vittar, de 25 anos, mantém parceria com seu time inicial de produtores. O principal deles é o DJ Rodrigo Gorky, que ganhou projeção por trabalhos com os grupos Bonde do Rolê e Banda Uó. "Ele é um talento incrível e sabe exatamente como eu penso e o que eu gosto", se derrete Pabllo, ao falar da relação com o amigo. "Além dele, conto com a colaboração de todos os meninos da Brabo Music e confio muito nos novos compositores e produtores que eles trazem para o time".

Se o primeiro disco foi responsável por colocar a artista no mapa nacional, Não para não (2018) consolidou o status de Pabllo como grande nome do pop feito no Brasil. Músicas como Seu crime, Problema seu e Diske me fizeram tamanho sucesso que ela se viu obrigada a expandir as fronteiras e encarar a carreira fora do país.

"O convite para o Coachella, por exemplo, chegou por meio da nossa equipe que trabalha nos Estados Unidos. Eu fui ano passado e participei dos shows do duo Sofi Tukker e do Major Lazer e foi surreal pra mim. Imagina este ano, em que serei uma das atrações. Percebo que o público é sempre um misto de brasileiros e pessoas locais. O que mais me encanta é ver pessoas que não falam português se esforçando para cantar as músicas comigo", comenta.

O festival estava marcado para meados de abril e foi transferido para outubro por causa da pandemia de coronavírus. O mesmo ocorreu com as edições Brasil, Argentina e Chile do Lollapalooza, para as quais Pabllo estava escalada e irá se apresentar nas novas datas, entre o fim de novembro e início de dezembro. Com isso, o que ela batizou de 111 tour deve estrear em terras estrangeiras.

Ainda fã do reality show RuPaul's drag race, que está na décima segunda temporada pela VH1, nos Estados Unidos, Pabllo Vittar garante que, apesar dos rumores que volta e meia vem à tona, nunca recebeu convite para integrar a bancada de jurados do programa. Se chamada, ela diz que seria um "desastre". "Eu não sei costurar, sou totalmente destrambelhada e não ia dar muito certo, não. Mas na hora de performar, aí, sim, quem sabe", se diverte.

111 
• Pabllo Vittar
• Sony Music Brasil
• Disponível nas plataformas digitais


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