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Paulo Nazareth põe o Bairro Palmital dentro do Museu de Arte Pampulha

Mostra 'Faca cega' é encerrada com 'obra acontecimento', celebrando o casamento de moradores da periferia dentro do MAP. Ônibus parte de Santa Luzia para um tour por criações de Niemeyer em BH


postado em 06/04/2019 05:10

Varal com orelhas de porco, iguaria da culinária popular, dialoga com a sofisticada arquitetura do Museu de Arte da Pampulha (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)
Varal com orelhas de porco, iguaria da culinária popular, dialoga com a sofisticada arquitetura do Museu de Arte da Pampulha (foto: Alexandre Guzanshe/EM/D.A Press)


Um casamento vai movimentar a tarde deste sábado (6) no Museu de Arte da Pampulha (MAP). A ação faz parte da exposição Faca cega, de Paulo Nazareth, que fica em cartaz até amanhã (7). A “obra-acontecimento” Casamento de Antônio será, mesmo, a celebração de um matrimônio, com direito a cerimônia e festa.

“É um desdobramento da minha primeira estadia no museu, durante o Bolsa Pampulha (programa de residência que lançou vários artistas), e da relação que as pessoas têm com este prédio tão icônico para a cidade”, explica Paulo. Naquela ocasião, ele colocou a imagem de Santo Antônio, padroeiro dos casamentos, na frente do MAP, e a de São Gonçalo, ligado à boemia, nos fundos do museu. “Por isso o nome da performance é Casamento de Antônio. O noivo tem outro nome, mas o interessante é ser um casal do Palmital (bairro de Santa Luzia), onde fica meu ateliê. Eles vão celebrar a união, assim como muitos casais da elite belo-horizontina ali o fizeram no passado. Sem contar que o MAP continua sendo o cenário de ensaios de noivas. O espaço será ressignificado pela apropriação popular”, explica.

Na cerimônia, às 15h, serão servidos pratos típicos brasileiros – feijão-tropeiro e feijoada – que têm carne de porco como ingrediente. O animal, aliás, está presente em diversas obras de Paulo. É o caso de Escuta, parte de Faca cega: uma espécie de varal exibe dezenas de orelhas de porco defumadas.



ÔNIBUS

Outro ato marcado para este sábado é Outubro vermelho. Um ônibus fará o trajeto do Palmital, até a Pampulha, percorrendo os caminhos do comunista e modernista Oscar Niemeyer, arquiteto que idealizou a Pampulha e o próprio MAP. Paulo Nazareth explica que o bairro surgiu em Santa Luzia depois de uma enchente destruir boa parte da Vila União, que ficava onde está o Boulevard Shopping, entre os bairros de Santa Tereza e Santa Efigênia.

“No fim dos anos 1970, houve a canalização do Arrudas. Uma enchente fez o rio transbordar e deixou muita gente da Vila União desabrigada. Boa parte das pessoas migrou, criando o bairro que hoje é o Palmital. O conjunto habitacional que surge ali tem relação direta com BH, com o concreto, com essa coisa modernista de canalizar rios e domesticar a natureza. Por isso o trajeto do ônibus começa lá”, revela.

Do Palmital, o veículo seguirá para a Cidade Administrativa e para as obras da Catedral Cristo Rei (ambos projetos de Niemeyer), antes de chegar ao Complexo Arquitetônico da Pampulha. “Depois, ele vai para o Centro de BH, passa pela Praça Sete e Edifício JK. Tudo para refletir sobre o lugar da arquitetura modernista em Belo Horizonte, a promessa de futuro que desemboca em Brasília”, pontua.

MOEDA

Haverá também distribuição de panfletos relativos ao trabalho exposto em Faca cega que descreve obras apresentadas ou imaginadas para o Museu de Arte da Pampulha. O artista propõe que o visitante ofereça uma moeda ou cédula antiga em troca desse panfleto. O dinheiro, que circulou entre 1964 e 1993 (sem valor comercial), completará o ciclo de trocas simbólicas entre público, artista e museu.

No domingo (7), o último ato será Amolador de faca: um presidiário em liberdade condicional criará facas a partir de ferros e metais velhos. “É pra gente pensar sobre a relação com esse instrumento, que transita entre a cozinha e o crime. Isso casa com a própria exposição, cujo nome é justamente Faca cega”, destaca.

Com curadoria de Janaína Melo, a mostra reúne 40 obras em vários formatos – de desenhos e objetos a instalações. Letícia Dias, diretora de museus da Fundação Municipal de Cultura, diz que a exposição, que despertou muito interesse do público, teve de ser prorrogada até amanhã.

“Paulo Nazareth provoca a reflexão, faz o público pensar”, observa. Daí vem a boa recepção a Faca cega. “É importante um espaço como o MAP, onde ele já expôs, se abrir para um artista do porte e do talento do Paulo, inclusive com trajetória internacional consolidada. São obras provocativas, criadas ou reunidas especialmente para cá. É muito importante encerrar a exposição com esta ação que ressignifica o próprio Museu de Arte da Pampulha”, conclui Letícia Dias.

FACA CEGA
Exposição de Paulo Nazareth. Até domingo (7), das 9h às 18h. Museu de Arte da Pampulha. Avenida Otacílio Negrão de Lima, 16.585, Pampulha, (31) 3277-7996. Entrada franca.


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