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Dicas de português


postado em 09/01/2019 05:02

Recado

“Quem tropeça no vernáculo mente sem querer”

. Hildebrando Neto


Cor-de-rosa em cartaz 

“Meninas usam rosa, meninos usam azul”, decretou a ministra Damares Alves. Reações pintaram de todos os lados. “Xô, coisa antiga! Meninos e meninas se vestem como quiserem”, disseram mães, pais e avós. O fato virou notícia. E levantou a questão do trio cor-de-rosa. Como explicar a presença do hífen?

A reforma ortográfica cassou o tracinho de palavras compostas de dois ou mais vocábulos ligados por preposição, conjunção, pronome. Pé-de-moleque, mão-de-obra, tomara-que-caia & cia. se escreviam com o elo. Agora estão livres e soltas – é de moleque, mão de obra, tomara que caia.

As cores entraram na faxina. Antes, cor-de-laranja, cor-de-carne, cor-de-vinho, cor-de-abóbora, cor-de-creme se grafavam desse jeitinho. Com a mudança, mandaram o hífen plantar batata no asfalto. Ficaram assim: cor de laranja, cor de carne, cor de vinho, cor de abóbora, cor de creme. Mas cor-de-rosa manteve o hífen. É a exceção que confirma a regra.

Mais

E a concordância? Olho nela. Estando subentendida a expressão cor de, o adjetivo mantém-se invariável: toalhas (cor de) pérola, ternos (cor de) cinza, vestidos (cor de) rosa, uniforme (cor de) oliva, carros (cor de) vinho, colares (cor de) marfim, embalagens (cor de) carmim.

Nobreza


A ministra não se contentou com o azul e o rosa. Foi além. “Menina será princesa. Menino será príncipe”, anunciou. Gritos contrariados se ouviram de todos os lados: “Príncipes e princesas são passado. Hoje, menino e menina serão o que quiserem”, responderam psicólogos, professores, familiares. Enquanto o bate-boca rende, vale uma diquinha de português. Por que princesa se escreve com s? Porque títulos de nobreza se grafam com essa letra: princesa, marquesa, duquesa, arquiduquesa, baronesa.

O porquê do z

Novidade na praça. Lei criou a Semana Nacional de Prevenção da Gravidez na Adolescência. Será em fevereiro. A notícia provocou estragos. A vítima? Foi a língua. Muitos escreveram gravidez com s. Bobearam. Gravidez joga no time de maciez, surdez e mudez. É substantivo abstrato derivado de adjetivo: lúcido (lucidez), honrado (honradez), sensato (sensatez), altivo (altivez), maduro (madurez). E, claro, grávida (gravidez).

Tropeço na regência

Fernando Haddad tuitou: “Quem assistiu o noticiário de hoje entendeu por que há quem simplesmente não possa participar de debates”. Ops! O quase presidente tropeçou na regência do verbo assistir. Que tal aprumar-se? Basta descobrir que a preposição faz a diferença. Muda o sentido do recado:

Assistir = prestar assistência, ajudar, socorrer: O médico assiste o enfermo.

Assistir a = comparecer ou presenciar: Cento e quinze mil pessoas assistiram à posse do presidente. Os alunos assistiram ao programa em silêncio. Quem assistiu ao noticiário de hoje entendeu por que há quem não possa participar de debates.

Leitor pergunta


Das duas frases, qual é a correta?

a.  Humanidade demasiada humana.

b.  Humanidade demasiado humana.
. Murilo Veras, lugar incerto

Nota 10 para a frase b. Demasiado, no caso, é advérbio. Equivale a demasiadamente: Humanidade demasiado (demasiadamente) humana.

***

Como saber se é a vez do s ou do z no fim da sílaba?
. Carlos Magno, Boa Vista

É fácil. O z figura sempre em sílaba tônica. O s, em sílaba átona qualquer que seja a posição na palavra. Compare: as-te-ca, asno, cú-tis, bônus. Surdez, mudez, maciez, estupidez.


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