Publicidade

Estado de Minas LUTO NO CINEMA

Morre a lenda Kirk Douglas

Ator de Hollywood faleceu ontem aos 103 anos. Astro fez mais de 80 filmes e interpretou personagens como Spartacus e o pintor Van Gogh. Em 1995 recebeu o Oscar honorário


postado em 06/02/2020 04:00 / atualizado em 05/02/2020 23:49

Nascido em dezembro de 1916, Kirk Douglas viveu os anos de ouro do cinema em Hollywood(foto: Samuel Rodrigues/Getty Images -13/8/12 )
Nascido em dezembro de 1916, Kirk Douglas viveu os anos de ouro do cinema em Hollywood (foto: Samuel Rodrigues/Getty Images -13/8/12 )

A lenda de Hollywood Kirk Douglas morreu ontem aos 103 anos, informou seu filho, o também ator Michael Douglas. “É com enorme tristeza que meus irmãos e eu anunciamos que Kirk Douglas nos deixou hoje (ontem) aos 103 anos de idade”, escreveu o ator em sua página no Facebook. “Para o mundo, ele era uma lenda, um ator da era dourada do cinema, que viveu bem seus anos de ouro, um humanitário cujo comprometimento com a justiça e as causas nas quais acreditava marcava uma pauta à qual todos nós devíamos aspirar. Mas para mim e meus irmãos, Joel e Peter, era simplesmente papai, para Catherine, um maravilhoso sogro, para seus netos e bisnetos seu avô amoroso, e para sua mulher, Annie, um marido maravilhoso”, disse ainda Michael.
 
Kirk Douglas (Nova York, dezembro de 1916) interpretou papéis que marcaram a história do cinema, do escravo Spartacus com espada na mão ao pintor holandês Vincent van Gogh, em Sede de viver. Trabalhou em mais de 80 filmes mas, diferentemente das novas gerações, nunca aceitou um papel em uma sequência. Ele recebeu três indicações aos Prêmios da Academia em seis décadas de carreira, mas a estatueta só veio em 1996, quando recebeu um Oscar honorário. E à medida que sua saúde o impediu de voltar aos sets de gravação, juntamente com sua agora viúva, Anne Buydens, cada vez mais filantropo, expressando sua intenção de doar para obras de caridade na maior parte de sua fortuna quando os dois morressem.
 
O casal reconstruiu 400 pátios escolares em Los Angeles e foi responsável pela construção do “Harry's Haven”, unidade de tratamento para o Alzheimer inspirada no nome do pai de Kirk no Lar do Fundo do Cinema e da TV em Woodland Hills, Califórnia. “A vida de Kirk foi bem vivida e deixa um legado no cinema que vai perdurar por gerações e uma história como um renomado filantropo que trabalhou para ajudar o público e levar paz ao planeta”, expressou Michael. “Te amo e me sinto orgulhoso de ser seu filho”.

Longa vida Kirk Douglas nasceu Issur Danielovitch numa localidade chamada Amsterdam, próxima a Nova York, em 9 de dezembro de 1916. Viveu 103 gloriosos anos e virou um ícone de Hollywood. Foi um ator de grandes papéis, um produtor audacioso e até um diretor competente. A essa altura, você deve estar pensando – quem é esse cara? Pois foi com o pseudônimo de Kirk Douglas que Issur se tornou conhecido. Teve um filho que também adotou o pseudônimo e, como Michael Douglas, prosseguiu a tradição artística familiar. Michael até ganhou o Oscar de melhor ator – por Wall Street, Poder e Cobiça, de Oliver Stone, em 1987.
 
O velho Kirk nunca foi “melhor ator” para seus comparsas de Hollywood, mas não lhe faltaram honrarias. Seus pais foram imigrantes judeus de Mogilev, então Império Russo, hoje Bielorússia. Na “América”, Issur virou Izzy Demsky, mas já adotara o pseudônimo que se tornaria famoso antes de ingressar na Marinha, durante a 2ª Grande Guerra. Antes disso, foi pugilista. E, para conseguir uma bolsa de estudos, inscreveu-se no grupo de atuação da St. Lawrence University. Tinha por colega uma certa Lauren Bacall, que lhe deu uma força e ajudou para que conseguisse um papel no filme The Strange Love of Martha Ivers, de Lewis Milestone, lançado no Brasil como O Tempo não Paga. O resto é história.
 
Kirk Douglas recebeu três indicações para o Oscar – por O Invencível, de Mark Robson, em 1949; Assim Estava Escrito, de Vincente Minnelli, em 1952; e Sede de Viver, de Minnelli, de novo, em 1956. Perdeu todas, mas em 1995 a Academia outorgou-lhe um Oscar honorário “por 50 anos de modelo moral e criativo para a comunidade cinematográfica de Hollywood”.
 
Sua carreira estourou numa época em que o filme noir estava no auge. O tipo físico do ex-pugilista e seu sorriso cínico ajustavam-se aos papéis – Fuga ao Passado, de Jacques Tourneur; Sacrifício de Uma Vida, que Dudley Nichols adaptou da Oresteia; e Estranha Fascinação/I Walk Alone, de Byron Haskin, todos de 1947.

Acidente e saúde Perdeu um filho para as drogas (Eric Douglas), sofreu um acidente de helicóptero e ficou com o corpo queimado, teve um derrame. Nem por isso se deixou abater. Com a ajuda de um fonoaudiólogo, fez emocionados discursos ao receber seu Oscar honorário e o Urso da Berlinale. Tornou-se uma lenda. Nos anos 1970, comprou os direitos de um livro que pretendia adaptar e interpretar, mas transferiu os direitos para o filho.
 
O ator sobreviveu a um acidente de helicóptero em 1991. Dois outros passageiros morreram e Kirk ficou com uma terrível lesão nas costas. Ele também fez trabalho humanitário, servindo como embaixador da boa vontade do Departamento de Estado dos EUA. Kirk Douglas completou 103 anos em dezembro, quando recebeu uma homenagem de seu filho, Michael Douglas. “Feliz aniversário, pai! Você é uma lenda viva e toda a sua família te manda o amor de seus corações!”, escreveu, ao lado das hashtags "Kirk Douglas" e “103 [anos]”. Na data, Michael Douglas ainda citou o pai ao comemorar sua indicação ao Globo de Ouro em 2020. “Nove de dezembro de 2019, que grande dia! Obrigado à Associação de Imprensa Estrangeira de Hollywood pela indicação ao Globo de Ouro e por fazer meu pai orgulhoso em seu 103º aniversário!”, escreveu.
 
A saúde de Kirk estava em declínio. Em 1996, ele sofreu um derrame, mas “recuperou a maioria de suas faculdades”. Em abril do ano passado, Kirk foi visto, pela última vez, acampando no quintal de casa com o neto.

Viasita a BH

(foto: José Nicolau/Arquivo O Cruzeiro)
(foto: José Nicolau/Arquivo O Cruzeiro)

Kirk Douglas (foto) visitou Belo Horizonte em 1963. Ele desembarcou na capital mineira a convite do então prefeito Jorge Carone. Também estavam presentes Clementino Dotti, diretor do Serviço de Turismo da Prefeitura, e de Vitor Márcio, diretor da empresa de Cinemas e Teatros de Minas Gerais. Kirk Douglas veio ao Brasil conhecer a recém-inaugurada capital brasileira, Brasília. Ele cogitou fazer um filme com o ex-presidente Juscelino Kubitschek. O ator ainda passou pelo Rio de Janeiro.


Compartilhe no Facebook
*Apenas para assinantes do Estado de Minas

Publicidade