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Estado de Minas

Referência para a vida real

A proximidade com os bichos fortalece a autoestima, pois o carinho é verdadeiro e desinteressado. Nesse convívio, a criança também aprende a lidar com a perda e a dor


postado em 07/07/2019 04:05

 Mariana Penido, de 5 anos: %u201CGosto de animais porque eles são bonzinhos e posso fazer carinho%u201D(foto: Fotos: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press )
Mariana Penido, de 5 anos: %u201CGosto de animais porque eles são bonzinhos e posso fazer carinho%u201D (foto: Fotos: Juarez Rodrigues/EM/D.A Press )










Pode-se dizer que o garoto Rafael Penido, de 9 anos, já nasceu fã dos animais. “É muito legal. Pelas características deles mesmos. Fazem um monte de coisas que a gente não consegue. Tem um lagarto, por exemplo, que lança sangue pelo olho para se defender do predador”, diz. O fascínio por bicho vem de pequeno. Na escola, pela televisão ou em lugares para onde viaja com a família, é uma verdadeira adoração. Rafael conta sobre as visitas ao zoológico e sobre a recente ida ao Pantanal com os pais e a irmã, onde conheceu de perto tucano, jacaré e o tuiuiú Tafarel, astro em um hotel-fazenda da região. O menino diz que se interessa por todos os animais – e tem para todos os gostos. Entre mamíferos, répteis, anfíbios, peixes, aves e até insetos e moluscos, a lista dos prediletos é extensa: rinoceronte, caracol, tigre, iguana, tartaruga, grilo, gafanhoto, besouro, lagarto, tucano, flamingo, águia, pinguim. Por incrível que pareça, se sente um tanto intimidado por cachorros. “Agora vamos ganhar um peixe.”

A irmã mais nova de Rafael, Mariana, de 5, reforça o time dos amantes dos bichos. Na casa dos avós, seus grandes parceiros são os vira-latas Matozinhos e Darwin. “Gosto porque eles são bonzinhos, mansinhos, posso fazer carinho, dar a comida, levar pra passear. Eles entendem as coisas e me obedecem. São meus amigos. Gosto muito de cachorro”, diz. Mariana também conta que, além de amar andar a cavalo, adora os animais em geral: gato, peixe, coelho, porquinho-da-índia, hamster... Na escola em que estuda, o convívio com os animais é uma tônica da linha pedagógica. Na hora da jardinagem, os alunos encontram uma enorme variedade de animais. “Tem a cabra Bebé, o cavalo Tatu... Tem também porquinho-da-índia, galinha, pato, peru, passarinho, periquito...”.

Ver um animal com proximidade é um modo de aprendizado especial. É uma maneira de despertar nos pequenos a preocupação e a consciência acerca das outras formas de vida como um todo. Na escola em que Mariana frequenta, a Verde Vida, em Belo Horizonte, a vivência com os animais é uma ideia que nasceu junto à instituição, que existe há 24 anos. Em um primeiro momento, o objetivo era atender às necessidades dos pais e, ao mesmo tempo, criar algo que despertasse o interesse das crianças. A fundadora e diretora, Salette Brittes, buscou em suas raízes no interior a semente para iniciar um belo trabalho. O norte é aprofundar a consciência sobre o meio ambiente, a relação e o respeito das crianças com a natureza, incluindo os animais, em processos que vão muito além do que a simples recreação.

Hoje, a escola tem cerca de 100 alunos da primeira infância até os 7. Coelho, porquinho-da-índia, ararajuba, periquito, calopsita, galo, galinha, pato, cabrita, cavalo – estão todos presentes por ali. Alguns vivem soltos, outros não. Esse convívio favorece a sensibilidade acerca do outro, pontua a coordenadora da escola, a pedagoga Carla Mariana Rocha Brittes da Silva, e também é uma referência no próprio desenvolvimento dos conteúdos didáticos. "Cresce a noção de altruísmo, o pensar sobre as atitudes. São crianças observadoras, detalhistas, o que percebemos mesmo pelos pais que nos dão esse retorno. Quando está em um parquinho, ela presta atenção na joaninha, na minhoca. Teve uma vez até de um menino que se preocupou com um rato que encontrou na rua", diz Carla.


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