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Estado de Minas

Sêmem raro possível no Brasil


postado em 26/02/2019 05:09

 

 





O Brasil já dispõe da técnica de reprodução de animais de alto valor genético com o uso do processo de reprodução in vitro ICSI, (sigla em inglês de Injeção Intracitoplasmática de Espermatozoide). Ela possibilita a formação de embriões in vitro a partir de uma injeção de um único espermatozoide dentro de cada óvulo.

Até pouco tempo, a reprodução de animais por meio da técnica ICSI era oferecida por apenas cinco laboratórios em todo o mundo, localizados nos Estados Unidos e na Europa. No Brasil, essa técnica pioneira está sendo oferecida aos criatórios de equinos pela empresa In Vitro Brasil Clonagem, sediada em Mogi Mirim (SP). Fundada em 2005, o empreendimento se dedica ao armazenamento celular de grandes e pequenos animais, clonagem de bovinos e a técnicas de reprodução in vitro de embriões de equinos pela técnica ICSI, adotada desde 2014.

“Na inseminação artificial convencional, necessitamos de um mínimo de 150 milhões de espermatozoides viáveis, enquanto na ICSI só precisamos de um. Sendo assim, essa técnica tem a vantagem de permitir a produção de gestações utilizando um sêmen de baixa qualidade, ou raro, ou ainda de alto custo, como é o caso de sêmen congelado comercializado por palheta”, afirma a veterinária Perla Fleury, uma das responsáveis pela técnica inovadora no Brasil. Ela ressalta que a tecnologia também possibilita a produção de embriões de éguas, que não respondem mais à técnica convencional de transferência de embriões, em razão de diversos problemas reprodutivos.

De acordo com informações da In Vitro Brasil Clonagem, o processo da técnica ICSI compreende quatro etapas: inicialmente é realizada a aspiração folicular das éguas, recuperando-se os óvulos; o segundo processo é a maturação in vitro, ou seja, o preparo do óvulo até o ponto de fertilização; em seguida, os óvulos maduros recebem uma injeção de um único espermatozoide, dando a eles o potencial de se transformar em embriões, o que ocorre em até oito dias. A percentagem final de embriões produzidos é de 20%.

De acordo com Perla Fleury, o investimento inicial do criador para a ter a reprodução de equinos com o uso da técnica ICSI gira em torno de R$ 19 mil. No entanto, o valor é baixo se comparado ao alto ganho genético em seu criatório, bem como a possibilidade de viabilizar o uso de garanhões de alto mérito nos EUA e Europa, onde a técnica já é uma realidade.

A reprodução in vitro ICSI começou a ser usada recentemente pelo Haras Imperial, no município de Inhaúmas, na região Central do estado, fundado há 11 anos e que conta com 100 animais puros da raça quarto de milha. De acordo com o gerente do haras, Alvaro Dorneles Cordeiro Machado, neste ano, a propriedade deverá contar com três nascimentos de animais gerados a partir da inovadora técnica.

Ele salienta que um dos pontos positivos da técnica In vitro ICSI é a possibilidade do uso pelo haras de Inhaúmas de sêmen “muito raro” de um garanhão americano de alta qualidade genética, que morreu precocemente, denominado “Dash For Perks”. “Outra vantagem é poder usar a técnica para a inseminação de éguas mais velhas e importantes, que já têm alguma dificuldade de reprodução”, comenta Dorneles. Ele informa que a propriedade também usa outras técnicas como inseminação de sêmen congelado e a fresco, além da transferência de embrião.(LR)


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