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Estado de Minas

Genética inovadora é destaque em exposição agropecuária de Montes Claros

Programa inédito lançado em Minas pode revolucionar a partir de agora a criação de gado, com a melhoria de qualidade dos rebanhos e ganho de peso com menos tempo no pasto


postado em 02/07/2018 06:00 / atualizado em 02/07/2018 09:57

Exposição Agropecuária Regional de Montes Claros, no Norte de Minas, reúne nesta semana animais de diversas raças, com destaque para a nelore(foto: Solon Queiroz/Esp. EM)
Exposição Agropecuária Regional de Montes Claros, no Norte de Minas, reúne nesta semana animais de diversas raças, com destaque para a nelore (foto: Solon Queiroz/Esp. EM)

Uma das dificuldades para que a criação de bovinos em Minas e no país consiga melhores ganhos de peso e de lucros é que um número pequeno dos criadores (em torno de 10%) investe na melhoria da qualidade dos seus rebanhos. Com objetivo de amenizar essa questão foi lançado Programa de Melhoria da Qualidade Genética do Rebanho Bovino do Estado de Minas Gerais (Pró-Genética), que oferece melhores condições para os pequenos produtores adquirirem reprodutores e matrizes de qualidade. O Pro-Genética é uma das atrações da Exposição Agropecuária Regional de Montes Claros (Expomontes), uma das maiores feiras de Minas, que foi aberta na sexta-feira (29/6) e prossegue até domingo.  Nesta edição, o evento tem maiores expectativas de boas vendas, porque, após cinco anos de secas sucessivas, o Norte de Minas teve um bom regime pluviométrico no ano chuvoso 2017/18


A falta de chuvas em anos anteriores provocou a perda das pastagens. Com isso, os produtores se viram obrigados a vender muitas cabeças de gado, principalmente vacas. O rebanho bovino do Norte do estado foi reduzido de cerca de 3,2 milhões de cabeças para 2,2 milhões de animais, segundo o Instituto Mineiro de Agropecuária (IMA). Agora, com melhoria das pastagens, os produtores querem aumentar seus criatórios novamente, pois há alimentação abundante. De acordo com o presidente da Sociedade Rural de Montes Claros (promotora da Expomontes), José Luiz Veloso Maia, no ano chuvoso 2017/18 foi registrada uma média de 1 mil mm de chuvas na região enquanto que a média pluviométrica nos cinco anos anteriores foi de 600 mm.


“Houve um renascimento das pastagens até naturalmente. Isso mostra a qualidade das terras da região, que está vivendo um momento de entusiasmo e expectativa. Agora, os produtores querem repovoar suas fazendas com matrizes e touros”, afirma Veloso Maia. Segundo ele, a previsão é de que sejam vendidos durante a Expomontes em torno de 8 mil animais, em nove leilões de bovinos, com a predominância da raça nelore.


Mas, os organizadores da exposição agropecuária de Montes Claros querem aproveitar o “repovoamento” para fomentar o melhoramento da qualidade do rebanho norte-mineiro, por meio do Pro-Genética, implementado a partir de parceria entre a Secretaria de Estado de Agricultura, a Empresa de Extensão Rural e Assistência Técnica (Emater-MG), a Associação Brasileira de Criadores de Zebu (ABCZ), a Empresa de Pesquisa Agropecuária (Epamig) e o IMA. O programa funciona da seguinte forma: são realizadas feiras, nas quais reprodutores e matrizes de alta linhagem são vendidos a pequenos produtores com financiamentos a longo prazo. A negociação é feita diretamente entre os produtores (comprador e vendedor).

FEIRAS Na programação da Expomontes foram incluída duas feiras do Pro-Genética: a primeira delas foi realizada na abertura do evento, sendo ofertadas 50 vacas leiteiras. A segunda feira do programa de melhoramento genético está marcada para sexta-feira e sábado, com a oferta de 50 touros das raças nelore, guzerá, tabapuã e gir. Os animais são expostos em um pavilhão reservado exclusivamente pra o Pró-Genética.


O técnico da ABCZ Marcos Mendes ressalta que iniciativas como o Pro-Genética pode contribuir muito para o aumento da renda na pecuária nacional, “democratizando” o melhoramento genético. “O Brasil é o maior exportador de carne do mundo, mas apenas 10% dos produtores investem em touros de qualidade para melhoramento genético. Ou seja: 90% dos criadores recorrem a reprodutores comuns para o cruzamento de suas vacas”, observa Mendes, que também é diretor Técnico da Sociedade Rural de Montes Claros.


O especialista lembra que 70% dos criadores de gado do Brasil são produtores de pequeno porte, que possuem, no máximo, 100 matrizes.Ele destaca que os pecuaristas precisam criar a cultura do melhoramento genético, em busca do aumento de lucros no campo. “O criador que recorrer a um reprodutor de boa linhagem genética terá um aumento médio de faturamento de R$ 500 por cabeça produzido em sua propriedade”, acentua Marcos Mendes.

 

Engorda abreviada

 

O melhoramento genético contribui para maior ganho de peso, o que significa menos tempo do boi no pasto e mais lucros. “O produtor que investir no melhoramento genético encurta o ciclo de produção. Mesmo na região do semiárido, ele consegue produzir um boi com o peso de 17/18 arrobas com a idade entre 24 e 30 meses”, afirma o pecuarista Oswaldo Miranda, que trabalha com a criação de gado nelore de alta linhagem no Norte de Minas. Amanhã, ele promoverá um leilão na Exposição de Montes Claros, com outros produtores da região. “Neste ano, por causa da regularidade das chuvas, o negócio de gado melhorou muito na região”, comemora Miranda.

Dono da empresa responsável pelos leilões de bovinos da Exposição Agropecuária de Montes Claros, o empresário Ailton Santos de Souza ressalta que, de fato, com a regularidade das chuvas, as pastagens foram recuperadas no Norte de Minas, o que está impulsionando as vendas de gado. “Está sobrando pasto e as expectativas de chuvas para 2018 e 2019”, observa Ailton, citando o reflexo na comercialização de gado na região. “Antes, o nosso mercado era vendedor. Agora é comprador.” Ele lembra que outro fator melhora o cenário para os pecuaristas: “Está faltando frango no mercado interno. Com isso, a tendência é aumentar o consumo de carne bovina, provocando a melhoria do preço”, salienta Santos. Segundo ele, a arroba de boi no Norte de Minas passou de R$ 130 para R$ 140.

CURSOS Durante a Expomontes, os pequenos agricultores têm direito a participação gratuita em cursos e oficinas, voltadas para a melhoria das atividades no campo. As capacitações são oferecidas pelo Serviço Nacional de Aprendizagem Rural (Senar), que montou no Parque de Exposições um stande que é uma réplica do antigo Mercado Municipal de Montes Claros. Segundo o gerente regional do Senar, Direceu Martins, são ofertados cursos como produção de polpa de fruta, produção de derivados do leite, confecção de artesanato e produção de carne defumada. São ministradas oficinas de produção de linguiça caseira e “desossação” de frango, entre outras. Ainda durante a Exposição Agropecuária, são realizadas uma série de palestras, voltadas para a melhoria da produção. Nesta quarta-feira, às 10h, será proferida a palestra “Queijo Canastra:Cooperativismo como agente de desenvolvimento regional”, com fala de João Carlos Leite, presidente da Associação dos Produtores de Queijo Canastra, do município de São Roque de Minas (Centro-Oeste). A iniciativa é do Serviço de Apoio à Pequena e Média Empresa (Sebrae Minas). Na quinta-feira, às 14h, haverá debate sobre a conservação de nascentes e o uso racional dos recursos hídricos, com palestra sobre o tema “Produtor de água”. O assunto será abordado pelo especialista Devanir Garcia dos Santos, da Agência Nacional de Águas (ANA).


No Parque de Exposições, foi montado um estande que é uma réplica do antigo Mercado Municipal de Montes Claros, construído em 1899 e demolido na década de 1960. O prédio era situado no Centro da cidade e ponto de encontro de pequenos produtores que ali negociavam. A réplica foi idealizada pelo Senar, pela Federação da Agricultura do Estado de Minas (Faemg) e pelo Sindicato Rural de Montes Claros. Outra atração da Expomontes é uma feira de produtos da agricultura familiar, com a participação de 40 pequenos sitiantes de comunidades rurais da região.

 

 

Africanos na Expomontes

(foto: Solon Queiroz/Esp. EM)
(foto: Solon Queiroz/Esp. EM)

A visita de 33 africanos participantes do Curso de Capacitação e Transferência de Tecnologia na Cultura do Algodão da Universidade Federal de Lavras (UFLA), por meio da Agência Brasileira de Cooperação do Ministério das Relações Exteriores, movimentou a 44ª Expomontes no sábado. Eles conheceram mais da cadeia produtiva dos alimentos, que não acaba na fazenda, como aponta o interprete André Martins Gomes. O grupo, com integrantes do Quénia, da Tanzânia, de Moçambique, do Zimbábue e do Malawi, está há uma semana no Norte de Minas e teve contato com alguns produtores rurais de diversas comunidades.

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