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O maior palavrão

'Para a geração do milênio, nada se cria, nada se decora. Vamos ser realistas, é bem mais fácil consultar São Google'


postado em 12/01/2020 04:00

 

 

 Ao levar meus filhos ao Parque Municipal, ligados no noticiário, nos divertíamos com a postura-descompostura de certo ministro do Supremo Tribunal Federal (STF). Vossa Excelência repreendia uma advogada que o chamou de 'você'. A rádio resgatou alguns dos mais ilustres bate-bocas entre ministros: “Vossa Excelência é uma desonra para o tribunal (...) com um temperamento agressivo, grosseiro, rude”, disse um. “Vossa Excelência, por favor, me esqueça”, retrucou outro. “Você é uma mistura do mal com o atraso, com pitadas de psicopatia.”

 

A cena já faz algum tempo, mas me lembrei dos supremos xingamentos ao presenciar uma conversa entre meus filhos. O menor, de 9 anos, e o adolescente, de 14, conversavam sobre quais seriam os maiores palavrões da língua portuguesa.

 

Acendi o alerta ao pegar o bonde andando, como se diz mineiramente. E fui ouvir a conversa alheia. Respirei aliviada ao perceber que se referiam às maiores palavras da língua portuguesa. Então, aprendi com eles algo surpreendente. Caiu em desuso o anti-inconstitucionalissimamente, que levei meses para decorar.

 

Tive alegria da destreza de ambos. De acordo com o Google, o termo antigo caiu em desuso. Com míseros 29 caracteres, perdeu assento para outro, com impressionantes 15 letras a mais. Com 44 caracteres, eis nosso palavrão mais atual: pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiose. De tão extenso, nem cabe na mesma linha. Segundo o dicionário de papel, designa uma doença que afeta o pulmão e a garganta, provocada pela inspiração de cinzas de vulcões.

 

Não tente decorar. Quem quiser que decore, como Eduardo e Bernardo, que gastaram o restante da manhã se divertindo, certamente para jogar na cara dos colegas, que então se esforçariam para memorizar, gerando o mesmo efeito dominó de antigamente.

 

Para a geração do milênio, nada se cria, nada se decora. Vamos ser realistas, é bem mais fácil consultar São Google. Pesquisando um pouco mais, meus garotos já atualizaram a versão do caso. A questão torna-se ainda mais complexa quando se sabe que o indivíduo acometido por essa doença é chamado de pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconiótico e, como sempre pode haver mais de um paciente, acrescenta-se o s no plural. Abram alas, portanto, à novíssima maior palavra do português, com 47 letras. Rendam-se aos pneumoultramicroscopicossilicovulcanoconióticos, conforme nos lembra o Blog da Miúda, de onde foram retiradas essas informações.

 

Diante de uma mãe já orgulhosa, meu filho decidiu ampliar ao máximo nossos conhecimentos delivery e quase sempre descartáveis. A maior palavra existente no mundo é: pionaliopecaedriajerkdivhdjaldkrjanekdociddonamzzaripdeecedeogeidofnsyejitecoalemmetpoadeclapenneaemahsjvukdubvgofndocvirorivobnidpodovusodurnrhyvudoenbhsfciofnpemerohivokri.

 

Utilizada na Salomênia Nórdica, que não faço ideia de onde fica, sinceramente, a expressão mais longa desse admirável mundo novo perfila 173 letras. Recomenda-se não tentar pronunciar isso. Para que, afinal? Jogamos no tradutor instantâneo da internet que, rapidamente, deu conta do recado. Com sua inconfundível voz metálica, a assistente do Google carregou no sotaque norte-americano.

 

Dudu invocou outra leitura, agora com acento norueguês ou finlandês, o mais perto dos idiomas falados nos países nórdicos. Ufa, constatei com alegria que não estava disponível a pronúncia em 'salomonês' (dúvida anotada no bloco mental: reclamar ou não?).

 

É difícil de acreditar, mas a tal maior palavra conhecida na Terra batiza o xingamento sobre um homem branco ex-escravo, porém, escravocrata, referindo-se a escravos de sua propriedade.

 

Em minha vez de procurar, descubro que o tradutor-mor oferece cerca de 100 idiomas, infinitamente menor que os 6.912 falados em todo o mundo, segundo registra o compêndio Ethnologue, maior inventário de línguas do planeta.

 

De onde se conclui (nota da autora), que sendo um xingamento, a dita-cuja nada mais é que um palavrão daqueles. Magistralmente falando.

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