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Estado de Minas CRISE BRASILEIRA

Como explicar tanta desigualdade no Brasil

A desigualdade social coloca o Brasil na rabeira do ranking mundial, apresentado nos últimos dias no Fórum Econômico Mundial, em Davos, na Suíça, com a vergonhosa octagésima posição


postado em 24/01/2020 04:00 / atualizado em 24/01/2020 07:46

(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press )
(foto: Gladyston Rodrigues/EM/D.A. Press )
A agressiva desigualdade entre indivíduos no Brasil continua nos encabulando nos foros internacionais. O Fórum Econômico Mundial, reunido esses dias em Davos, na Suíça, apresentou um Índice de Mobilidade Social que nos coloca na rabeira dos 80 países da amostra. Somos o 60º colocado no grupo. O índice do Fórum é composto por vários indicadores. Em alguns deles, somos quase o lanterna. Não admira que seja assim. Já começa pela carência de creches na primeira infância. O IBGE aponta o enorme percentual de crianças de até quatro anos deixadas com um vizinho ou cuidadas por um parente ou filho mais velho enquanto a mãe sai para trabalhar. Aí começa a desigualdade.

As diferenças de acesso se aprofundam ao longo da vida, aumentando a largura do fosso que separa ricos de pobres. A pesquisa foi ver como estava a assimilação de conhecimentos na escolaridade formal. Muito ruim para a maioria dos meninos e meninas. Há desestímulo ao aprendizado quando ninguém entende bem o que estão tentando ensinar.

Jovens de 15 a 17 anos nas comunidades já estão à toa, ou fazendo o que não devem, ou fazendo mais filhos. Tudo errado. Nessa faixa de idade, deveria haver um programa federal para o resgate de jovens por meio de educação com aprendizagens práticas sem a rigidez da escolaridade formal. Pelas nossas contas, 2 milhões de jovens de 15 a 17 anos deveriam estar cursando nesses Centros de Educação para o Trabalho. Estão largados à própria sorte.

Mas só a educação desigual não explica o sofrível acesso a oportunidades no Brasil. Outra fonte de tremenda desigualdade é a tributação forçada da massa da população. Aqui o pobre paga muito mais imposto do que o rico, proporcionalmente às rendas de cada um. Sempre foi assim. Governos sucessivos apelaram para adicionais nas contas mensais de eletricidade, no preço dos combustíveis, nos alimentos, tudo para criar uma poupança forçada com a qual se investiu no parque de estatais.

As empresas de energia surgiram assim. A Petrobras idem. O BNDES também. E a quem pertence hoje esse patrimônio empresarial acumulado de mais de R$ 1 trilhão? Ao povo que pagou a conta do investimento? Não. O governo responde: as estatais federais pertencem a mim, claro!. A União tem suas estatais. São Paulo, Minas e Rio, outras tantas. Quem se lembra do povo como dono? Nem como usuário é lembrado.

Exemplo da hora: de quem é a Cedae, companhia de águas do Rio que serve água inadequada ao consumo? O estado do Rio diz que é empresa dele. O município do Rio faz vista grossa, finge que não é com ele, e quem paga o pato é o carioca, que nem desconto na conta terá por ser obrigado a consumir água mineral. Os cariocas pagaram por cada tostão de investimento numa empresa que não os reconhece como donos e nem sequer os respeita como clientes cativos. E o índice do Fórum Econômico nem captura essa forma de desigualdade.

Agora querem “privatizar” mais estatais. Para onde irão os recursos da venda? Porventura para um fundo do INSS? Não. Para o caixa único do governo federal, para cobrir salários e aposentadorias milionárias do setor público. Para financiar, ano após ano, um déficit fiscal primário obsceno. Alguém identifica esse movimento financeiro como uma forma hostil de se manter e ampliar a desigualdade no Brasil? É raro se ouvir falar disso. Quanta tragédia financeira evitável!

Assim somos. Tiramos de muitos para redistribuir para poucos. Essa definição de um indicador específico de concentração artificial de capital ainda está faltando na pesquisa do Fórum. Se esse indicador existisse, nossa colocação no ranking seria até pior. Mas não culpemos ninguém nem nosso destino. Não há destino nisso. Há ignorância (da população, explorada, que nem desconfia de como é tosquiada) e malícia (por parte dos que se apropriam dos instrumentos de Estado para perpetuar a desigualdade). Consertar isso não demora nove gerações. Mas exige um choque de lideranças políticas comprometidas de fato com a eficiência e a equidade, em partes iguais.

Só a educação desigual não explica o sofrível acesso a oportunidades no Brasil. Outra fonte de tremenda desigualdade é a tributação forçada da massa da população’

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