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Os mitos da língua de Camões

O português exige empenho pra revelar seus mistérios. Tropeços em crases, preposições e concordâncias causam estragos. Evitá-los é possível. Basta estudar.


postado em 06/05/2020 04:00

Ontem se comemorou o Dia Mundial da Língua Portuguesa. Viva! O português, falado por 270 milhões de pessoas, figura no topo do ranking linguístico. É o quinto idioma mais usado no mundo, o terceiro no Ocidente e o primeiro no Hemisfério Sul. Sem dúvida, tem enorme relevância. Os falantes sabem disso? Os mitos respondem. Versões tantas vezes repetidas viram verdade.

"Última flor do Lácio, inculta e bela,/ És, a um tempo, esplendor e sepultura:/ Ouro nativo, que na ganga impura/ A bruta mina entre os cascalhos vela..."

Olavo Bilac



Língua de Deus
Para os muçulmanos, o árabe é a língua de Deus. Entre 6.800 idiomas, o Senhor escolheu o deles pra ditar a mensagem divina. O recado encontra-se no Corão, joia da literatura mundial.

Precisão
Para os nascidos na terra de Goethe, o alemão é sinônimo de precisão. O inimigo da ambiguidade não tem alternativa. É estudar alemão, ou estudar alemão. Por isso nove entre 10 filósofos escrevem no idioma que tem declinações e montões de palavras coladas umas nas outras.

Clareza
Os franceses se consideram donos da clareza. Montaigne, há 400 anos, disse que o estilo tem três virtudes – clareza, clareza e clareza. Parisienses & cia. afirmam que o estilo francês tem quatro – clareza, clareza, clareza e... clareza. O privilégio tem explicação. Chama-se escola de qualidade.

Dificuldade
E o português? O idioma de Camões cultiva vários mitos. Um deles: língua linda, mas muito difícil. Ninguém consegue dominá-la. Verdade? Não. As línguas de cultura apresentam dificuldade. Todas. O chinês, por exemplo, desafia os chinesinhos a interpretar 68 mil ideogramas. O árabe fala uma língua e escreve outra. Sai-se bem em ambas.

O segredo? Boa escola. Ensino de qualidade. Seriedade e dedicação. O português, como as demais línguas, exige empenho pra revelar os mistérios. Quanto mais se aprende, mais se sobe na escala do conhecimento. E mais liberdade se ganha.

Possibilidades
A língua é um sistema de possibi- lidades. Dominá-lo significa ampliar o leque de escolhas. A criança se vira muito bem com a palavra casa. À medida, porém, que descobre as nuanças de lar, residência, domicílio, morada, moradia, habitação, pousada & cia., comunicar-se-á com mais precisão e consciência. Voará mais alto. E ultrapassará obstáculos.

Degrau por degrau
Embora pequenos, tropeços em crases, preposições, concordâncias e outras manhas da língua causam estragos. Evitá-los é possível. Basta estudar. Aos poucos, como quem sobe uma escada, degrau por degrau, vai-se dominando a norma culta. Oba! O texto agradece. O leitor também.

De Voltaire
“Aprender várias línguas é questão de um ou dois anos. Ser eloquente na própria língua exige a metade da vida.”

Eça de Queirós ensinou
“Uma pessoa só deve falar, com impecável segurança e pureza, a língua da sua terra. Todas as outras as deve falar mal, orgulhosamente mal, com aquele acento chato e falso que denuncia logo o estrangeiro.”

Leitor pergunta
Aldir Blanc foi pro céu. Elis Regina o recebeu com a majestosa interpretação de O bêbado e a equilibrista. Deus, de longe, presenciava o encontro. De repente, uma dúvida o de- safiou. Bêbado ou bêbedo? O Senhor estudou português há muito tempo, lá pelo século 11. Estava meio esquecido. Com delicadeza, perguntou a Antônio Houaiss, que estava ao lado. Eu, aqui na Terra, fiquei curioso. Qual foi a resposta?

 José Ricardo, Brasília

O dicionário registra as duas grafias – bêbado e bêbedo. Escolha uma. A consequência é uma só. Acertar ou acertar.

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