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Estado de Minas

Baptista Chagas Almeida: Mandetta salva o dia da turbulência política

Ministro da Saúde tem aprovação ótima e boa de 76% da população em relaão ao combate do coronavírus


postado em 04/04/2020 04:00 / atualizado em 04/04/2020 08:15

O ministro Onix Lorenzoni (DEM) registrou sobre um aplicativo para celulares para identificar os trabalhadores informais que não estão cadastrados(foto: Reprodução/Ministério da Saúde)
O ministro Onix Lorenzoni (DEM) registrou sobre um aplicativo para celulares para identificar os trabalhadores informais que não estão cadastrados (foto: Reprodução/Ministério da Saúde)

 

 Números, números e mais números marcaram o dia político de ontem. As letras só reapareceram para comentar os números das pesquisas de opinião divulgadas. E o personagem do dia, mais uma vez, foi o Ministério da Saúde – é assim que o Instituto DataFolha tratou Luiz Henrique Mandetta, o ministro da Saúde. Aquele que o presidente Jair Bolsonaro afirmou, quinta-feira, que “o Mandetta já sabe que a gente está se bicando há algum tempo”.

 

Melhor, então, dar os números de uma vez. Pela ordem: o ministro Mandetta atinge 76% de ótimo/bom. Já no caso do presidente Jair Bolsonaro, foi mantido o seu patamar de 33% de ótimo e bom. Só que a reprovação atingiu 39%. Antes, era de 33%.

 

A margem de erro é de três pontos percentuais, para mais ou para menos. Ou seja, no limite dela. Entre os governadores, o resultado foi 58% de aprovação. Vale ressaltar que a pesquisa mediu a avaliação do desempenho diante do coronavírus.

 

Sob o comando do ministro da Fazenda, Paulo Guedes, trataram de economia. Em três meses, ele pretende gastar todo o orçamento dos ministérios. No meio do caminho, as reclamações do presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ), que vem cobrando já faz um bom tempo: “A ficha demorou a cair”, repetiu ontem.

 

Em seguida, foi a vez do ministro da Cidadania, Onix Lorenzoni (DEM). Ele registrou sobre um aplicativo para celulares para identificar os trabalhadores informais que não estão em nenhum cadastro do governo, mas têm direito de receber o auxílio de R$ 600.

 

Pedro Guimarães, presidente da Caixa Econômica Federal (CEF), foi na mesma toada, tratou do saque de R$ 600, o tal auxílio emergencial. O calendário ficou para segunda-feira, avisou o presidente da Caixa. É uma verdadeira corrida contra o tempo. Quem deve receber? Essa pergunta pode demorar a ser respondida.

 

E teve mais: claro que sobre o novo coronavírus. Lá estiveram o presidente do Banco Central (BC), Roberto Campos Neto, o ministro-chefe da Secretaria-Geral da Presidência da República, Jorge de Oliveira, e Luiz Eduardo Ramos ministro-chefe da Secretaria de Governo. E teve ainda o ministro da Controladoria-Geral da União (CGU).

 

O que importa, no entanto, é que eles precederam o ministro da Saúde, Luiz Henrique Mandetta, que esteve presente. Uai, não seria demitido? Resposta literalmente rápida do presidente da República: “Não”.

 
 
O avalista
“A fim de conferir maior segurança à operação, os créditos serão dados em garantia no âmbito de registradora de ativos financeiros e transferidos ao BC mediante a emissão de uma Letra Financeira Garantida (LFG), depositada em depositário central”, diz o BC. De acordo com o Banco Central, serão aceitos créditos com níveis baixos de risco, avaliados como AA, A e B, mediante exigência de garantia em valor superior ao do empréstimo, de forma proporcional ao risco das operações de crédito ofertadas em garantia.

Banco Central…
… informa mais uma vez: ou seja, quem dá o aval, é garantidor da dívida, assumindo o risco de que, se o devedor não pagar, ele será responsável pelo pagamento, com todos os seus bens. Esta modalidade de garantia existe para que, em operações de crédito em geral, os credores tenham a segurança de que a dívida será paga, se não pelo devedor principal, por aquele que assume o ônus solidariamente. O aval é uma garantia acessória, tem natureza pessoal e o avalista responde pela obrigação com todo o seu patrimônio.

Nota oficial
“O Governo do Brasil destinou mais R$ 9,4 bilhões para fortalecer a rede pública de saúde no enfrentamento ao coronavírus (COVID-19). A medida provisória que autoriza a utilização dos recursos pelo Ministério da Saúde foi publicada em edição extra do Diário Oficial da União na noite de quinta-feira. Agora, já são R$ 14,3 bilhões de incremento ao orçamento da saúde que foram destinados exclusivamente para o combate à doença – em março, o presidente da República, Jair Bolsonaro, já havia editado outra medida provisória, que concedia R$ 5 bilhões.” Fica o registro.
 
(foto: Aloisio Maurício/Foto Arena/Estadão Conteúdo %u2013 30/8/19)
(foto: Aloisio Maurício/Foto Arena/Estadão Conteúdo %u2013 30/8/19)
 
Não tinha…
… outro jeito. O presidente da República, Jair Bolsonaro (sem partido), teve mesmo que capitular em relação ao ministro Luiz Henrique Mandetta (DEM-MS). “Mandetta não vai pedir o boné mesmo com toda a adversidade.” A frase, em tom de aviso, veio de seu colega de partido, o presidente da Câmara dos Deputados, Rodrigo Maia (DEM-RJ) (foto), que fez questão de ressaltar ainda: “A despeito de todos os ataques que o ministro vem sofrendo do presidente Jair Bolsonaro”. Ah! A declaração foi feita por videoconferência, em evento com empresários.
 
PT na berlinda
Em meio a tudo isso na política nacional, tem ainda a Operação Lava-Jato da Polícia Federal (PF), em conjunto com o Ministério Público Federal (MPF). E o alvo foi o Partido dos Trabalhadores (PT). A encrenca vem da “ação civil pública que foi proposta em 16 de dezembro de 2019 com pedido de responsabilização por atos de improbidade administrativa contra a Construtora OAS, Partido dos Trabalhadores e 23 pessoas físicas”. Trata-se apenas de um detalhe pequeno envolvendo o bilionário rombo feito na Petrobras.
 
PINGA FOGO
 

"Vamos colocar nossa parte técnica para descobrir quem são os patrocinadores dessas pessoas que utilizam perfis falsos para poder usar as redes socais para depreciar as instituições, depreciar famílias, atentar contra a vida e as fake news"

(foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
(foto: Edilson Rodrigues/Agência Senado)
 
 A frase é do senador Ângelo Coronel (foto) (PSD-BA), que acrescentou: “Temos que banir, das redes sociais, os marginais digitais e também punir os seus financiadores”. Para registro: parlamentares da base do governo tentaram esvaziar a comissão e impedir sua prorrogação. Que medo é esse?

Em tempo: o presidente da República está com a viola no saco. Expressão popular que significa: calar-se, não ter como responder, não ter argumentos para contradizer. Exemplo: “Jair Bolsonaro, depois de ouvir, pôs a viola no saco e saiu”.

O governo tem aprovado pacotes e medidas de estímulo à economia no combate à crise da pandemia do coronavírus. Se as expectativas se voltarem para a incapacidade do governo em cumprir as obrigações fiscais no longo prazo, a desconfiança do mercado pode deteriorar.

Diante deste mau agouro que vem da professora de Economia e coordenadora do Núcleo de Estudos de Conjuntura Econômica da Fecap, Nadja Heiderich, o jeito é ficar por aqui por hoje. Tomara que a previsão esteja errada.

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