SUSTENTABILIDADE

Agricultura regenerativa reduz gastos com fertilizantes e recupera o solo

Modo de produção faz ainda mais sentido no contexto dos conflitos internacionais, como o do Irã, quanto o preço internacional dos fertilizantes aumenta muito

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A alta no preço dos fertilizantes - causada pelo mais recente conflito entre os Estados Unidos e o Irã - pode ser uma oportunidade para que os produtores rurais brasileiros se aprofundem no conceito da agricultura regenerativa e das técnicas agroecológicas para manter a fertilidade dos solos reduzindo o custo de produção. "O Brasil importa 85% dos fertilizantes minerais, mas temos tecnologias sustentáveis, que podem ser uma ferramenta interessante para manter a fertilidade do solo com custos menores", diz Márcio Stoduto de Mello, coordenador técnico de Fertilidade de solos da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural do Estado de Minas Gerais (Emater-MG). 

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Ele explica que os solos brasileiros são mais antigos que os da Europa e dos Estados Unidos, motivo pelo qual têm menos nutrientes: "O solo vem da rocha, que vem sendo triturada e misturada por milhões de anos para formar essa camadinha de solo que estamos sobre ela. Os territórios da Europa e da América do Norte são mais jovens, então ainda têm os nutrientes dos minerais primários. Nós já estamos nos minerais secundários, que são mais partidos e mais 'lavados'". 

Isso significa que, para obter uma produtividade próxima daqueles países, o produtor brasileiro precisa suplementar para as plantas os nutrientes que não estão mais no nosso solo. "O uso de fertilizantes aumenta muito o rendimento, mas essa agricultura convencional, que busca somente a alta produtividade, geralmente produzindo apenas um tipo de cultura, provoca a redução da biodiversidade do solo e a degradação ambiental", alerta Márcio.

"Essa foi a ideia inicial da agricultura no Brasil. Explorou nossos solos com aquela ilusão de que retirando a mata você manteria a fertilidade, porém aconteceu o oposto. Uma vegetação nativa está em equilíbrio. Se você for cortando aquelas árvores, vai formar um deserto, porque embaixo o solo é pobre. A necessidade do fertilizante se dá por este fator. São solos doentes, sem eficiência, sem micro-organismos, sem matéria orgânica, isso é que se torna insustentável", explica. 

Aplicando a agricultura regenerativa

Mas o coordenador técnico da Emater-MG garante que uma virada de chave está em curso no Brasil, apontando no caminho de um modelo tropical, que seria a agricultura regenerativa. A nova busca é por uma produtividade sustentável, protegendo as matas e regenerando a fertilidade do solo: "Você inverte o raciocínio. A produtividade, que estava lá no alto da escada, veio para último degrau. Com o longo prazo você vai adquirir essa produtividade, não tanto quanto eles conseguem lá, mas uma produtividade saudável, sustentável."

A ideia da agricultura regenerativa é minimizar o preparo do solo, diferentemente do que é feito quando se imita o que é feito na América do Norte ao usar a aragem (que é o processo de revolver a camada superficial do solo) e a gradagem (feito para para quebrar torrões, nivelar a superfície e até incorporar fertilizantes) do solo. “Quanto mais se revira, mais se degrada o solo e mais ocorre erosão, porque ele perde a liga fornecida pela matéria orgânica e a argila. É o chamado plantio direto, que ainda retém mais água, mais matéria orgânica e os micro-organismos que estão no solo. Com ele você protege toda essa parte ecológica”, relata Márcio. 

Aliada ao plantio direto, também é recomendado fazer a diversificação dos cultivos, a rotação de culturas naquele solo, que vai preservar a biodiversidade. Outra boa prática é manter sobre o solo a cobertura da cultura que você colheu, que impede que a chuva quebre a camada superficial do solo, prevenindo a erosão. Também podem ser usadas plantas de cobertura na entressafra, cultivos rápidos que, além de cobrir o solo, podem gerar renda. Além de fazer a cobertura, essa prática vai melhorar a fertilidade do solo porque aumenta a matéria orgânica das raízes, que ficam no solo, e a fixação de carbono.

A inclusão de recursos simples também pode dar bons resultados, como o uso de gesso agrícola (gessagem), que permite que as raízes se aprofundem no solo e atinjam a água do subsolo. A calagem usa o calcário para reduzir a acidez do solo, além de fornecer cálcio e magnésio. Já a rochagem usa os pós de rocha (principalmente o basalto, no caso de Minas Gerais), que são ricos em nutrientes e contribuem para a fertilidade do solo. 

Mas Márcio adverte que o retorno da maioria dessas práticas é de longo prazo: "Dentro de quatro a cinco anos é possível ver a melhoria na fertilidade do solo. Mas, é para sempre. Essa é a diferença. E você vai depender muito menos de comprar insumos externos."

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Ele ainda estimula a produção de biofertilizantes, que são adubos naturais ricos em microrganismos benéficos derivados da fermentação de matéria orgânica na propriedade rural com baixo custo.

Esse bioinsumo pode ser produzido a partir do aproveitamento dos dejetos animais, ou mesmo da manipueira de mandioca (resíduo do processo de fabricação da farinha) e da vinhaça da cana-de-açúcar (subproduto líquido da destilação do etanol). Sem o devido tratamento, todos esses resíduos têm potencial para poluir o meio ambiente, mas, depois de processados, são muito benéficos.

Esse biofertilizante contém NPK (adubo mineral composto por Nitrogênio, Fósforo e Potássio), micro-organismo, micronutrientes e matéria orgânica. O coordenador técnico da Emater-MG garante que uma esterqueira (para produzir o bioinsumo a partir dos dejetos de animais) custa de R$ 10 mil a R$ 15 mil, e que só no primeiro ano já é possível recuperar esse investimento ao não comprar Nitrogênio e Fósforo, fora outros micronutrientes.

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