O atual Mapa do Lúpulo Brasileiro mostra que Minas Gerais possui a maior área de produção de lúpulo do país, segundo os dados mais recentes da Associação Brasileira de Produtores de Lúpulo (Aprolúpulo). A flor da planta lúpulo é responsável pelo aroma e sabor da cerveja. Segundo o mapa atual, realizado em 2024, o estado conta com 26,67 hectares (ha) de área cultivada, enquanto São Paulo vem em segundo lugar com 21,02 ha e, em terceiro, Santa Catarina, com 15,60 ha.


A pesquisa sobre a produção de lúpulo em 2025 ainda não começou. No entanto, a Aprolúpulo informou que foi observada uma estabilidade no ano passado, no que diz respeito as áreas cultivadas e produtividades. Ainda conforme a entidade, ao todo, 13 estados brasileiros (Alagoas, Bahia, Distrito Federal, Espírito Santo, Goiás, Mato Grosso, Minas Gerais, Paraná, Piauí, Rio de Janeiro, Rio Grande do Sul, Santa Catarina e São Paulo) produzem lúpulo em 90 diferentes municípios.


Em relação ao número de produtores, Minas está em segundo lugar com 21, sendo que São Paulo está em primeiro, com 30. Em terceiro aparece Santa Catarina, com 12 produtores.


Os municípios produtores em Minas Gerais são: Alvorada de Minas, Andrelândia, Araguari, Carmo da Cachoeira, Carmo do Cajuru, Coqueiral, Dom Silvério, Gonçalves, Igarapé, Itajubá, Madre de Deus de Minas, Mateus Leme, Monte Santo de Minas, Poços de Caldas, Ponte Nova, Prata, Santa Rita do Sapucaí, Uberaba e Viçosa.


Em relação ao número de toneladas em 2024, Minas também ficou em segundo lugar no país com produção total de 17 toneladas. Já no estado de São Paulo a produção total foi 21 toneladas.


CAMINHO A SEGUIR

Segundo o pesquisador da Empresa de Pesquisa Agropecuária de Minas Gerais (Epamig) no Sul de Minas, João Roberto de Melo Rodrigues, o lúpulo é uma cultura muito nova no Brasil, sendo que, atualmente, o estado tem uma produção de 1% dentro da sua importação. “A gente tem uma importação aproximada de 3,5 mil toneladas e uma produção de cerca de 20 toneladas anual. Então, nós temos que entender um fato que ainda nós temos muito a fazer”, afirmou.

Rodrigues explica que a Epamig tem o objetivo de mostrar para os agricultores os caminhos que eles têm para desenvolver melhor as suas colheitas. “Porque ainda nós não sabemos os pontos de colheita e também sobre as pragas, a melhor adubação e qual a melhor planta para se cultivar, ou seja, temos ainda ‘n’ perguntas a serem respondidas para melhorar o manejo dessa cultura que é perene (que permanece durante longo tempo), sendo que fora do Brasil se falam até 15 anos para renovar um pomar e nosso país em nenhum local se chegou a esse período”, explicou.


O pesquisador disse que os empresários de Minas saíram na frente em relação às plantações de lúpulo. “Eles vêm contratando consultores e começaram a produzir colocando a conta em risco e não esperando a pesquisa do estado. Então, nós queremos chegar a um agricultor médio, pequeno e mostrar a cultura como alternativa. Mas hoje o que nós temos é um crescimento de alguns produtores que se aventuraram e esse pessoal decidiu inovar. Para mim a grande palavra do lúpulo é a inovação”, destacou.


Rodrigues lembrou que o lúpulo é uma planta que precisa de 15 horas de luz, diariamente. “No Brasil, algumas regiões têm no máximo 14 horas, sendo que a média no país é em torno de 12 horas de luz. Então, sempre há um déficit e, dessa forma, o empresário precisa iluminar a sua produção.”


Ainda conforme o pesquisador, a Epamig está com um projeto em fase de desenvolvimento. “Esse projeto é para 16 cultivares de lúpulo que serão plantados em três municípios (Lavras, Lambari e Três Pontas). Nós estamos estudando 16 cultivares para depois poder chegar ao agricultor e dizer: olha as melhores para a sua região são essas (determinadas variedades de lúpulo). E a preocupação nossa não é produtividade, mas as de interesse ao cervejeiro. A gente vai fazer um estudo econômico, inclusive produzindo a cerveja de forma ligada à pesquisa para que a gente mostre ao agricultor quais são os melhores caminhos para ele. Nós podemos pensar também em um melhoramento de plantas mais adaptadas às condições brasileiras”, explicou.


SAFRAS POR ANO

Em Uberaba, no Triângulo Mineiro, o Grupo Petrópolis investe desde 2023 em todas as etapas da produção da planta. A área onde há plantação é de dois ha, sendo que no local já foram realizadas quatro colheitas.


Segundo informações do consultor agrônomo Gabriel Fortuna, o lúpulo atinge a sua maior produtividade no terceiro ano de produção. “Em Uberaba, no segundo ano de produção a gente começou a reparar um aumento de produção. Para a safra desse início de ano estamos esperando uma produtividade média em torno de 300 gramas a 400 gramas de lúpulo seco por planta. E na próxima safra a gente espera que ela chegue a um potencial de 600 gramas até 800 gramas de lúpulo seco por planta”, disse.


Fortuna salientou a possibilidade de a produção em Uberaba fazer até três safras no ano. “Mas a gente está trabalhando com duas safras, pois conseguimos definir melhor janelas de colheita em épocas mais propícias para o desenvolvimento da planta, ou seja, em épocas que não há ocorrência de chuva de granizo, com menor incidência de ventos e em épocas também com temperaturas mais amenas. Esperamos que na safra de inverno a gente tenha uma produção e qualidade melhores que na safra de verão”, explicou.


De acordo com o Grupo Petrópolis, ao todo, desde 2023, já foram semeadas em sua área de 2 ha em Uberaba 5.600 mudas de lúpulo das espécies Comet e Cascade.

Pesquisadores trabalham buscando identificar qual a melhor variedade da planta para o território mineiro

EMBRAPA/DIVULGAÇÃO

 

APOSTA NO CRESCIMENTO

Segundo os dados mais recentes da Aprolúpulo, a área cultivada com lúpulo no Brasil apresentou retração em 2024 após um período prolongado de expansão. “O movimento está associado à reorganização do setor, com a saída de produtores de menor escala e redefinição de estratégias produtivas”, informou a associação. Em 2023, eram 111.8 há de área produzida da planta no Brasil, sendo que em 2024 foi para 95.4 ha. “Com relação à produção, em 2023 foram produzidas 88 toneladas no país, enquanto em 2024 foram produzidas 81,3 toneladas”, completou a entidade.


A Aprolúpulo considera que a estabilidade observada em 2025 e a consolidação das transformações iniciadas em 2024 vão resultar em uma expectativa de retomada do crescimento do setor neste ano. “A integração entre produtores, a ampliação da industrialização, a entrada de novos agentes com maior capacidade de investimento e o avanço da pesquisa aplicada despontam como vetores centrais desse novo ciclo”, complementou.


A associação também considerou que o fortalecimento de pontes com investimentos públicos e privados em pesquisa será fundamental para aumentar a segurança produtiva, a constância de qualidade e a produtividade no campo, criando bases sólidas para o posicionamento do lúpulo brasileiro no mercado cervejeiro global.


PASSO A PASSO

A produção de lúpulo é um processo agrícola e industrial que envolve desde o cultivo especializado até o processamento para uso cervejeiro, abrangendo etapas manuais e mecanizadas, exigindo manejo de iluminação e irrigação intensa. As principais etapas incluem:

1. Implantação e cultivo

• Seleção de mudas
Utilização de mudas de alta qualidade, geralmente produzidas por micropropagação, de cultivares adaptadas ao clima local (adaptadas ao Brasil desde 2015)

• Preparo do solo
O solo deve ser fértil, rico em matéria orgânica, drenado e com pH ideal entre 6,2 e 6,8.

• Sistemas de condução (treliças)
Como é uma planta trepadeira que pode ultrapassar 6 metros, exige estrutura com postes de eucalipto e arames para suportar os conduítes (cordas) onde a planta cresce

• Manejo e irrigação
A planta exige muita água (irrigação constante) e, em regiões tropicais, iluminação artificial complementar para garantir o fotoperíodo necessário (17 horas de luz) para estimular a floração

2. Colheita

• Ponto de colheita
Os cones (flores) femininos são colhidos quando atingem o aroma e teor de óleos ideais, geralmente com cor verde-clara e aroma intenso

• Corte
A planta é cortada na base e o topo da treliça é solto. O lúpulo é cultivado com ciclo de vida longo (15 a 20 anos) e rebrota após a colheita

• Colheita manual/mecanizada
Pode ser manual (para áreas pequenas) ou com máquinas especializadas para separar os cones das trepadeiras

3. Beneficiamento (pós-colheita)

• Secagem (kilning)
Os cones frescos (que têm alta umidade) são levados imediatamente para secadores (kilns) com ar quente para reduzir a umidade a cerca de 8% a 10%, garantindo a conservação e aroma

• Resfriamento e descanso
Após a secagem, os cones descansam para uniformizar a umidade

4. Processamento final (pelletização)

• Limpeza e processamento
As flores secas passam por máquinas que separam impurezas

• Pelletização
Os cones são moídos e compactados em formato de "pellets" (tipo T-90 é o mais comum) para facilitar o transporte, aumentar a vida útil e padronizar o amargor

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• Embalagem a vácuo
Os pellets são embalados a vácuo (com nitrogênio) para evitar oxidação e manter o frescor

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