ARTIGO

O El Niño chega e a água pede atenção de todos nós

Alguns cuidados valem para todos: a economia de água no dia a dia e a proteção das matas ciliares, que ajudam o solo a guardar água

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Heleno Maia

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Presidente do Comitê da Bacia Hidrográfica do Rio Paraopeba

Junho é o mês do meio ambiente. O dia 5, Dia Mundial do Meio Ambiente, nos convidou a olhar com mais cuidado para a natureza que nos sustenta e, na nossa região, não há tema mais ligado a ela do que a água. Por isso, aproveito para chamar sua atenção sobre um assunto que vai pedir a atenção de todos nós nos próximos meses.

Os centros de meteorologia do país já acenderam o sinal de atenção: há grande probabilidade de o El Niño voltar a influenciar nosso clima a partir do segundo semestre de 2026. Em Minas Gerais e na Bacia do Paraopeba isso costuma significar calor mais intenso, ondas de calor mais frequentes e chuvas que chegam de forma irregular, concentradas em temporais rápidos. Não é hora de pânico, mas é, sim, hora de planejamento.

Quero compartilhar com você uma ideia simples e importante: chover não é a mesma coisa que repor água na bacia. Quando a chuva vem forte e concentrada, boa parte dela escorre pela superfície e não se infiltra no solo. É a infiltração, lenta e constante, que recarrega nossas nascentes e os lençóis que abastecem rios, poços e torneiras. Por isso, mesmo em meses com pancadas de chuva, podemos conviver com períodos secos, os chamados veranicos, e com pressão sobre o abastecimento em parte dos municípios.

E aqui vai algo que talvez você não saiba: é bem provável que a água da sua casa comece na nossa bacia. Os reservatórios do sistema Paraopeba – Rio Manso, Serra Azul e Vargem das Flores – respondem por mais da metade da água distribuída pela Copasa na Grande BH, que abastece milhões de pessoas em dezenas de municípios. Quando cuidamos das nascentes, das matas e do uso consciente da água, estamos ajudando a garantir que a torneira continue cheia, principalmente em anos de clima mais difícil. Por isso esse assunto é de todos, e não apenas dos técnicos.

A Bacia do Paraopeba é diversa, e os efeitos do El Niño não são iguais em todo o território. Ainda assim, alguns cuidados valem para todos: a economia de água no dia a dia, a atenção redobrada com queimadas, especialmente perto de nascentes e áreas de mata, e a proteção das matas ciliares, que ajudam o solo a guardar água. Em períodos mais secos e quentes, também é maior o risco de incêndios e da proliferação do mosquito da dengue. Cuidar da água, portanto, é cuidar também da saúde e da segurança da nossa gente.

Mas o El Niño tem duas faces. Se de um lado pode trazer estiagem e calor, de outro aumenta a chance de temporais fortes e concentrados. Quando a chuva vem assim, o nível dos rios sobe depressa, e podem ocorrer transbordamentos e alagamentos nas áreas mais baixas e ribeirinhas. A nossa bacia conhece bem essa realidade e convive, com atenção permanente, com um grande número de barragens. A segurança dessas estruturas é responsabilidade das empresas que as operam e dos órgãos que as fiscalizam, mas o Comitê faz a sua parte: monitora as águas, dialoga com as prefeituras e com a Defesa Civil e ajuda a levar informação confiável até você. Em dias de chuva intensa, acompanhe sempre os alertas oficiais da Defesa Civil e dos órgãos competentes e desconfie de boatos. Informação correta, na hora certa, protege vidas.

É nesse ponto que a gestão das águas faz diferença. O Comitê é o espaço onde poder público, usuários da água e sociedade civil se sentam à mesma mesa para decidir, juntos, como cuidar da bacia. Instrumentos como o Plano Diretor de Recursos Hídricos e a aplicação dos recursos da cobrança pelo uso da água existem justamente para nos ajudar a enfrentar cenários como este, com prevenção e não apenas com remédios de última hora. Trabalhamos lado a lado com o IGAM, a ANA, a Agência Peixe Vivo e os demais parceiros para que a bacia esteja mais preparada.

Aos usuários da água, sejam empresas de saneamento, indústrias, produtores rurais ou o setor mineral, o convite é para revisar processos e reforçar o uso racional, sobretudo nos meses mais críticos. Aos moradores, ações simples somam muito: reaproveitar a água, evitar desperdícios, cuidar do quintal e da vizinhança contra focos de incêndio e de dengue, e procurar sempre informação de fonte confiável, fugindo do alarmismo que circula nas redes.

O CBH Paraopeba vai manter você informado ao longo deste período, com base sempre nos dados oficiais dos órgãos de meteorologia. Acompanhe nossos canais, tire suas dúvidas e compartilhe o que for útil com a sua comunidade. A água que sai da sua torneira é a mesma que nasce, corre e se recupera na bacia que dividimos. Que o cuidado com ela, lembrado de forma especial neste mês do meio ambiente, seja um compromisso do ano inteiro.

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Que o El Niño nos encontre atentos, unidos e preparados. A bacia é de todos nós.

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