Editorial

Maturidade institucional

A solução para o BRB partiu de um concerto institucional em torno da crise que há meses vinha sangrando o banco.

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Envolvido no maior escândalo financeiro ocorrido no país, o Banco de Brasília, enfim, começa a ver uma luz no túnel. O acordo firmado na última quinta-feira entre o Governo do Distrito Federal (GDF) e a União permitiu à instituição brasiliense adquirir um empréstimo de R$ 6,5 bilhões do Fundo Garantidor de Crédito (FGC). Nas palavras dos envolvidos na negociação, o socorro ao BRB foi estabelecido a partir de uma engenharia financeira relevante, que silenciou boa parte dos profetas do apocalipse que previam a derrocada do banco.

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Com o acordo, a nova gestão do BRB prossegue com o trabalho de adotar medidas de governança a fim de solidificar a credibilidade do banco junto aos seus clientes e ao mercado financeiro. Não interessa aos brasilienses, nem aos órgãos reguladores nem ao mercado ver uma instituição que há décadas atua em favor do Distrito Federal e, infelizmente, foi sequestrada pela ação deliberada de criminosos.


A solução para o BRB partiu de um concerto institucional em torno da crise que há meses vinha sangrando o banco. Foi fundamental a postura colaborativa adotada pelo governo federal. Na perspectiva do Palácio do Planalto e da equipe econômica, havia riscos e impedimentos concretos para a União ser avalista de uma operação de socorro ao BRB. Não haveria sentido comprometer recursos provenientes dos contribuintes para reparar malfeitos produzidos por uma organização criminosa. Apesar dessa restrição, ministros do governo Lula contribuíram na busca de uma solução. E chegou-se a uma solução, preservando a União de possíveis embaraços no processo de recuperação do BRB.


É importante salientar, ainda, a participação do Judiciário no entendimento institucional construído. Ao conduzir com sucesso duas audiências de conciliação, o ministro Luiz Fux, do Supremo Tribunal Federal (STF), deu legitimidade ao diálogo federativo. Ao coordenar o processo, tranquilizou os atores envolvidos nas negociações, bem como os clientes que depositaram suas economias no BRB, ou os brasilienses que têm uma genuína preocupação com o futuro do Distrito Federal.


Por fim, deve-se dar um crédito à governadora do Distrito Federal, Celina Leão, pelo novo momento do BRB. Independentemente do posicionamento político da atual titular do Palácio do Buriti, a gestora se dispôs a enfrentar as mais variadas críticas. Procurou agir com transparência, anunciando todos os passos que seriam tomados para sanar a crise financeira do banco. É provável que essas atitudes sejam insuficientes para evitar novas críticas na campanha eleitoral. Mas é do jogo político.

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O ponto central é o passo que foi dado para a recuperação de uma instituição brasiliense que acumulou ao longo de décadas uma reputação na capital federal. Ideologias são importantes e têm lugar na sociedade, mas o interesse público deve prevalecer. Não é justo punir os trabalhadores do BRB e os clientes do banco por malfeitos de seus antigos gestores. Esses, em algum momento, prestarão contas à Justiça.

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