Vida selvagem enfrenta perdas "catastróficas" enquanto florestas da França queimam
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Veados cercados por paredes de fogo, lagartos incapazes de escapar do calor, habitats reduzidos a madeira carbonizada e cinzas: a vida selvagem está pagando um preço elevado enquanto as florestas da França queimam.
Cerca de 42 mil hectares de floresta a oeste de Bordeaux foram consumidos pelas chamas desde quarta-feira, e as autoridades temem que a onda de calor prevista para esta semana dê novo fôlego ao incêndio.
Casas, áreas agrícolas e veículos foram destruídos pelo fogo na Gironda, mas a fauna também sofreu "perdas extremamente significativas", afirmou nesta segunda-feira (27) a ministra francesa da Ecologia, Monique Barbut.
Ainda é cedo para determinar um balanço preciso, "mas está claro que os números serão catastróficos", advertiu Barbut.
Em municípios fortemente atingidos, como Le Porge, na costa atlântica, quase "nada poderia ter sobrevivido" à intensidade dos incêndios, disse à AFP Laurent Tillon, do órgão florestal estatal francês.
"A potência e a energia liberadas foram grandes demais", afirmou o engenheiro do Escritório Nacional de Florestas.
– Natureza tornada inabitável –
Espécies ameaçadas, como o sapo-de-esporão-ocidental, que vive enterrado no solo, estariam entre os animais locais incapazes de suportar o calor extremo, a fumaça e as chamas, disseram especialistas em ecologia à AFP.
Animais de todos os tamanhos não foram poupados — desde o grande e chamativo lagarto-ocelado até a minúscula musaranha-etrusca, um dos menores mamíferos da Terra.
Os insetos morreram em massa, com efeitos duradouros para os animais que se alimentam deles, afirmou Grégoire Lois, ornitólogo do Museu Nacional de História Natural, em Paris.
As aves que habitam a região florestal — especialmente os passeriformes, que se alimentam principalmente de insetos — sofrerão as consequências muito depois de as chamas terem sido extintas.
"No ano que vem, aquela área será completamente inóspita", disse Lois à AFP.
Enormes volumes de cinzas poluem rios e córregos e prejudicam a vida aquática, afirmou à AFP Céline Sissler-Bienvenu, especialista em proteção animal e gestão de crises.
Ela destacou a tartaruga-europeia-de-lago, uma espécie de longa longevidade que foi fortemente afetada pelos grandes incêndios ocorridos na mesma região em 2022.
– Sem refúgio seguro –
Animais de deslocamento mais rápido, como os veados, conseguem fugir da ameaça imediata das chamas, mas enfrentam um perigo secundário ao serem forçados a entrar em áreas desconhecidas, disseram os especialistas.
Alguns ficam desorientados e acabam cercados por frentes de incêndio em movimento, enquanto outros correm para rodovias e linhas férreas, correndo o risco de colisões fatais.
A inalação de fumaça e de gases tóxicos também representa problemas imediatos e de longo prazo para a saúde, especialmente de animais menores, como as aves, afirmou Sissler-Bienvenu.
A perda do habitat e das áreas de alimentação representa outro desafio para os sobreviventes.
"Eles precisam encontrar um lugar em territórios que já estão ocupados por outros animais, com recursos limitados", explicou Lois.
O impacto dos incêndios sobre a vida selvagem — e a questão do que fazer a seguir — será discutido pelo gabinete do primeiro-ministro francês nesta terça-feira.
Barbut afirmou que reintroduzir espécies expulsas pelo fogo é uma tarefa complicada "quando já não existem mais florestas".
"A vida selvagem precisa de um habitat", concluiu.
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alb/np/rmb/am