Internacional

Mais de 260 imigrantes retornam à Nigéria após fugir de ataques xenófobos na África do Sul

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Um grupo de nigerianos repatriados da África do Sul após o aumento dos ataques contra imigrantes desembarcou nesta quinta-feira (11) em Lagos, constataram jornalistas da AFP.

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A violência contra estrangeiros tem abalado a África do Sul, onde grupos armados com bastões, chicotes e escudos marcharam por algumas regiões exigindo que pessoas sem documentos deixem o país até 30 de junho.

Estrangeiros denunciam intimidações e agressões de grupos que vão de porta em porta. Diante das ameaças, muitas famílias deixaram suas casas.

Gana, Moçambique e Maláui já repatriaram centenas de cidadãos nas últimas semanas.

A África do Sul abriga mais de três milhões de estrangeiros, pouco mais de 5% da população do país, segundo a agência nacional de estatísticas. O desemprego, porém, supera 30%, alimentando a hostilidade contra trabalhadores migrantes.

Um voo fretado com 262 nigerianos pousou em Lagos nesta quinta-feira. Outro grupo será evacuado em 15 de junho.

Cerca de mil cidadãos manifestaram interesse em deixar a África do Sul, segundo o governo nigeriano.

As autoridades sul-africanas afirmam ter concluído os trâmites de repatriação de 586 nigerianos que estavam no país em situação irregular. Segundo a polícia, eles possuíam passaportes e vistos vencidos.

"Todas as pessoas afetadas foram declaradas indesejáveis e, consequentemente, estão proibidas de retornar à África do Sul por um período de cinco anos", informou o governo sul-africano em comunicado.

"A África do Sul é um país perverso", afirmou uma das repatriadas, Emilia Godwin, de 45 anos, ao chegar a Lagos.

"Mesmo quando você solicita uma autorização de residência, eles aproveitam a oportunidade para prendê-lo e colocá-lo na cadeia", acrescentou.

A África do Sul é há décadas destino de trabalhadores africanos, tanto documentados quanto sem documentação regular. Desde 2008, o país registra episódios recorrentes de violência xenófoba, que já provocaram dezenas de mortes e obrigaram milhares de migrantes a abandonar suas casas.

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