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O que se sabe sobre o possível acordo entre Estados Unidos e Irã

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Estados Unidos e Irã parecem ter alcançado um acordo que, à espera da validação de Donald Trump, estenderia o cessar-fogo por 60 dias e estabeleceria uma estrutura para negociar uma paz duradoura.

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Nos últimos dias, ambas as partes mencionaram avanços nas discussões para um acordo, embora ao mesmo tempo tenham realizado ataques esporádicos que colocaram a trégua em risco.

As versões dos dois lados sobre esse acordo-quadro são frequentemente contraditórias, com divergências sobre o que o texto inclui e o que permanece excluído.

Por enquanto, os preços do petróleo voltaram a cair diante das expectativas de um acordo. Mas o que se sabe sobre o conteúdo do documento?

- Reabertura de Ormuz? -

Fontes americanas confirmaram à AFP uma informação publicada pelo portal Axios, segundo a qual as partes chegaram a um memorando de entendimento para prolongar a trégua e iniciar negociações sobre o programa nuclear iraniano.

Segundo esse marco proposto, o tráfego marítimo pelo estratégico Estreito de Ormuz não teria restrições, incluindo pedágios ou intimidações.

O Irã retiraria todas as minas em um prazo de 30 dias e os Estados Unidos suspenderiam seu bloqueio naval caso o trânsito comercial fosse retomado, informou o Axios.

A agência iraniana Tasnim, citando uma fonte próxima aos negociadores de Teerã, negou que o texto estivesse concluído e anunciou que qualquer acordo será comunicado ao Paquistão, que atua como mediador entre as partes.

Fontes iranianas citadas por veículos locais afirmaram que o acordo não será definitivo até ser anunciado por Teerã.

Já o vice-presidente americano, JD Vance, respondeu que a decisão final caberá a Trump.

- Ativos congelados -

O Irã havia afirmado anteriormente que preparava um acordo-quadro de 14 pontos para encerrar a guerra "em todas as frentes", incluindo o Líbano, onde Israel intensificou seus ataques contra o movimento pró-Irã Hezbollah.

As autoridades iranianas divulgaram apenas as linhas gerais da proposta, embora a imprensa local tenha publicado alguns detalhes adicionais.

Na segunda-feira (25), negociadores iranianos viajaram ao Catar para manter conversas que os meios estatais descreveram como parte do processo diplomático.

A agência Tasnim informou que Teerã buscava a liberação de cerca de 24 bilhões de dólares (R$ 121,1 bilhões) em ativos iranianos congelados no exterior como parte do acordo.

Cerca de 12 bilhões de dólares (R$ 60,6 bilhões) "deveriam ser disponibilizados no momento do anúncio do memorando", informou a Tasnim.

Não há uma cifra oficial sobre os ativos iranianos congelados no exterior, embora veículos locais tenham estimado recentemente o total entre 100 bilhões de dólares (R$ 504,5 bilhões) e 123 bilhões de dólares (R$ 620,5 bilhões).

- Programa nuclear -

Autoridades iranianas indicaram que os detalhes relacionados ao programa nuclear do país, um dos principais pontos de discórdia, seriam adiados para uma etapa posterior.

A imprensa iraniana afirmou que os níveis de enriquecimento nuclear e o destino dos estoques de urânio altamente enriquecido do Irã seriam discutidos durante os 60 dias posteriores ao memorando.

Trump insistiu em uma publicação nas redes sociais que espera que o Irã entregue seu urânio enriquecido aos Estados Unidos para destruição, ou que o destrua dentro do próprio país sob supervisão internacional.

Ainda não está claro o que o memorando dirá sobre a questão nuclear.

- Garantias -

Uma das principais exigências de Teerã são garantias de que Washington respeitará seus compromissos, especialmente depois que Trump ordenou, em seu primeiro mandato, a retirada unilateral dos Estados Unidos do acordo firmado em 2015 entre o Irã e seis grandes potências.

Segundo as informações publicadas, a minuta do texto estabelece que os dois países entrarão em um período de negociações de 60 dias após a assinatura do memorando. No entanto, não foram especificados os temas que serão tratados.

Se as partes chegarem a um acordo, o texto final será apresentado ao Conselho de Segurança da ONU para aprovação, o mais alto nível de garantia reconhecido pelo direito internacional.

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bur-dc/jfx/dbh/ahg/lm/aa

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