Animais
Pesquisadores encontram espécies até então desconhecidas em um dos territórios menos explorados da África
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A pesquisa mais recente integrou o projeto Cassai Life Atlas, coordenado pelo The Wilderness Project, organização fundada pelo explorador sul-africano Steve Boyes. Em fevereiro de 2026, uma equipe formada por 16 especialistas angolanos e pesquisadores internacionais percorreu pântanos, florestas alagadas, campos úmidos e áreas de vegetação nativa para produzir o levantamento mais detalhado já realizado na região. Foto: Reproduc?a?o/National Geographic -
O foco principal esteve em pequenos animais, como insetos, anfíbios, répteis, morcegos e outros mamíferos de pequeno porte, além da flora local. Os resultados surpreenderam até mesmo os pesquisadores. Entre os organismos mais curiosos identificados está uma aranha-caranguejo-coroada que apresenta brilho azul sob luz ultravioleta, fenômeno cuja função permanece desconhecida. Foto: Divulgação/Nicky Bay/The Wilderness Project -
Os cientistas também encontraram uma aranha tecelã capaz de imitar a aparência de joaninhas tóxicas, estratégia que provavelmente serve como proteção contra predadores. A expedição registrou ainda novas espécies de libélulas, gafanhotos, grilos, mariposas, borboletas e uma lagarta de coloração metálica semelhante ao cobre. Foto: Divulgação/Nicky Bay/The Wilderness Project -
Muitas dessas descobertas ainda aguardam análise detalhada e descrição formal por taxonomistas. Além das possíveis novidades para a ciência, os pesquisadores documentaram espécies raras e impressionantes já conhecidas, como a víbora-gabão, famosa por ter as maiores presas entre as serpentes venenosas (até 5 cm). Foto: Flickr - dw_ross -
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O levantamento também complementa pesquisas anteriores realizadas na região, incluindo estudos que registraram o chamado “elefante fantasma”, adaptado ao ambiente isolado do planalto. Esses animais receberam esse apelido por serem extremamente difíceis de observar na natureza, o que contribuiu para que permanecessem pouco conhecidos por anos. Foto: Reprodução -
As dificuldades enfrentadas pela equipe foram enormes. As atividades ocorreram durante o auge da estação chuvosa, período que transformou estradas em extensos trechos de lama. “Mais de uma vez, nosso comboio ficou atolado na lama por um dia inteiro. Também tivemos problemas com o motor de arranque, falhas no alternador, pastilhas de freio gastas e vários casos de malária na equipe", detalhou Taylor. Foto: Reproduc?a?o/National Geographic -
Apesar dos obstáculos, os pesquisadores aproveitaram cada parada forçada para ampliar as observações de campo e coletar novos dados. Para os especialistas, a importância do estudo vai muito além da descoberta de espécies inéditas; o objetivo principal consiste em compreender a biodiversidade local para garantir sua proteção. Foto: Divulgação/Nicky Bay/The Wilderness Project -
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A região enfrenta ameaças crescentes relacionadas à mineração, à expansão agrícola, ao desmatamento e ao aumento dos assentamentos humanos. Espécies com distribuição restrita ou dependentes de habitats muito específicos podem ser especialmente vulneráveis a essas transformações. Foto: Panoramio - Pavel Špindler -
Nos últimos anos, avanços importantes ocorreram na proteção da área. Em 2025, mais de 5,4 milhões de hectares do planalto receberam reconhecimento formal, e a Convenção de Ramsar classificou a região de Lisima Lya Mwono, conhecida como “Fonte da Vida”, como zona úmida de importância internacional. Foto: Reproduc?a?o -
“A longo prazo, esperamos que as conclusões (do levantamento) apoiem uma proteção mais robusta para o planalto — não apenas em termos de estatuto formal de conservação, mas também em decisões práticas de uso da terra no terreno”, acrescentou Taylor. Foto: Reproduc?a?o -