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Nem sempre as grandes histórias começam de forma grandiosa. Às vezes, elas surgem da troca de referências, da admiração silenciosa e da vontade de experimentar novos caminhos. Foi justamente assim que nasceu "Sessão da Tarde", primeira colaboração entre Voraz e Julies, lançada nesta quarta-feira (2). O single marca o encontro de dois artistas que construíram suas carreiras próximos ao reggae contemporâneo, mas que agora escolhem explorar uma estética mais pop sem abrir mão da autenticidade que os aproximou do público.
A música propõe uma reflexão sobre aquilo que permanece em um tempo marcado pela velocidade das relações. Em vez de falar sobre amores idealizados, a composição valoriza o cotidiano compartilhado, os momentos de tranquilidade e os pequenos gestos que, muitas vezes, sustentam os vínculos mais duradouros. É uma narrativa que encontra beleza justamente onde a vida costuma acontecer: nas conversas sem pressa, nos silêncios confortáveis e nas memórias que se constroem quase sem serem percebidas.
Essa proposta nasce de um processo coletivo de composição. Julies Mazarini assina a faixa ao lado de Tales de Polli, DEKO, Tercio de Polli e Willer Carvalho. O grupo buscou criar uma canção que despertasse lembranças afetivas desde a primeira audição, equilibrando uma letra intimista com uma melodia acolhedora. A presença de Tales e DEKO, indicados ao Grammy Latino de 2023 por "Lágrimas de Alegria", reforça a consistência criativa por trás do projeto.
Para Julies, o objetivo nunca foi apenas escrever uma música romântica, mas oferecer ao público uma sensação de conforto. "Essa música foi composta por mim ao lado do Tales, do Deko, Tercio e do Willer com a intenção de despertar uma sensação nostálgica em quem escuta. A gente queria criar algo gostoso de ouvir, que abraçasse as pessoas. No fim, acabamos contando a história de um amor que vive nos detalhes, naquele carinho do cotidiano. 'Sessão da Tarde' nasceu realmente desse lugar, e buscamos traduzir isso também na sonoridade, criando uma música que despertasse lembranças boas", afirma.
Uma parceria construída naturalmente
Embora Julies já estivesse diretamente ligado à composição, a ideia de transformar a faixa em uma colaboração partiu da Voraz. A conexão entre os artistas começou muito antes do convite para dividir os vocais. Eles já acompanhavam seus respectivos trabalhos pelas plataformas digitais e descobriram, quando se conheceram, que compartilhavam uma visão semelhante sobre música, composição e construção de carreira. A parceria acabou surgindo de forma natural, como consequência dessa afinidade.
Do lado da banda, o sentimento foi imediato. Diogo, vocalista da Voraz, acredita que a simplicidade é justamente o elemento que torna "Sessão da Tarde" especial. "'Sessão da Tarde' tem aquele sentimento de nostalgia, de um dia bom ao lado de quem a gente ama. É uma música complexa e simples ao mesmo tempo — e é exatamente aí que mora a beleza dela. A gente queria que as pessoas sentissem esse aconchego, essa leveza. Para a Voraz, esse lançamento representa também uma nova fase da nossa caminhada, agora em São Paulo, carregada de sentimentos bons e novas possibilidades", destaca.
Produção e nova fase
A produção musical ficou sob responsabilidade de João Victor Mendes, com coprodução de Gabriel Carvalho, parceiros frequentes da Voraz na CASITA. A longa convivência entre produtores e banda contribui para uma sonoridade madura e refinada, capaz de preservar a identidade dos artistas enquanto abre espaço para novas influências. O videoclipe, dirigido por Mazza e gravado na Cabana Yeshua, amplia esse conceito ao utilizar a natureza e a arquitetura do local como metáforas para a intimidade e o acolhimento presentes na canção.
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Com mais de 30 milhões de reproduções somadas, Voraz e Julies vivem momentos decisivos de suas carreiras. A banda prepara o lançamento do EP "Elemental", consolidando sua nova fase em São Paulo, enquanto Julies amplia seu reconhecimento como compositor e intérprete após trabalhos com Maneva, Planta & Raiz, Hevo84 e Expressão Regueira. Em comum, os dois projetos demonstram que a evolução artística pode acontecer sem abandonar as próprias raízes — e que, às vezes, basta uma boa canção para lembrar que as histórias mais marcantes continuam sendo construídas nos detalhes.
As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.
