Jaeci Carvalho
Jaeci Carvalho

Chega de oba, oba, estamos no país da Copa

Eu não gosto dessa "palhaçada" de comemorar antes. Lembro muito bem de Richarlyson e Tite dançando o "Pombo", e Messi levantando a taça

Publicidade

Mais lidas

Miami - Mais de mil convidados, show do desconhecido Dilsinho, peça de artistas desconhecidos e, finalmente, o técnico Ancelotti anunciou a lista dos 26 convocados, num espetáculo esdrúxulo no Museu do Amanhã. Amistoso no Maracanã, contra o Panamá, com show de Ivete Sangalo e centenas de convidados no camarote da CBF, entre eles o péssimo Luciano Huck, aquele mesmo que recebeu através de publicidade mais de R$ 160 milhões do bandido Daniel Vorcaro. E enfim o Brasil embarcou para a Copa do Mundo, chegando ontem em Nova Jersey, num belíssimo, confortável e seguro avião da Azul, que, aliás, foi usado pelos Roling Stones – olha que o tal Mick Jagger é o maior pé frio do mundo –, seria um prenúncio de uma péssima Copa? Espero que não, sai pra lá “pé gelado”. Noventa e nove pessoas na delegação e uma foto histórica no Galeão, tendo o avião ao fundo. Segundo informações, são 20 seguranças para a delegação. Para que tudo isso? Foi o que aconteceu nos amistosos aqui nos Estados Unidos, em março, fora os que são contratados no local.

Fique por dentro das notícias que importam para você!

SIGA O ESTADO DE MINAS NO Google Discover Icon Google Discover SIGA O EM NO Google Discover Icon Google Discover


Enquanto isso, Argentina, França, Inglaterra, Portugal, Espanha e outras delegações chegam sem fazer barulho. Saíram de seus países sem festa nenhuma, mas na volta pretendem sim fazer uma grande festa em caso de conquista. Eu não gosto dessa “palhaçada” de comemorar antes. Lembro muito bem de Richarlyson e Tite dançando o “Pombo”, e Messi levantando a taça e dançando um tango argentino, depois da conquista do tricampeonato, no Catar. A CBF não fazia festa antecipada. Foi muito bom sair do avião em que viemos do Japão, em 2002 – naquela época a gente viajava com a delegação – e ver o trio de Ivete Sangalo conduzindo os jogadores pelas ruas de Brasília. Aí sim, todo mundo comemorou, depois de ganhar o penta. Pensei que, por ser europeu, Carlo Ancelotti iria proibir festas antecipadas, mas ele foi engolido pela correnteza e não lhe restou outra alternativa a não ser participar da festa. A cara de poucos amigos, ao ver o espetáculo dantesco na convocação, mostrou sua insatisfação.


Espero que daqui pra frente, até a estreia, dia 13, contra o Marrocos no Met Life Stadium, estejam todos concentrados na Copa do Mundo, pois ela já começou. Ingressos caríssimos, hotéis com preços absurdos, mas o que importa é que o Brasil quer o hexa. O povo pode estar passando fome, o país desgovernado, mas o “pão e o circo” não podem faltar. Tenho uma postura crítica com relação a isso tudo, mas, de agora em diante (from now on), como dizemos em inglês, vou concentrar minhas energias positivas no time canarinho. São 45 anos voando esse mundo atrás da Seleção, mas também me recuso a ficar 40 dias, como já fiquei grudado nos jogadores e comissão técnica, mesmo porque, no passado, a gente entrevistava os jogadores e tinha contato com eles nos treinos e nos hotéis. Hoje é tudo fechado e a imprensa só pode assistir 15 minutos do aquecimento e é obrigada a se retirar. Os entrevistados são escolhidos pelo departamento de imprensa da CBF e realmente é jogar dinheiro fora uma cobertura assim. Vou aos jogos do Brasil, num bate-volta, de Miami para Nova Iorque, com 2h30 de viagem. Desde a Copa de 2018, tomei a iniciativa de cobrir o torneio e não mais o Brasil, e, como moro em Miami, vou cobrir os jogos aqui no Hard Rock Stadium, que a Fifa obriga a chamar de Miami Stadium, pois não admite namerights em jogos da Copa do Mundo.


Tenho uma máxima de que não me importa quem seja o técnico ou os jogadores convocados. Botou a amarelinha, eu torço sim pelo Brasil, mas sem ser “pachecão” e sempre com um olhar crítico que todo jornalista de verdade deve ter. Jornalista raiz, coisa rara nos dias atuais em que empresas trocam o bom jornalismo por influencers e torcedores. Vocês viram pseudos-jornalistas gritando e vibrando com a convocação de Neymar, num espetáculo deprimente no Museu do Amanhã? Foi a primeira vez que vi cena tão constrangedora. E as “neymarzetes”, só faltaram soltar foguete. São os novos tempos, em que o Globo Esporte de São Paulo contratou um tal Fred Bruno, que mal sabe falar e que está dando um ibope bem abaixo do esperado, correndo sério risco de demissão. Mas ele é “influencer”, embora seja jornalista formado, e leva com ele, segundo dados, uma legião de fãs, que na verdade são os robôs da internet, que computam milhões de seguidores fakes. Não é só ele não, são vários influencers que usam essa estratégia.

Siga nosso canal no WhatsApp e receba notícias relevantes para o seu dia


Entendo que o mundo se modernizou e que temos que acompanhar isso, mas sem jamais abrir mão do verdadeiro jornalismo, com críticas e elogios no mesmo tom. Como diria meu mestre na TV Globo, Armando Nogueira: “Elogiar, sem bajular, criticar sem agredir”. O que vamos hoje são bajuladores de jogadores que adoram dancinhas, pintar os cabelos e usar fones gigantescos para ignorar os jornalistas de verdade. É esse Brasil que estará em campo, contra o Marrocos, dia 13, no Met Life. Boa sorte Brasil, respeite sua gente e jogue com amor à camisa, não ao dinheiro. O oba, oba acabou, agora é Copa do Mundo, e só fará festa no final aquele que erguer a taça Fifa.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

Tópicos relacionados:

copa-do-mundo futebol selecao-brasileira

Acesse o Clube do Assinante

Clique aqui para finalizar a ativação.

Acesse sua conta

Se você já possui cadastro no Estado de Minas, informe e-mail/matrícula e senha. Se ainda não tem,

Informe seus dados para criar uma conta:

Digite seu e-mail da conta para enviarmos os passos para a recuperação de senha:

Faça a sua assinatura

Estado de Minas

Estado de Minas

de R$ 9,90 por apenas

R$ 1,90

nos 2 primeiros meses

Aproveite o melhor do Estado de Minas: conteúdos exclusivos, colunistas renomados e muitos benefícios para você

Assine agora
overflay