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Ivan Drummond
Repóter de Polícia e Esportes. Participei da cobertura e sete edições dos Jogos Olímpicos, Cobertura Copa do Mundo. Ganhador de dois Prêmios "Esso", em 1985 e 1987. Ganhador Prêmio Nacional Petrobras, com a série de matérias "Hilda Furacão"
HISTÓRIAS DO ESPORTE

Copa é momento de injustiças com nossos craques

Dirceu Lopes, Raul, Joãozinho, Reinaldo... Muitos jogadores mineiros, ou que atuavam no estado, foram preteridos em períodos de Copas do Mundo

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Injustiça. Ah, a injustiça. Em termos de Seleção Brasileira, de Copas do Mundo, isso acontece constantemente. Mais precisamente na Copa do México, em 1970. Aliás, essas injustiças começaram na “ditadura”, que tinha forte influência no futebol brasileiro, especialmente na Confederação Brasileira de Desportos (CBD), que mais na frente se tornou CBF.

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E a primeira vítima foi um jogador mineiro: Dirceu Lopes. Isso mesmo. Ele foi convocado por João Saldanha para as Eliminatórias da Copa de 70. Aliás, os mineiros sempre foram os mais prejudicados nos times montados para os Mundiais, como veremos.


A convocação ocorreu de maneira estranha, pode-se dizer assim, pois Saldanha chamou Dirceu para ser o centroavante reserva, para atuar na posição de Tostão, caso esse não pudesse estar em campo.
Dirceu era meio-campista do Cruzeiro, mas isso pouco importava para Saldanha. Ele queria os melhores no seu time. E Dirceu era um deles.


Pois o Brasil se classificou em primeiro na chave. Estava no México, em busca do tricampeonato. Lá estavam reunidos, como passaram a ser chamadas, “as feras do Saldanha”. A expectativa era grande. A confiança no título também. A torcida estava ao lado da Seleção.


Só que a “ditadura” iria intervir. O Governo Emílio Garrastazu Médici, então presidente do Brasil, não aceitava João Saldanha, um comunista de carteirinha, no comando da Seleção. Mas como um país que era comandado pelo exército poderia ganhar, ser campeão, com um técnico comunista?
Pois deram um jeito. Médice mandou um recado para João Havelange, então presidente da CBD, mandando destituir Saldanha. Pois Zagallo assume o comando do time e comete um grande crime. Corta Dirceu Lopes.


Para seu Lugar, estranhamente, é chamado um jogador de quem Médice era fã: Dario. Não que o atleticano não merecesse. Mas a injustiça não tem perdão. Quem pagou foi um dos maiores craques que o país já produziu.


A injustiça contra jogadores mineiros ou atletas de clubes de nosso estado não pararam por aí. Tinha mais. Assim como com outros craques.


Vem a Copa de 1974, na Alemanha, mas o injustiçado da vez não é um mineiro e sim carioca. Era um período difícil, pois Pelé, Tostão e Gerson decidiram encerrar a carreira na Seleção. Mas havia uma esperança: Zico, o “Galinho de Quintino”, que despontava no Flamengo. Pois ele ficou de fora, Zagallo seguia no comando da Seleção, mas não o chamou.


Chegam as Eliminatórias da Copa de 1978, na Argentina. O Brasil está num grupo com Colômbia e Paraguai. Na estreia, empate por 0 a 0 com os colombianos, em Bogotá. No segundo jogo, derrota para o Paraguai, por 1 a 0, em Assunção.


Essa derrota custou o corte de um craque: Falcão. Mais uma vez a intervenção da “ditadura”. O técnico era um capitão do exército, Cláudio Coutinho. E por divergências de posicionamento político e esportivo, Falcão foi cortado e ficou de fora da Copa da Argentina.


Joãozinho ficou de fora e Zé Sérgio foi em seu lugar. Só que era infinitamente inferior ao ponteiro celeste. Para se ter uma ideia, não seria nenhum absurdo dizer: Deus foi justo, ao nasceu, primeiro Garrincha, para depois nascer Joãozinho, pois se os dois são de uma mesma geração, não existiria defesa que desistisse.


Vem a Copa da Espanha, 1982. De uma só vez, um atentado contra o futebol mineiro. Poderíamos dizer até que “em massa”. De uma só vez, três craques mineiros foram alijados.


Raul, o melhor goleiro da época – é paranaense, mas fez a carreira no Cruzeiro. Estava no Flamengo. O lateral direito Nelinho e a pior ausência de todas. Reinaldo, algo imperdoável. Com ele, as chances de ganhar a Copa aumentariam enormemente.


Dunga assume a Seleção para a Copa de 2010 e teimosamente não convoca os três melhores jogadores do Brasil: Neymar, Ganso e Ronaldinho Gaúcho. Um absurdo, apontado como causa da eliminação.


.E este ano? Temos injustiças? Para alguns, sim, como as ausências de Pedro e João Pedro. Para mim, muito mais o fato de termos dois laterais reservas, no lado esquerdo, Douglas e Alex Sandro. E deixaram para trás uma revelação da posição: Kaiki. E ainda deixaram o Matheus Pereira de fora.

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Mas vamos pra mais a Copa. Espero que para ter alegria e não decepções e raiva.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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