Fabiano Moraes
Fabiano Moraes

Byel, o influenciador que virou político? Críticas explosivas após anúncios

A entrada do influenciador digital Byel na disputa pelo governo de São Paulo acendeu o alerta em setores da política e da sociedade civil.

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Com milhões de seguidores nas redes sociais e fama entre o público jovem, o criador de conteúdo agora busca transformar engajamento online em capital eleitoral. Mas a proposta de candidatura foi recebida com críticas e desconfiança.

A principal preocupação de especialistas e opositores está na falta de experiência administrativa e política do influenciador. Para muitos, a iniciativa soa mais como um projeto de autopromoção do que uma proposta séria de governo.

“Ser popular na internet não é o mesmo que estar preparado para comandar um estado com 44 milhões de habitantes. É preciso entender de gestão pública, ter equipe técnica, conhecer leis, orçamento, saúde, segurança e educação. Não dá para improvisar”, afirmou um professor de ciência política da USP.

A crítica ganhou força após Byel afirmar, em vídeos publicados em suas redes, que sua candidatura representa “o povo real das ruas” e que sua independência de partidos tradicionais é um trunfo. “Não tenho rabo preso com ninguém. Chega de político profissional enganando a população”, declarou.

Apesar do discurso de renovação, a falta de propostas concretas e o desconhecimento de temas complexos da administração pública têm sido alvos de questionamento. Internautas e figuras políticas se dividem entre quem vê potencial de mudança e quem enxerga oportunismo.

“Isso tem tudo pra ser mais um caso de celebridade surfando no momento político para ganhar visibilidade. A gente precisa de governantes, não de influenciadores”, disse um vereador da capital paulista, que pediu anonimato.

Byel, no entanto, tem apoio de parte da juventude que se sente alheia ao debate político tradicional. Seus seguidores defendem que ele representa uma voz nova e legítima, capaz de romper com os vícios da política de gabinete. Para esse público, a falta de vínculos com partidos consolidados é vista como qualidade — não como fraqueza.

Casos anteriores mostram que celebridades e personalidades da internet podem sim conquistar votos. O Brasil já elegeu de humoristas a ex-apresentadores de televisão, passando por youtubers e ex-jogadores de futebol. A dúvida que paira sobre a candidatura de Byel é se ele conseguirá ir além do apelo digital e se provar como uma liderança capaz de administrar o estado mais importante do país.

As convenções partidárias, marcadas para o segundo semestre, devem confirmar oficialmente os nomes que disputarão o Palácio dos Bandeirantes em 2026. Até lá, Byel terá que mostrar que tem mais a oferecer do que curtidas e compartilhamentos.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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