Educando Seu Bolso
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Em um mundo de inteligência artificial, olho no olho ainda é melhor

Aplicativos de bancos apostam cada vez mais em inteligência artificial. Mas entender hábitos e emoções ainda exigem algo que nenhuma IA consegue substituir.

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Por Isabel Gonçalves

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Hoje em dia, dá para abrir o aplicativo do banco e, antes mesmo de procurar alguma informação, já recebemos uma sugestão de investimento ou oferta de empréstimo. Logo abaixo, uma análise dos seus gastos. Se você procurar mais um pouco, uma inteligência artificial já preparou recomendações personalizadas para ajudar você a economizar..

Mas existe uma pergunta importante que nem a tecnologia mais avançada consegue responder sozinha. Por que você continua tomando as mesmas decisões financeiras que prometeu não repetir? É justamente aí que entra o fator humano.

Embora a IA esteja transformando o mercado financeiro, quando o assunto é organização financeira, mudança de hábitos e construção de patrimônio, o olho no olho continua sendo um diferencial difícil de substituir, e a gente vive isso na pele. 

A inteligência artificial chegou nas finanças

A presença da IA no mercado financeiro vêm crescendocada vez mais. Dados da Pesquisa Febraban de Tecnologia Bancária mostram que investimentos em ferramentas de inteligência artificial e IA generativa aumentaram mais de 60% recentemente.

Hoje, bancos, corretoras e fintechs já utilizam inteligência artificial para responder dúvidas, recomendar produtos, analisar investimentos e oferecer atendimento personalizado. Como é o caso do Inter com a Seven, o Mercado Pago com o Assistente Pessoal de IA e outros como Itaú e BTG Pactual. 

Além disso, com o Open Finance, fica tudo mais simples. As plataformas conseguem juntar contas de diferentes instituições, categorizar despesas automaticamente e até prever tendências de consumo. Mas será que isso é suficiente para resolver o problema do endividamento no Brasil? A resposta curta e grossa: não.

Inteligência artifical ajuda a sair das dívidas?

Se organizar financeiramente fosse apenas uma questão matemática, simplesmente ninguém teria mais dívidas. Grande parte das pessoas sabe que deveria gastar menos do que ganha. Sabe que deveria formar uma reserva de emergência. Sabe que não deveria parcelar tudo em doze vezes. 

E mesmo assim, os problemas financeiros continuam existindo, e pior, aumentando. E isso acontece porque cuidar do dinheiro envolve psicológico e emoção.

Nós do Educando Seu Bolso, oferecemos consultoria financeira pessoal há um tempo, e logo no início, com casos reais, percebemos que tratar das finanças também envolve cuidar da vida, dos hábitos e das relações, seja com o outro, com o dinheiro ou com nós mesmos. E vamos te mostrar isso com casos reais. 

Compras por impulso não aparecem na planilha

Uma pessoa que atendemos estava passando por um período de estresse em casa. Ela tinha terminado um relacionamento e estava responsável pela filha sozinha. 

Anotando os gastos na planilha, percebemos que a grande maioria deles era pra filha. Seja uma aula de natação, uma roupa nova ou um simples compra “porque ela quis’.

No final, a planilha mostrava apenas o gasto. Mas nós conseguimos perceber que existia um comportamento emocional por trás de cada compra e, com sensibilidade, foi possível analisar quais gastos poderiam ser mais controlados e quais eram realmente essenciais. 

A IA pode ate identificar o padrão. Mas só uma conversa com o ser humano vai permitir detectar a verdadeira causa. 

Cada história financeira é diferente

Um dos comportamentos mais comuns em consultorias financeiras é quando uma pessoa com boa renda tem muita dificuldade em economizar. À primeira vista, isso parece contraditório.

Mas quando a conversa avança, surgem questões que nenhum extrato bancário mostraria.

Muitas vezes, como a família passou por dificuldades no passado, a pessoa valoriza a abundância e o luxo (considerado desnecessário por outros). Também pode ser a necessidade constante de agradar os outros ou a sensação de que merece uma recompensa depois de anos trabalhando muito.

São fatores que influenciam diretamente as decisões financeiras, mas que dificilmente aparecem em um relatório automatizado.

O que a consultoria financeira faz que a inteligência artificial não faz?

Ouvir e sentir e ter empatia. É justamente isso que diferencia nós, humanos, das máquinas. Uma IA não sabe o que é fazer uma compra por impulso, porque ela não tem emoções. Não sabe se vale a pena comprar um presente caro para alguém que ama, porque ela é incapaz de sentir amor.

Além disso, pesar de 81% dos brasileiros usarem o celular como principal canal bancário, 32% ainda anotam despesas em papel ou caderno, segundo dados da pesquisa da Febraban. O “controle analógico” ainda existe porque anotando no papel, a gente para pra pensar em tudo que foi gasto, e não terceirizamos o pensamento para um computador. 

A inteligência artificial consegue analisar dados. Já os profissionais conseguem interpretar pessoas. 

Um profissional enxerga o que os números não mostram

Durante uma conversa, surgem detalhes que dificilmente apareceriam em um comando enviado para uma IA.

Muitas vezes, o problema não é falta de conhecimento financeiro. A pessoa sabe exatamente o que deveria fazer. O desafio é colocar o plano em prática.

Nesses casos, o papel do consultor não é apenas indicar um caminho, mas ajudar o cliente a construir disciplina, estabelecer prioridades e manter a motivação.

A mudança de hábito exige acompanhamento

Quem já tentou começar uma dieta sabe como funciona. Ler sobre alimentação saudável é relativamente fácil. Difícil é manter os hábitos ao longo dos meses.

Com as finanças acontece algo parecido. Uma inteligência artificial pode montar um excelente plano financeiro. Mas quem vai ajudar quando surgir a vontade de desistir? Quem vai adaptar o planejamento diante de uma mudança de emprego, nascimento de um filho ou separação?

É nesse momento que o acompanhamento humano ganha valor.

Nem todo problema financeiro tem resposta pronta

A maioria não tem, afinal tudo depende de como você leva a sua vida. Algumas decisões envolvem muito mais do que números.

Vender um imóvel? Ajudar financeiramente um familiar? Trocar estabilidade por um negócio próprio? Antecipar a aposentadoria?

Existem cálculos envolvidos, claro e até ferramentas como os nossos simuladores para te ajudar. Mas também existem valores pessoais, expectativas e objetivos de vida.

Nessas situações, a melhor resposta raramente sai apenas de uma análise automatizada.

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Conclusão: quem cuida melhor do seu dinheiro, a IA ou você?

No fim, uma reunião da consultoria com aquela mulher recém separada mais parece uma sessão de terapia. E tá tudo bem, isso nos ajuda a entender como ela lida com tudo que tem acontecido ao redor e como isso influencia a maneira que ela lida com as finanças.

A inteligência artifical pode até ajudar a lidar com a enorme quantidade de dados que produzimos diariamente, organizando informações. Ela também já está transformando a forma como lidamos com o dinheiro, facilitando pagamentos e torna serviços financeiros mais acessíveis.

Mas a verdade é que existe um limite para aquilo que os algoritmos conseguem resolver. Mas muitas vezes é uma conversa humana que ajuda alguém a encontrar coragem para seguir o melhor caminho.

As opiniões expressas neste texto são de responsabilidade exclusiva do(a) autor(a) e não refletem, necessariamente, o posicionamento e a visão do Estado de Minas sobre o tema.

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