PROTOCOLOS ADAPTADOS

Envelhecimento: dentista se adapta para atender idosos em casa

Com mais idosos, pacientes crônicos e demanda por cuidado contínuo, especialistas levam atendimento odontológico com segura té a casa do paciente

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O avanço do envelhecimento populacional e a pressão por modelos assistenciais mais eficientes têm ampliado a demanda por atendimento domiciliar no Brasil, movimento que já impacta diretamente a odontologia.

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Dados do IBGE mostram que a população com 60 anos ou mais saltou de 22,3 milhões para 35 milhões entre 2012 e 2024, crescimento de 57,4%, reforçando a transformação do perfil assistencial no país.

Para a cirurgiã dentista Cristiane Vasconcellos, referência nacional em odontologia para idosos, pacientes acamados e pessoas com deficiência, o avanço do atendimento domiciliar exige mais do que deslocar equipamentos para dentro da casa do paciente.

“Não basta somente levar o consultório para dentro de casa. É necessário adaptar protocolos, equipamentos e abordagem clínica para garantir segurança e eficácia. O ambiente domiciliar exige decisões clínicas diferentes, planejamento e preparo técnico específico”, afirma.

A discussão ganhou força à medida que operadoras, hospitais e serviços de saúde passaram a ampliar estratégias voltadas à desospitalização e à continuidade assistencial, especialmente para idosos, pacientes acamados e pessoas com deficiência.

Nesse processo, a saúde bucal deixou de ser um cuidado periférico e passou a integrar discussões mais amplas sobre prevenção, qualidade de vida e redução de complicações clínicas.Segundo a especialista, a ausência de acompanhamento odontológico adequado pode agravar quadros sistêmicos e aumentar riscos assistenciais.

“Infecções bucais, dor, dificuldade de alimentação e processos inflamatórios persistentes podem comprometer a recuperação de pacientes fragilizados. Em muitos casos, a odontologia preventiva ajuda a evitar agravamentos que acabam exigindo intervenções mais complexas”, diz.

A adaptação técnica envolve desde equipamentos portáteis até protocolos de biossegurança, como a esterilização rigorosa dos instrumentais transportados e o uso de barreiras de proteção descartáveis para evitar contaminação cruzada, além de ergonomia clínica e avaliação individualizada do ambiente.

Os atendimentos exigem uma triagem cuidadosa e definição precisa da conduta, da definição do plano de tratamento.

Cristiane atua há mais de 25 anos com atendimento odontológico domiciliar e hospitalar e, segundo ela,  o perfil dos pacientes atendidos também mudou nos últimos anos. “Antes, havia uma percepção de que o atendimento domiciliar era uma solução pontual. Hoje, ele integra uma jornada de cuidado mais estruturada, especialmente para pacientes com mobilidade reduzida, doenças neurodegenerativas, limitações motoras ou recuperação clínica prolongada.

Expansão do home care amplia necessidade de capacitação técnica

A tendência também abre espaço para a especialização profissional em uma área ainda pouco explorada dentro da odontologia brasileira. A Agência Nacional de Saúde Suplementar (ANS) mantém a atenção domiciliar entre os modelos assistenciais monitorados dentro da estratégia de cuidado continuado, reflexo de uma reorganização mais ampla da assistência à saúde no país.

Na odontologia, esse movimento amplia a demanda por profissionais preparados para atuar fora do ambiente convencional, com formação prática específica e integração multidisciplinar.Além do impacto na assistência, a ampliação do home care também dialoga com discussões sobre humanização do cuidado e racionalização de custos no sistema de saúde. Com a população envelhecendo e a demanda por atenção contínua aumentando, a odontologia tende a ocupar espaço mais estratégico dentro desse novo modelo assistencial.

Perfil

Cristiane Vasconcellos é cirurgiã-dentista, mestre em clínica odontológica integrada e diretora clínica da Odontolar, em Vitória (ES). Atua há mais de duas décadas no atendimento odontológico voltado a idosos, pessoas com deficiência e pacientes com mobilidade reduzida, com foco em atendimentos hospitalares, em instituições geriátricas e atendimento domiciliares.

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Ao longo da carreira, consolidou sua atuação no Espírito Santo levando estrutura clínica e tecnologia até a casa de pacientes que não conseguem se deslocar até os consultórios odontológicos. Especialista em geriatria e gerontologia, odontogeriatria, odontologia Hospitalar, laserterapia, prótese dentária e saúde coletiva, dedica sua prática à integração entre saúde bucal, qualidade de vida e cuidado humanizado.

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