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Agências se despedem de Philae, primeira sonda a pousar no rastro de um cometa

Agências espaciais deixarão de fazer contato com robô, que, depois de 10 anos viajando com a sonda Rosetta, conseguiu pousar no rastro de um cometa, em novembro de 2014. Mas logo parou de emitir sinais

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postado em 13/02/2016 06:00 / atualizado em 13/02/2016 10:11

Estado de Minas

MEDIALIAB/ESA/AFP %u2013 20/12/13
Paris – O robô Philae, que se encontra pousado em um cometa, entrou em hibernação permanente e deixará de receber instruções operacionais por serem quase nulas as probabilidades de restabelecer contato, anunciaram ontem fontes da agência espacial europeia. “Uma suave e lenta despedida. Chegou a hora de dizer adeus a Philae”, anunciou ontem o Centro de Operações Espaciais Alemão DLR, pondo fim a uma aventura sem precedentes na história da conquista espacial, que proporcionou dados capazes de melhorar os conhecimentos existentes sobre o aparecimento da vida na Terra.

“Infelizmente, as probabilidades de restabelecer contato com nosso equipamento de operações são quase nulas e deixaremos de enviar instruções, por isso será muito surpreendente se recebermos um sinal a partir de agora”, afirmou Stephan Ulamec, do DLR. O Centro Espacial Francês Cnes afirmou que, apesar de não enviarem mais instruções ao robô, o Centro Espacial de Toulouse “continua ouvindo a Rosetta, cujas antenas seguem dirigidas para Philae, atenta ao menor respiro”.

Ao fim de 10 anos de viagem como passageiro da sonda Rosetta, Philae conseguiu uma façanha sem precedentes na história da conquista espacial, ao pousar em 12 de novembro de 2014 sobre o cometa 67P/Churyumov-Guerasimenko. Depois de capotar duas vezes no terreno do cometa de relevo acidentado, o robô – que tem o tamanho de uma máquina de lavar roupas – acabou ficando sem uma exposição necessária aos raios de sol. Ainda assim, trabalhou por 60 horas antes de adormecer por falta de energia. Em junho de 2015, voltou a despertar, mas desde 9 de julho não deu mais sinais de vida. Nem mesmo em agosto, quando o cometa passou por seu perifélio – o ponto mais próximo do Sol em sua trajetória elíptica – o robozinho conseguiu despertar, provavelmente coberto pelo pó que se desprende do corpo celeste em sua viagem.

ESCOLTA As projeções de gases e pó complicaram muito a tarefa da sonda Rosetta, que escolta o cometa, na hora de tentar se aproximar para se comunicar com o Philae. Atualmente, eles estão separados por uma distância de 50 quilômetros. Teoricamente, quanto mais a Rosetta se aproxima do corpo celeste mais aumentaria as chances de contato, segundo o Cnes. A distância ideal seria uma órbita a 10 quilômetros, mas esta aproximação seria muito perigosa para a Rosetta agora. Há uma chance de aproximação nesse nível em meados de 2016, à medida que o cometa se distancie do Sol e diminua sua atividade. De qualquer forma, os europeus consideram que os resultados já obtidos pela missão são excepcionais e assinalam que o robô conseguiu realizar 80% das observações que deveria fazer.

“A missão Philae foi única em seu gênero”, afirmou Pascale Ehrenfreund, do DLR. “Não apenas foi a primeira vez que um robô pousou na superfície de um cometa, como também recebemos dele informações fascinantes.” Com sua câmara Civa (Comet Infrared and Visible Analyser), Philae observou a presença de grânulos de moléculas orgânicas, que podem ter favorecido o surgimento de vida na Terra, explica o Cnes. O interior do 67P acabou, em compensação, “sendo mais homogêneo do que se pensava”, como constatou a Rosetta com seu radar Consert, graças à qual foi determinada pela primeira vez estrutura interna do núcleo de um cometa. Nos próximos meses, a sonda Rosetta seguirá orbitando ao redor do cometa e realizando observações com seus instrumentos. Para não eliminar por completo o projeto, a unidade de comunicações conectada ao Philae permanecerá ligada. Em setembro, no fim de sua missão, a Rosetta pousará sobre o cometa 67P, onde será a companheira para sempre do pequeno robô Philae em seu sono eterno.
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