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Boom do streaming espalha cada vez mais conteúdo multimídia na internet

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postado em 26/05/2015 13:20 / atualizado em 26/05/2015 13:23

Mariana Peixoto /


Líder de mercado de streaming de música, o Spotify anunciou na última semana que vai lançar sua própria plataforma de vídeo. Além de música, o serviço vai oferecer notícias e podcasts, com conteúdo de canais como BBC, ESPN, MTV e Comedy Central. Também nos últimos dias, o YouTube fez um anúncio: vai entrar para o cinema, produzindo filmes em parceria como o AwesomenessTV, da DreamWorks, outra gigante do mundo do entretenimento.

No universo do streaming, todo mundo quer seu próprio quinhão. O streaming é uma forma de distribuição de dados usada para divulgar conteúdo multimídia por meio da internet. Com o crescimento da banda larga (que permite uma rápida transmissão de dados) no Brasil, serviços de conteúdo (música e vídeo) sob demanda popularizaram-se no país nos últimos anos. Exemplo disso é a Netflix, que nasceu nos Estados Unidos no fim dos anos 1990 como uma locadora e hoje tem 57,4 milhões de assinantes em todo o mundo. E atrás dela, outras empresas entraram no meio audiovisual. O melhor exemplo é o da Amazon, que, depois de dominar o e-commerce, passou a investir em streaming. Desde 2014, produz séries que são exibidas on-line (esse serviço ainda não está disponível no Brasil).

Para os brasileiros, um exemplo bem próximo é o Net Now. Plataforma de vídeo sob demanda criadoa em 2011 pela Net, líder em TV por assinatura e banda larga no país (tem sete milhões de assinantes), existia apenas para assinantes do pacote HD. Você podia alugar o filme ou programa que quisesse na sua televisão. Mas desde setembro o serviço também está disponível aos assinantes pela internet. Ou seja, é possível assistir ao mesmo conteúdo no smartphone, computador ou tablet.

A mesma coisa ocorre com os assinantes da HBO, que atualmente têm acesso a filmes e séries por meio da plataforma on-line HBO Go, e com os dos canais da Globosat. Ninguém quer ficar longe do filão. A ideia é sempre exibir o máximo de conteúdo em qualquer tipo de aparelho.

As mudanças na tecnologia acabam afetando a todos – exibidores, produtores de conteúdo e espectadores. “A gente tem procurado aproximar o máximo possível o lançamento dos filmes no Net Now”, afirma a gerente do serviço, Priscila Steinberger. Exibido nos cinemas brasileiros até meados de abril, Sniper americano, de Clint Eastwood – filme de guerra de maior bilheteria de todos os tempo, batendo inclusive O resgate do soldado Ryan, de Steven Spilberg, que liderava a lista desse gênero desde 1999 – é uma das atrações do serviço de vídeo sob demanda Net Now. Por R$ 15, o assinante pode assisti-lo onde quiser. O preço do aluguel é mais caro do que o dos lançamentos convencionais (R$ 9,90) por estar no que o Now chama de pré-lançamento. “São filmes que chegam aos assinantes com menos de 90 dias depois de terem sido lançados no cinema”, diz Priscila.

A diversidade de conteúdo oferecida também é grande. Entre filmes, programas de entretenimento, esporte e jornalísticos, séries e animações, o Now oferece 30 mil produtos. “Um ano atrás, tínhamos um pouco mais da metade do que temos hoje de conteúdo. O aumento se deu porque a utilização do Now cresceu em 70%, e ele acabou virando a estrela da Net”, acrescenta ela.

Caminho a desbravar

Para os produtores de conteúdo audiovisual, a internet é também um caminho a desbravar. Juliana Lira, fundadora da produtora Lira Filmes, tem três projetos de série para internet em produção: as sitcoms Os sebosos (ambientada num sebo) e Rompimento (sobre uma agência especializada em finais de relacionamento) e a infantojuvenil O mundo de Camila, criada diretamente para um público que nasceu na era da internet.

De acordo com ela, um projeto que nasce para a internet tem uma linguagem diferente do que foi criado para a televisão. “Muda tudo, até o enquadramento. No Brasil, são poucas as séries pensadas para quem vai assistir pelo laptop ou iPad. Ainda se produz muito pensando na TV”, comenta.

Juliana observa que, diferentemente do cinema e da TV, no Brasil, a publicidade chegou antes na internet. Sua produtora adaptou recentemente para a TV um comercial de um desodorante íntimo que havia sido realizado primeiramente para a internet. “Na internet, a linguagem é mais livre, você comunica diretamente e tem um tempo maior do que os 15 segundos de uma propagando de TV.”

Esse mercado parece tão interessante que, recentemente, a Mozilla (browser de internet) anunciou a primeira SmartTV com Firefox Oss do mercado, lançada em parceria com a Panasonic. O usuário pode acessar de maneira rápida sites e ainda criar e personalizar aplicativos do WebAPI da Mozilla. A novidade já está no mercado europeu e deve chegar ao restante do mundo nos próximos meses.

Música aquecida

No mercado da música mundial, assinaturas de plataformas de streaming tiveram em 2014 crescimento de 39% em relação ao ano anterior. Esse tipo de serviço representa 23% do mercado digital atual. De acordo com a Federação Internacional da Indústria Fonográfica (IFPI) e a Associação Brasileira dos Produtores de Discos (ABPD), no Brasil as vendas digitais estão perto de superar as físicas. Em 2014, as vendas de CD e DVD atingiram R$ 236,5 milhões, as de música digital, R$ 218 milhões, e de streaming, R$ 4,5 milhões.

 

Rede muito lenta

Apesar de tanta evolução nos 20 anos desde sua chegada ao Brasil, a internet tem muito a caminhar. A velocidade média é de 3Mbps (megabit por segundo), fazendo com que o país ocupe a 89ª taxa de download mais rápida do mundo, atrás do Iraque e do Sri Lanka. A Coreia do Sul, que ocupa o primeiro lugar, tem velocidade média de 22,2Mbps, segundo a Akamai, empresa referência na área. A cidade brasileira com a velocidade mais rápida é Vinhedo (SP): superior a 34Mbps.

 

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