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Presente futurista já é uma realidade

No último dia da série sobre a indústria dos aplicativos, o EM mostra como será possível escolher o que baixar para o seu eletrodoméstico ou carro

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postado em 20/05/2015 12:00 / atualizado em 20/05/2015 12:23

Mirelle Pinheiro /

Brasília – Pedir ao carro para localizar a vaga mais próxima, exportar listas de compras elaboradas pela geladeira, localizar uma carteira perdida por meio de GPS e vestir a camisa da revolução tecnológica, literalmente. A internet das coisas promete conectar os objetos em rede – e não mais apenas computador, telefone e TV –, de forma a replicar informação e integrar perfis e necessidades do usuário. De carona, os vestíveis (ou wearables) reservam espaço estratégico nos guarda-roupas das pessoas, para, num futuro próximo, serem mais populares do que um casaco de couro na lista de prioridades.


Com tantos objetos conectados entre si – o momento em que o relógio de pulso “conversará” com o carro não é mais ficção –, os aplicativos, pequenos softwares com funções bem específicas, também garantem participação nesse presente futurista. Exemplo mais clássico dessa conexão, os relógios inteligentes ganharam uma companhia de peso recentemente, o Apple Watch. O brinquedo se integra com outros produtos da empresa e traz aplicativos que podem monitorar saúde, servir como uma carteira virtual e, claro, controlar outros aparelhos, como tevês e computadores. Em três semanas, desde o lançamento, cerca de 5 mil aplicações foram desenvolvidas para o relógio, e, aproximadamente, 1,5 milhão de aparelhos, vendidos.

O Watch engorda as estatísticas dos wearables, que arrecadaram US$ 19 milhões em vendas, apenas em 2014, quando o reloginho da Apple ainda nem existia. Dados da empresa de pesquisa de mercado IDC apontam que o volume de vendas de hardwares vestíveis deve alcançar 145 milhões de unidades até 2019, representando taxa anual de crescimento de 45%. Para tentar ajudar a inflar esses números, o Brasil firmou acordo com a presidente da Coreia do Sul, Park Geun-hye, para que os dois países desenvolvam ações conjuntas aplicadas a big data – análise de grandes quantidades de dados em tempo real –, internet das coisas e wearables.

Acabou a cerveja

Em alerta com a tendência, a americana IBM anunciou, em março, investimentos na ordem de US$ 3 bilhões nos próximos quatro anos em uma nova unidade de M2M (sigla para machine-to-machine). “Inteligências artificiais, como a Siri, da Apple, e Cortana, da Microsoft, vão evoluir ao ponto de se tornarem secretárias inseparáveis dos seres humanos”, prevê o especialista em desenvolvimento de aplicativos e professor da Universidade Católica de Brasília, Michel Lopes. Ele acredita que, com inteligências artificiais bem estruturadas, será possível ter geladeiras que façam compras do mês baseadas nas preferências e necessidades nutricionais do usuário e guarda-roupas que verifiquem o tempo e ambiente de um evento para sugerir a combinação perfeita disponível. Na verdade, o grau de personalização será um pouco mais aprofundado que isso: ao comprar um refrigerador que permita a instalação de apps, o usuário pode optar por instalar um aplicativo nutricional ou apenas um que avise quando acabou a cerveja.

Para o consultor de tendências do Porto Digital, centro tecnológico do Recife, Jacques Barcia, a internet das coisas se tornou peça importante no planejamento estratégico das empresas de tecnologia. “É um movimento inevitável”, frisa. O Centro de Estudos e Sistemas Avançados do Estado (Cesar), ancorado no Porto, faz pesquisas na área e, até o fim do ano, vai ganhar um laboratório dedicado ao setor. “Fizemos um convênio e estamos com os recursos para iniciar as obras do Laboratório de Objetos Urbanos Conectados (Louco). A ideia é que os estudantes possam executar projetos para melhorar a qualidade de vida das grandes cidades”, explica.

No Louco, devem ser desenvolvidos dispositivos com sensores para controlar a temperatura e umidade das regiões de Pernambuco, por exemplo. Por meio do levantamento, as autoridades poderão saber o que é preciso fazer para melhorar a qualidade do ar, como plantar mais árvores, e apontar o grau de influência do trânsito. “Acredite, cerca de 80% dos negócios da próxima década nem sequer foram imaginados ainda”, diz Barcia.

 

Caminho até a Nasa

MY SALOMON /DIVULGAÇÃO
Com apenas 23 anos, a mineira de Itajubá Mariana Vasconcelos ganhou, num concurso, uma bolsa para estudar em uma universidade ligada à Agência Espacial Americana (Nasa), na Califórnia (EUA). A jovem embarca no próximo mês para os Estados Unidos.

A conquista se deu depois de a brasileira criar o aplicativo Agrosmart, que planeja maneiras de reduzir o consumo de água em plantações agrícolas. O sistema desenvolvido pela empreendedora economiza entre 30% e 70% o uso da substância na irrigação. Para embasar o impacto que um simples app pode ocasionar, Mariana citou dados da Organização das Nações Unidas (ONU). Segundo as estatísticas, cerca de 70% da água do mundo é utilizada na agricultura, sendo que 50% desse volume acaba desperdiçado durante o processo.

O sistema criado pela brasileira tem sensores espalhados na plantação que monitoram diversas variáveis ambientais. Os dados são coletados e enviados via rede, onde o software analisa as informações e cria recomendações para o agricultor, ajudando a entender necessidades da planta em tempo real. O aplicativo indica, diariamente, o quanto é preciso irrigar. Por enquanto, os aparelhos estão montados em duas fazendas de Belo Horizonte (MG), mas o objetivo, segundo diretores, é de que a tecnologia seja comercializada no segundo semestre deste ano.

Apesar da pouca idade e de ser formada em administração de empresas, Mariana, antes da Agrosmart, teve outras duas startups, que integram hardware e aplicações na nuvem. Para desenvolver o projeto premiado, ela contou com o apoio de colaboradores das áreas de marketing, engenharia e estudantes de tecnologia da informação, totalizando sete pessoas. “Espero levar a tecnologia da Agrosmart para muitos produtores rurais mundialmente. A solução que oferecemos não é só para economizar água, é fazer com que as pessoas fiquem mais conscientes da importância de garantir recursos hídricos para o futuro e melhorar a produtividade do setor agrícola”, comemora a moça.

 

Como será o mundo amanhã hoje?
Empresários do setor contam como imaginam o dia a dia das pessoas em cinco anos

 

“Hoje, há soluções como a casa inteligente, em que podemos ter uma noção daquilo que está por vir e se tornar realidade no dia a dia. Chegar em casa, com o portão e portas abrindo-se automaticamente, o banho preparado da forma que você gosta e compras que serão realizadas pela geladeira. Reconhecimento por voz, íris e digitais serão usados com simplicidade e devem substituir os atuais mecanismos de identificação”

  • André Vilas Boas, diretor de tecnologia da Trangulum


“Veremos mais e mais dispositivos conversando entre si. Em março, estivemos no Mobile World Congress 2015, maior evento do segmento no mundo. Quem esperava lançamentos de smartphones e tablets certamente estranhou a presença de um grande número de empresas que não eram do setor de telecomunicações. Fabricantes de carros, motos, roupas, relógios, equipamentos esportivos estavam lá propondo uma nova visão de integração de seus produtos”

  • Renato Virgili, diretor-geral da Pontomobi

 

Acessórios de uso pessoal

(e isso é só o começo)

 

divulgação

The Dash
Marca: Bragi
Expectativa de lançamento: setembro de 2015
O que faz: desenvolvido com auxílio do Kickstarter, site de financiamento coletivo, o Dash, além da função fone de ouvido, pode armazenar músicas, tem microfone ambiente, termômetro e infravermelho. O aparelho também é capaz de medir a distância, velocidade, passos, ritmo, tempo, rotação, giros, batida do coração, saturação de oxigênio, calorias queimadas e temperatura corporal.
Preço: US$ 299

Cuff
Marca: Cuff
Expectativa de lançamento: junho 2015
O que faz: a coleção de joias e acessórios é equipada com um sistema GPS que emite alertas e informa a localização de quem usa. Além de ter o recurso de enviar mensagens e atender o celular, os objetos também emitem sinais em situações de perigo, como assaltos, acidentes ou problemas de saúde. As informações são enviadas para os smartphones das pessoas cadastradas. O acesso é feito por meio de um aplicativo da marca.
Preço: De US$ 49 a US$ 199

Ring
Marca: Logbar Inc.
Lançamento: Abril de 2015
O que faz: usando o anel dotado de luzes de LED, os consumidores podem controlar quase tudo. O objeto transforma gestos em comandos para smartphones, tablets, smart TV e outros equipamentos compatíveis.
Preço: US$ 149

 

T-shirt OS
Marca: Cute circuit
Lançamento: em fase de desenvolvimento
O que faz: camiseta equipada com micro-chip que permite a interação com o smartphone e as redes sociais. A roupa também reproduz a sensação de estar sendo abraçado quando alguém envia mensagem para o aparelho vestível.
Preço: não estipulado

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