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Sistema computacional da UFMG permite fazer diagnósticos e projeções ambientais

Laboratório do Instituto de Geociências, da UFMG, vai ajudar a definir políticas públicas territoriais e redução do impacto das mudanças climáticas

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postado em 10/11/2014 08:53 / atualizado em 10/11/2014 08:52

Ana Clara Brant /

Modelagem ambiental é o ramo que visa prever eventos ou fenômenos ambientais a partir de princípios gerais. É, basicamente, a modelagem computacional, utilizando modelos matemáticos, aplicada a situações relativas ao meio natural ou a situações criadas pelo homem ao alterar o meio ambiente, tendo como objetivo a geração de diagnósticos e prognósticos para gerenciar o meio ambiente de forma sustentável. “É a representação do meio ambiente no sistema computacional. É trazer para o mundo do computador o mundo real”, resume William de Souza Costa, pesquisador associado do Centro de Sensoriamento Remoto (CSR), do Instituto de Geociências (IGC) da Universidade Federal de Minas Gerais (UFMG).

O CSR ganhou, no mês passado, um espaço que será fundamental para fazer essas projeções no meio ambiente: o Laboratório de Modelagem Ambiental (Lamam) – cujo acesso poderá ser feito de forma remota pela internet –, que tem como importância primordial a aplicação em políticas públicas territoriais e na diminuição do impacto das mudanças climáticas.

“Estamos falando de planejamento territorial, de uso sustentável dos recursos naturais, como água, planejamento da agricultura, conciliação entre produção agrícola e conservação no Brasil. Hoje, nosso grande desafio é buscar conciliar essas duas áreas. Nosso país é um dos maiores produtores de commodities agrícolas do mundo, mas também tem um patrimônio ambiental muito grande, já que 60% do nosso território ainda é área de vegetação nativa. Como conciliar desenvolvimento agrícola e conservação ao mesmo tempo? Quais as políticas públicas que podem levar o Brasil a esse sucesso? E o laboratório vem ajudar nesse sentido”, destaca o professor Britaldo Silveira Soares Filho, coordenador do CSR e da pós-graduação em análise e modelagem de Sistemas Ambientais da UFMG.

Britaldo acrescenta que, enquanto a UFMG tem outros laboratórios voltados mais para o desenvolvimento, o Lamam é mais destinado aos usuários, já que, mesmo com recursos computacionais, o software Dinâmica ego é de fácil utilização e pode ser baixado por qualquer pessoa. “Ele foi todo desenvolvido aqui e já está sendo utilizado não só por gente do Brasil, mas por pesquisadores de outros países, como Austrália e Estados Unidos”, frisa. O novo espaço de pesquisa vai atender às demandas de estudantes de mestrado e doutorado e demais pesquisadores interessados na área ambiental, como ecólogos, biólogos, geógrafos, geólogos, engenheiros e até de ciência da computação. “A modelagem ambiental é uma área interdisciplinar”, complementa William.

Mapas

Além da inauguração do laboratório, foi lançada uma plataforma de mapas virtuais construída por meio de software livre pela equipe de computação do CSR, que pode ser acessada por qualquer indivíduo (Plataforma de mapas: http://www.csr.ufmg.br/maps  Software: http://www.csr.ufmg.br/dinamica). “Os estudos atuais sobre a Terra processam uma quantidade enorme de dados. Dessa forma, é importante tratá-los de maneira organizada para transformá-los em informação e conhecimento. Nosso objetivo é oferecer para a comunidade uma ampla base geográfica sobre Minas Gerais e outros estados do Brasil. E ele vai sendo alimentado semanalmente”, afirma Britaldo Soares.

O professor lembra algumas pesquisas que já estão utilizando esse sistema desenvolvido pelo CSR. Uma delas, em parceria com a Fundação de Amparo à Pesquisa do Estado de Minas Gerais (Fapemig), com a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária (Embrapa) e a Universidade Federal de Viçosa (UFV), está fazendo uma projeção das demandas hídricas para Minas. “É algo que foi pensado no ano passado, antes de toda essa crise, e agora foi aprovado. É uma questão de fundamental importância, ainda mais tendo em vista a escassez da água nos dias de hoje.”

As principais instituições e órgãos de pesquisas do Brasil já estão utilizando o software, como o Serviço Florestal Brasileiro, que queria avaliar a viabilidade econômica das florestas nacionais que seriam leiloadas para se tornar concessões florestais. “Eles queriam saber quais áreas eram mais viáveis economicamente e para isso desenvolveram um modelo aproveitando o nosso modelo Dinâmica ego”, pontua.

Em breve, o Centro de Sensoriamento Remoto, com o Instituto Chico Mendes de Conservação da Biodiversidade (ICMBio), vai iniciar um projeto em que será analisado um outro grande problema ambiental: a questão do fogo nos grandes parques. “Pretendemos, por meio da modelagem ambiental, orientar o plano de combate ao fogo florestal. Então, onde a gente vai fazer os aceros (limpeza), quais áreas devem ser queimadas para evitar grandes incêndios, o chamado fogo prescrito, ou seja, você põe fogo numa área para que ela sirva de barreira a um grande incêndio, que é o fogo fora de controle”, esclarece.

Pelo fato de poder ser utilizado de qualquer parte do mundo, já que o software pode ser baixado gratuitamente, o coordenador do CSR ressalta que o Laboratório de Modelagem Ambiental é como uma nuvem. “Ele tem um espaço ilimitado e as pessoas não precisam vir aqui para acessá-lo e trabalhar. As ferramentas são fáceis de ser utilizadas, você não precisa ser expert em computação e tem diversas aplicações: hidrologia, exploração madeireira, rentabilidade do uso da terra, impacto nas mudanças climáticas, rentabilidade da agricultura. Ele amplia o alcance dos trabalhos de modelagem ambiental.”

Conteúdo
Dinâmica ego é uma plataforma de modelagem e pode ser baixada gratuitamente. Por meio dele é possível ter acesso a todo o conteúdo do Laboratório de Modelagem Ambiental.

Saiba mais sobre o CSR
O Centro de Sensoriamento Remoto foi instalado em 1992, no IGC, com o objetivo de desenvolver pesquisas e aplicações de sensoriamento remoto para levantamento de recursos naturais e estudos de problemas ambientais diversos. O órgão também atua nas áreas de geoprocessamento e cartografia digital e modelagem ambiental.

 

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