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Aberta temporada de oportunidades para startups

Com incentivo financeiro, espaço físico, serviços jurídicos, marketing e participação em eventos, está aberta a temporada de editais nos quais ideias de base tecnológica podem ser inscritas

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postado em 23/10/2014 09:35 / atualizado em 23/10/2014 09:46

Zulmira Furbino

Beto Novaes/EM/D.A PRESS

O Opinion Box é uma ferramenta de coleta rápida de dados on-line que atende públicos-alvo que vão de estudantes de mestrado a pessoas jurídicas. Seu negócio é criar pesquisas ou construir automaticamente questionários para atender os clientes, que terão à sua disposição uma base de dados composta hoje por 130 mil pessoas. O AppProva é um aplicativo criado com o objetivo de ajudar jovens estudantes a melhorar seu desempenho escolar por meio de testes on-line padronizados em formato quiz, simulados e desafios. A partir dessa interação, gera avançados relatórios estatísticos de desempenho que ajudam instituições de ensino a fazer um profundo diagnóstico das potencialidades e fraquezas de seus alunos, permitindo assim a otimização e ajuste de seu processo pedagógico.

O que as duas empresas têm em comum? Ambas são startups, empresas nascentes em tecnologia que reúnem várias cabeças pensantes em torno de uma ideia de alto risco, com potencial de escala. Nos dois casos, essa ideia foi transformada em plataformas tecnológicas inovadoras que pretendem de algum modo facilitar a vida das pessoas. No primeiro caso, possibilitando a realização de pesquisas de modo mais rápido, fácil e barato do que pelos meios convencionais. No segundo, por meio da interação, ajudando escolas e estudantes do ensino médio a se preparar para provas concorridas em todo o território nacional, como o Exame Nacional do Ensino Médio (Enem).

As inovações tecnológicas estão cada vez mais presentes no cotidiano da vida dos brasileiros, o que multiplica o potencial de mercado das startups. Mas o país, que ocupa o distante 64º lugar no ranking do Índice Global de Inovação 2013, ainda tem uma imensa jornada a percorrer para se tornar competitivo no mercado mundial. Um dos caminhos para conseguir financiamento e dar os primeiros passos para chegar lá são os programas de incentivo à inovação, criados pelos governos federal e estadual, e por entidades privadas que têm objetivo de permitir e preparar essas empresas para crescer.

Um deles, criado pelo Ministério de Ciência, Tecnologia e Inovação (MCTI) no fim de 2012, é o Startup Brasil (www.startupbrasil.org.br), que está com inscrições abertas até amanhã para a seleção de mais 50 empresas nascentes de base tecnológica. O objetivo do programa é fomentar o ecossistema de startups no Brasil com o financimento do governo federal em parceria com a iniciativa privada. São ao todo 15 aceleradores de empresas que investem recursos diretos na forma de aportes de capital aos iniciantes, oferecendo ainda espaço físico, mentoria, serviços jurídicos, marketing e participação em eventos. Cada startup aprovada recebe até R$ 200 mil de incentivo do governo e entre R$ 20 mil e R$ 200 mil das aceleradoras. Ao fim do programa, elas participam do Demo Day, um dia em que se apresentam para investidores nacionais e internacionais que podem financiar o seu próximo estágio de investimento.

LAURA FONSECA/DIVULGAÇÃO

Primeira turma

“A primeira turma do Brasil Startup está sendo formada agora. De modo geral, os participantes conseguem avanços relevantes. Em Belo Horizonte são duas aceleradoras de empresas que fazem parte do projeto”, explica Felipe Matos, diretor de operações do programa Startup Brasil do MCTI. De acordo com ele, o Brasil é um dos países do mundo com maior crescimento no uso de smartphones, o que gera inúmeras possibilidades para esse tipo de empreendimento. Por isso, o programa selecionou áreas de atuação, que são setores da economia onde a aplicação de tecnologia pode alavancar o desenvolvimento do país: educação, saúde, logística, agronegócios, entre outras.

“Entramos no Startup Brasil na primeira turma, em 2013 e ficamos por seis meses, junto com a aceleradora Acelera MGTI. Vencido esse prazo, permanecemos com a Acelera MGTI, onde o contrato podia ser renovado por mais um semestre. Mas antes de tudo isso já havíamos passado por um primeiro processo de aceleração em São Paulo, na Locaweb, e depois fizemos um processo de aceleração na Endeavor”, explica Felipe Schepers, um dos sócios e CEO da Opinion Box. No ano passado, segundo ele, o faturamento da empresa foi de R$ 400 mil, mas a expectativa para 2014 é saltar para R$ 1 milhão. “Considerando todo o contexto mundial e a Copa do Mundo, nosso resultado é muito positivo”, acredita. Somente este ano a startup conquistou 50 clientes. Ao todo são 300 mil entrevistas realizadas e 200 projetos.

Expectativa em alta

João G Rodrigues Gallo, CEO da AppProva, explica que quando decidiu participar do processo seletivo a expectativa era alta. “Claro que houve dificuldades iniciais pela nossa inexperiência e pelo fato de o projeto estar começando, mas conseguimos rever nossa plataforma e criar estratégias de mercado para chegar a um modelo mais viável de crescimento. Hoje o aplicativo já atende mais de 600 mil usuários gratuitamente. Temos como clientes, além dos mais tradicionais colégios de Belo Horizonte, escolas em Juiz de Fora, São Paulo, Campinas, Mato Grosso e Rio de Janeiro”, afirma.
Em Minas, o programa Desenvolvimento do Ecossistema de Empreendedorismo e Startups, criado no final de 2013 e coordenado pelo Escritório de Prioridades Estratégicas do Governo de Minas, abre vagas para startups do mundo inteiro. Os projetos selecionados recebem incentivos como capital semente livre de participação de até R$ 80 mil, mentoria com expoentes do cenário de empreendedorismo, formação empreendedora por meio de workshops, cursos e palestras, espaço de coworking e conexão com uma comunidade global de empreendedores. Já foram investidos R$ 13,5 milhões no programa. Em cada seleção, os negócios são acelerados por seis meses. Na primeira foram 35 participantes e na segunda 36 negócios.

Outras iniciativas

» Podem ser feitas até 15 de novembro as inscrições para concorrer ao Prêmio Mineiro de Inovação, criado pela Câmara de Comércio Ítalo Brasileira, com o apoio da Federação das Indústrias do Estado de Minas Gerais (Fiemg),que vai avaliar trabalhos e projetos em três modalidades: processo, produto e intangível. Os vencedores de cada modalidade e da menção honrosa receberão R$ 20 mil em dinheiro. Outras informações: www.premiomineiroinovacao.com.br.

» O Instituto Embratel Claro, em parceria com o Laboratório de Sistemas Integráveis Tecnológico (LSI-TEC) e o apoio da Escola Politécnica da USP, Movile, Zenvia e 21212, anuncia a abertura das inscrições para a 3ª Edição do Campus Mobile. A iniciativa tem o objetivo de identificar jovens talentos que desejam atuar no desenvolvimento de conteúdos e novos serviços, por meio da tecnologia, promovendo o bem comum e o desenvolvimento social do Brasil. Inscrições até 31 deste mês: www.institutoclaro.org.br/campusmobile.


» A Yunus Negócios Sociais Brasil, organização ligada ao Nobel da Paz, Muhammad Yunus, acaba de divulgar projetos selecionados para iniciar ainda este mês o segundo programa de incubação e aceleração em São Paulo e Rio de Janeiro. Todo processo é gratuito e conta com o apoio institucional da Casas Bahia, por meio da Fundação Via Varejo. Confira no site da Yunus Negócios Sociais Brasil os futuros ciclos de incubação e aceleração, que aceitarão inscrições de empreendedores de todo o país: www.yunusnegociossociais.com.br

 

Três perguntas para...

Guilherme Junqueira, gestor de projetos da Associação Brasileira de Startups (Abstartups)

Quais são os desafios das startups no Brasil?
São muitos. O ecossistema de staurtps no país é recente, nasceu há três ou quatro anos. Temos visto programas de apoio e incentivo, mas no final do dia o maior desafio do ecossistema é ser um bom empreendedor. Mesmo com dinheiro, mentoria e aceleração, o que vai fazer diferença para o negócio dar certo é o empreendedor. No ramo de aplicativos para táxi, por exemplo, há empresas que inovaram, mas não conseguiram manter-se à frente por problemas societários. O maior desafio é a educação empreendedora.

Que avanços já ocorreram?

Há um grande avanço na quantidade de serviços e produtos oferecidos para as starups. Não só governo federal, mas governos estaduais despertaram para algum tipo de ajuda com investimento e capacitação, e os Sebraes já se mobilizam. Isso justifica o aumento do número de pessoas querendo empreender e começar uma startup, mas o maior desafio é preparar o empreendedor para fazer sua empresa crescer e não apenas brincar de ser chefe.

Quais as expectativas para o segmento?

A missão da Abstartups é profissionalizar essas empresas nascentes e torná-las cada vez mais competitivas. Precisamos cada vez mais ter empreendedores atuando localmente, mas pensando globalmente. Só assim vamos ter cases grandes de sucesso, startups brasileiras sendo compradas por empresas norte-americanas, europeias, israelenses. Nossa expectativa é formalizar as empresas para torná-las mais competitivas. 

 

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